Benjamim Taubkin, músico e pesquisador, abriu a Casa do Núcleo, no Alto de Pinheiros, em São Paulo, em 2011. Conhecido crítico das leis de incentivo fiscal, ele acredita que uma política de estímulo e incentivo, como isenção de IPTU e facilidades para compra de equipamentos, seria um importante passo para a manutenção das pequenas casas de cultura no Brasil.
“Transporte público 24 horas, pelo menos nos fins de semana, também seria fundamental, assim como linhas de crédito e financiamento específicas para a cultura”, defende. Além disso, ele acredita que uma maior presença da diversidade musical brasileira nas rádios e TVs ajudaria muito tanto os artistas quanto os espaços independentes.
A Casa do Núcleo nunca teve nenhum tipo de apoio de empresas ou governo. Um dos orgulhos de Benjamim é dizer que os próprios shows pagam as bandas e a manutenção da casa. Ele atribui isso a alguns fatores como: definição de uma identidade; ter paixão (“não dá pra fazer um projeto desse sem muita dedicação e alegria, mesmo nos momentos difíceis”); ter uma equipe responsável, unida e comprometida, que compartilhe visões; ser criativo na comunicação; ser organizado administrativamente; e ter autonomia para gerar recursos respeitando a natureza do projeto.
A casa tem loja, bar e cozinha, mas eles não intervêm na ideia fundamental, que é a escuta atenta e silenciosa na hora da apresentação. “Isso é algo que nunca pedimos ao público. O silêncio é natural para todos”, conta Benjamim, que também aluga o espaço para compor a receita, mas sempre para eventos conectados com a identidade da casa.
“Não queremos o público a qualquer preço, mas aquele que se conecte com as nossas ideias. É preciso entender a natureza dos pequenos espaços, que são importantes para experimentações e projetos autorais. ‘Small is beautiful’, já disse Shumacher.”
Mas ele admite: é preciso ter também uma certa dose de loucura, irresponsabilidade e sorte. “Há algo de imponderável nisso tudo…”
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