Sony encolhe, Universal cresce - Cultura e Mercado

Sony encolhe, Universal cresce

Em 2002, gravadoras como a Sony e a Abril Music sofreram com a crise da indústria fonográfica, mas a Universal aumentou o faturamento em 12%. Independentes ganham espaçoPor Sílvio Crespo
05/02/2003

O ano de 2002 não foi fácil para a indústria fonográfica no Brasil. Algumas que se adaptaram à crise, como a Universal, conseguiram aumentar o faturamento, mas outras, como a Abril Music, tiveram dificuldades (clique aqui para ler matéria sobre a Abril Music).

Crise
A Sony, segundo lugar no mercado fonográfico, teve seu faturamento reduzido em 14,5%, segundo notícia publicada no jornal Valor. O jornal afirma que a vice-líder recentemente fechou uma fábrica de 42 mil metros quadrados em Acari (RJ). A Abril Music talvez tenha sido a maior vítima da crise. Suas vendas caíram pela metade em 2002, para R$ 32 milhões, informa o jornal Valor.

A Universal, por outro lado, fechou o ano na liderança das gravadoras que atuam no Brasil, segundo o Valor. A gravadora aumentou seu faturamento em 12,9%. Para contornar a crise no mercado fonográfico, a empresa teve de apertar o cinto: ?ficamos mais seletivos nos investimentos?, diz ao jornal o presidente da Universal, Marcelo Castello Branco. Segundo o Valor, a empresa tem 21,8% de participação no mercado, considerando-se as oito maiores gravadoras, que faturaram R$ 690,9 milhões no ano passado.

Com a crise, a tendência é que as gravadoras arrisquem cada vez menos, investindo apenas nos artistas já consagrados. Ainda assim, o faturamento não está garantido. Nem mesmo o cantor Roberto Carlos teve o seu sucesso habitual, segundo o jornal. Outra saída para a crise, que vem sendo adotada por algumas gravadoras é a intensificação da distribuição em supermercados e grandes varejistas, que permitem uma redução do preço final dos produtos.

Independentes
O jornal afirma que o mercado das gravadoras independentes é responsável atualmente por 15% das vendas e sofrem menos com a pirataria. O mercado pirata, segundo o jornal, dedica-se mais a copiar os grandes lançamentos e os álbuns mais vendidos, não fazendo concorrência às pequenas gravadoras.

O cantor Lobão é responsável pelo caso mais famoso de produção independente que vem dando certo. Lobão saiu da Universal, líder no setor, para fundar sua própria gravadora, a Universo Paralelo. Com a estratégia de vendas em bancas de jornal, o músico conseguiu um ganho, segundo ele, quatro vezes superior ao que ele ganharia se estivesse ligado a uma grande gravadora. Seu disco lançado pela Universo Paralelo vendeu, de acordo com o compositor e hoje empresário, mais de 97 mil cópias.


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