A 10ª edição da SP-Arte começa nesta quarta-feira (2/4) e segue até domingo (6), reunindo em 21 mil m² do pavilhão da Bienal do Parque Ibirapuera 136 galerias, sendo 78 brasileiras e 58 provenientes de 17 países.
Para se ter ideia da evolução, as transações realizadas em 2012 na SP-Arte pelas galerias paulistas e estrangeiras somaram quase R$ 49 milhões. Em 2013, o volume mais que dobrou, atingindo R$ 99 milhões. Em sua primeira edição, em 2005, a feira contou com 41 galerias. Já no ano passado, o total passou para 122 galerias, sendo 81 brasileiras e 41 internacionais, provenientes de 14 países.
Das 27 galerias apontadas como as mais conceituadas do circuito mundial das artes em 2013 pela revista ArtReview – referência mundial em arte contemporânea -, 12 marcam presença no evento: David Zwirner, Larry Gagosian, Marion Goodman, Pace, White Cube, Lisson, Luisa Strina, Thaddaeus Ropac, Neugerriemschneider, Kurimanzutto, Franco Noero e Continua. Nenhuma outra feira, além das já consagradas Basel, Frieze, Arco ou Fiac, reúne esse time de galerias no seu espaço. Algumas vêm à SP-Arte há duas ou três edições consecutivas, como é o caso da White Cube.
“A presença de galerias estrangeiras é um sintoma visível do crescimento do mercado e de sua internacionalização, a exemplo do que ocorre em outras metrópoles pelo mundo, como Paris, Madri, Nova Iorque e Londres”, disse ao Cultura e Mercado a diretora da feira, Fernanda Feitosa.
Para as brasileiras, participar da SP-Arte, a principal feira de arte do Hemisfério Sul, é uma credencial para as feiras promovidas em outros países. Segundo Fernanda, além do crescente interesse do mercado estrangeiro pela nossa arte, um dos facilitadores é o programa de convidados internacionais, que acontece desde o primeiro ano da feira e desde 2009 em parceria com o projeto Latitude da Associação Brasileira de Arte Contemporânea (Abact) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex). “Através deste programa convidamos colecionadores, diretores de museus e curadores para fazer uma viagem de imersão no Brasil, com foco nas artes plásticas e visuais. A viagem tem um roteiro intenso que privilegia conhecer a produção artística nacional”, conta a diretora.
Mercado – Mas nem tudo são flores. Embora algumas galerias, como David Zwirner e Pace, afirmem que manterão sua seleção de obras “caras e robustas”, segundo reportagem do jornal Folha de S. Paulo, com receio de uma estagnação econômica, há quem esteja mais cauteloso. O foco da Gagosian, por exemplo, de acordo com sua diretora de vendas, Victoria Gelfand, serão os artistas contemporâneos e mais baratos que grifes modernas como Pablo Picasso.
Há ainda a questão dos altos impostos para importação das obras, que chegam a 50% do valor da peça, apesar do incentivo fiscal. Pelo terceiro ano consecutivo, as obras comercializadas terão isenção de 18% de ICMS, imposto estadual recolhido na comercialização de mercadorias, para galerias estabelecidas em São Paulo e compradores residentes no Estado. No entanto, esse mecanismo ainda é complexo e pouco claro para os estrangeiros.
Além disso, o recente decreto do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), que dá ao governo federal a prerrogativa de declarar como de interesse público obras de colecionadores privados, preocupa alguns galeristas. O receio é que obras raras deixem de vir ao Brasil (leia aqui reportagem da Revista Brasileiros sobre o assunto).
Ainda assim, a SP-Arte vai bem. O orçamento é de mais de R$ 6 milhões – R$ 1,94 milhão captados via Lei Rouanet –, segundo Fernanda Feitosa informou ao jornal O Estado de S. Paulo. A 10ª edição da feira conta com a presença dos patrocinadores tradicionais, Itaú, Oi, Oi Futuro, Iguatemi São Paulo e Sabesp, e também da Racional Engenharia e da Minalba Premium. Chandon, Illy e Latitude.
Rolls-Royce, um dos maiores fabricantes de carros de luxo do mundo, e Axa Art, única seguradora do mundo especializada em arte, participarão pela primeira vez do evento. A Axa Art é patrocinadora das mais importantes feiras de arte do mundo, como a TEFAF em Maastricht, Art Basel na Basileia, Miami Beach e Hong Kong e AIPAD Photography Show em Nova York.
Incentivo – Em sua primeira edição, em 2005, a SP-Arte destinou 10% da receita da bilheteria à construção do Instituto de Arte Contemporânea, criado para a preservação da memória de artistas como Mira Schendel, Willys de Castro e Sergio Camargo. Na terceira edição, em 2007, doou uma obra de Mira Schendel ao MAM-SP e à Pinacoteca do Estado de São Paulo e convidou patrocinadores a fazerem o mesmo e assumirem um papel mais ativo na ajuda à formação dos acervos dos museus brasileiros.
O destaque até agora está com a Iguatemi São Paulo, que doou 38 obras de arte para cinco museus nos últimos cinco anos. Os maiores beneficiários das ações foram a Pinacoteca do Estado de São Paulo, que recebeu 19 obras no período, e o MAC-USP, receptor de 13. A empresa também fez duas doações para o acervo do MAM-SP e ampliou sua atuação para outros estados, beneficiando o MAM-RJ com uma e o MAM-BA com três obras.
O segundo participante mais importante é o Banco Espírito Santo, com 16 obras acrescentadas ao acervo da Pinacoteca desde 2009. E o terceiro é a colecionadora Cleusa Garfinkel, com 10 doações ao MAM-SP entre 2010 e 2013. A Fundação Edson Queiroz incorporou duas obras ao acervo do MAC-USP, no ano passado. A SP-Arte e a Galeria Luisa Strina fizeram uma doação cada, para a Pinacoteca e o MAM-SP, respectivamente em 2008 e em 2011.
Especiais – A edição deste ano da feira terá um novo espaço, denominado Solo, que reunirá galerias interessadas em apresentar um único artista. Sob a organização de Rodrigo Moura, diretor do Instituto Inhotim, o espaço permitirá ao público observar e compreender melhor a produção dos artistas selecionados.
Já o Laboratório Curatorial é um espaço para formação de curadores jovens, sob o comando de Adriano Pedrosa. Desde a edição de 2012, a SP-Arte patrocina anualmente dois curadores jovens, selecionados entre vários candidatos que elaboram projetos de exposições. Neste ano, os selecionados foram Carolina Vieira e Traplev. Como prêmio, durante seis meses eles estudarão e trabalharão com Adriano Pedrosa, um dos mais respeitados curadores brasileiros, que realizou, entre outras exposições, a Bienal de Istambul de 2011. Em seguida, visitarão a Bienal de Berlin, para enriquecimento da sua formação profissional.
Galerias, ateliês e pequenos centros culturais elaboram programações especiais durante a SP-Arte, criando um circuito cultural que ajuda o visitante a entender o contexto em que está sendo produzida a arte no país.
“O interesse pelas atividades paralelas é crescente, por criarem enredos e repertórios que proporcionam um relacionamento mais rico com a arte”, afirma Fernanda Feitosa. Entre as atividades internas da 10ª edição destacam-se os diálogos com os artistas Thiago Martins de Melo, Mabe Bethônico e Ana Bella Geiger, e com os curadores Pablo León de La Barra e Ivo Mesquita.
“Sem dúvida arte sempre foi um bom negócio – para a alma, principalmente, e até mesmo financeiramente”, conclui Fernanda.
A programação completa da SP-Arte está no site www.sp-arte.com.
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