SUCESSÃO NA TV CULTURA – “Paulo Markun foi o nome do consenso”, afirma Jorge da Cunha Lima

Paulo Markun será o novo presidente da diretoria executiva da Fundação Padre Anchieta. Em carta ao Conselho Curador, o jornalista firma compromissos com o público.

SÃO PAULO – O jornalista Paulo Markun será o novo presidente da diretoria executiva da Fundação Padre Anchieta e sucederá Marcos Mendonça que abdicou de apresentar candidatura à reeleição. O nome de Markun surgiu como consenso após uma longa rodada sigilosa de sucessivas indicações e análises do conselho, cujo corpo eletivo, por fim indicou a candidatura de Markun com 18 dos 23 votos (conheça quem é quem no conselho que decide o destino da TV Cultura).

Jorge da Cunha Lima, em conversa exclusiva com esta reportagem (publicaremos a íntegra da entrevista na próxima semana), frisou que está consolidada, até o momento, apenas a candidatura. Lembrou, porém, que são muito remotas as possibilidades de uma mudança no quadro, uma vez que a maioria do conselho eletivo votou em Markun e que, uma vez que Marcos Mendonça não apresentou candidatura à reeleição, não há como surgir um novo candidato. Ainda que as avente, Jorge da Cunha Lima reconhece que as hipóteses seriam absurdas: a de que o conselho mudasse de opinião e retirasse a indicação consensual ou a de não houvesse quorum no dia da eleição.

A matemática é simples: todos os 46 membros do conselho curador escolhem o presidente, destes, 23 membros eletivos indicam os candidatos (o prazo para que surja nova candidatura esgota-se neste dia 30 de abril, no meio do feriadão emendado), destes 23, 18 indicaram e, certamente votarão em Markun. Por fim, o número de candidatos: somente um. O resultado desta aritmética: é muito remota a possibilidade de Markun não obter pelo menos os 24 votos (a maioria absoluta) para se tornar o novo presidente.

[b]Uma carta de compromissos públicos[/b]

Jornalista de reconhecida competência e de longa carreira na TV Cultura, desde a década de 60 – quando foi convidado à chefia de reportagem por Vladimir Herzog-, Markun encaminhou uma carta de agradecimentos ao conselho curador, lembrando passos importantes da trajetória interrompida de seu chefe daqueles anos duros e de seu próprio caminho que o levou de volta à casa em 1998, pelas mãos do Jorge da Cunha Lima, para apresentar o Roda Viva, programa que depois dirigiu, durante a gestão de Mendonça.

Evocando o estatuto da Fundação e a Constituição Federal, Markun afirmou categoricamente que se propõe a uma linha que dará prioridade absoluta às finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas, promovendo a cultura nacional e regional e estimulando a produção independente. Esconjurou a censura e relembrou o caráter da TV pública de independência e autonomia em relação a governos, partidos, correntes, tendências, grupos políticos, artísticos, culturais, econômicos e religiosos.

Já assuntando a controversa temática da produção e exibição de audiovisual no Brasil, Markun posicionou-se contra o monopólio do modelo centralizado e vertical e evocou a lei aprovada na Câmara, mas que tramita no Senado desde 2003, de iniciativa da deputada Jandira Feghali (saiba mais), que abre espaço para a produção regional e independente. Enfatizou ainda que a Cultura terá compromisso com a sociedade e não com o mercado, buscará participar de processos de inclusão social e trabalhará pelo direito à comunicação.

Paulo Markun caracterizou o processo de implantação da TV digital de irreversível e nebuloso e afirmou que deve ainda ser corretamente apropriado pela FPA, lembrando das novas plataformas de veiculação como a internet. Evocou ainda o papel decisivo da Cultura na discussão da formação de uma rede pública de televisão no Brasil e assinalou que o modelo de financiamento requer melhorias com o aumento de dotação de recursos públicos.

Saiba mais de Paulo Markun em: s://www.paulomarkun.com.br/, s://markun.weblogger.terra.com.br/ e s://blog.paulomarkun.com.br/

Eduardo Carvalho

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