Superando os desafios dos projetos culturais

Pensar de forma colaborativa, sustentável e a longo prazo é um dos principais desafios no planejamento de um projeto cultural. “Parece óbvia a afirmação de que sem planejamento não é possível desenvolver um produto qualificado e sua gestão será muito mais difícil, dispendiosa e que a eficácia da proposta poderá se comprometer. No entanto, mesmo que isso seja tão claro no discurso, na atividade cultural o planejamento ainda é uma ‘novidade’, sendo rara a dedicação de tempo e investimentos para este fim”, afirma Daniele Torres.

Sócia da Cia da Cultura, Daniele é gerente de mercado do Instituto Brasileiro de Gestão Cultural e professora do curso Projetos Culturais, que acontece de 10 a 13 de novembro, no Cemec. Segundo ela, essa dificuldade de planejamento no setor é um processo natural, dada a informalidade do ambiente criativo e a profissionalização ainda recente. No entanto, perceber essa fragilidade e a necessidade de reversão é a chave para o desenvolvimento de um projeto bem sucedido e eficaz.

“Embora já exista uma boa literatura a respeito e a facilidade de acesso à informação seja grande, a falta de prática impõe severas limitações para quem deseja se profissionalizar. Trocar experiências é imperativo para auxiliar novos gestores de projetos a se firmarem no mercado cultural”.

Dominar ferramentas como as leis de incentivo é fundamental para gestores culturais, pois costumam ser parte da estratégia de viabilização dos projetos. “Ainda que os mecanismos de incentivos mereçam revisões, sua utilização ainda é essencial para a captação de recursos”, explica Daniele. Essa, por sua vez, é a grande questão, ou o “calcanhar de Aquiles” dos projetos culturais.

“Mas as fontes de financiamento são múltiplas e faz-se necessário abrir o horizonte dos produtores culturais para que não se reduzam somente à captação com empresas privadas ou por meio de ações de crowdfunding. O processo de obtenção de recursos para a viabilização de ações e programas culturais exige dedicação, costuma ser de médio prazo para retorno dos investimentos, mas é mais simples do que parece e precisa ser desmitificado.”

Permeando tudo isso, está a gestão adequada do projeto para a otimização de recursos, garantia da eficácia e mensuração dos resultados.

O curso de Daniele traz dicas e ferramentas práticas sobre planejamento, gestão, leis de incentivo à cultura, comunicação e captação, avaliação e sustentabilidade. “Após ministrar algumas edições do curso, percebo que os alunos se sentem mais leves e encorajados a experimentar e amparados a seguir na batalha que é empreender na área cultural. E tenho acompanhado o sucesso de alguns, o que me confirma que, ao aliar a motivação à técnica, o talento se afirma”, conta.

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