Tecnologia do Brasil ajuda cegos na rede

Aparelhos leitores de livros digitais acabam facilitando a vida de quem é deficiente visual. A primeira geração do Kindle, por exemplo, trazia um emulador de voz que permitia a leitura em voz alta do livro pelo aparelho. Note o tempo do verbo: “trazia”.

Hoje isso não acontece mais. Por causa de ameaças de editoras e associações de direitos autorais, os fabricantes retiraram essa função dos aparelhos, com medo de processos.

Por isso, a União Mundial dos Cegos propôs em Genebra (na Organização Mundial da Propriedade Intelectual) a criação de um tratado para resolver a questão. Se aprovado, o uso da leitura digital por deficientes visuais não será violação de direito autoral.

Quem, no mundo, seria contrário a um tratado que beneficiaria tantos deficientes? Infelizmente, muitos: a RIAA (Associação das Gravadoras), a MPA (Motion Picture Association, do Cinema) e a Microsoft apresentaram manifestações contrárias. Com isso, as negociações estão paradas.
Enquanto esse absurdo acontece, a situação é diferente no Brasil. Pesquisadores da UFRJ desenvolveram um programa para deficientes visuais chamado DOSVOX (bit.ly/17LvJO).

É um software que permite usar o computador por sons: dá para navegar, bater papo e acessar redes sociais. E, é claro, escrever, baixar música e games.
O programa transforma tudo numa voz feminina (de curioso sotaque carioca!). Já são mais de 20 mil usuários.

Chama a atenção o fato de o DOSVOX ser um software livre. É gratuito e pode ser copiado livremente. Ele é produto da colaboração entre alunos e professores da UFRJ, coordenados pelo professor Antônio Borges. São heróis. Merecem imenso reconhecimento.

Quando se compara a generosidade por trás do DOSVOX com o que está acontecendo em Genebra, dá para ver quem é cego de verdade. P.S. Obrigado a minha irmã Daniela, que trabalha com deficientes visuais, por me mostrar o DOSVOX.

Clique aqui para ler a matéria na íntegra.

*Fonte: Folha de S.Paulo (Ronaldo Lemos)

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