TEIA DOS PONTOS DE CULTURA - A organização do caos cultural brasileiro - Cultura e Mercado

TEIA DOS PONTOS DE CULTURA – A organização do caos cultural brasileiro

Pontos de Cultura analisam o encontro e observam os desafios da edição 2007.

A diversidade da Cultura brasileira e sua complexa estrutura de acordes materiais e imateriais formam uma equação caótica. Entre os dias 7 e 11 de novembro, a cidade de Belo Horizonte viverá um momento importante para a observação desta verdadeira sinfonia dissonante. A capital mineira receberá a Teia, encontro nacional dos Pontos de Cultura e parte do programa Cultura Viva do Ministério da Cultura. A reportagem de 100canais escutou responsáveis por Pontos em todas as regiões do país para apurar como estes gestores analisam o encontro, diretamente associado aos esforços em prol da integração, troca e colaboração para o desenvolvimento desta política.

É partindo do caos que Lílian Pacheco, responsável pelo baiano Ponto de Cultura Grãos de Luz e Griô, coloca uma abordagem criativa e abrangente do encontro. “Eu observo a Teia como um ponto organizador do caos. Existe o exercício da convivência, da expressão, da delimitação de seu espaço e do respeito para com o espaço do outro. Em meio a esta mistura aparentemente desorganizada, são realizados debates, trocas e discussões bastante pertinentes. Temos um ponto organizador, mas o caos não deixa de existir, o que é fundamental para que pulse a nossa originalidade e energia”, explica.

Em sua segunda edição – a primeira foi realizada na cidade de São Paulo, em 2006 – a Teia representa também um reflexo do andamento dos trabalhos realizados pelos Ponto de Cultura durante todo o ano. Para os gestores, trata-se de um cenário para a avaliação de ações e a observação in loco da abrangência do projeto e suas realizações. “Neste ano, inscrevemos um espetáculo teatral para apresentação na Teia. Para nós, é uma forma não apenas de mostrar o que fazemos aqui na região Norte, mas também de estabelecer um diálogo e vivenciar a diversidade que caracteriza a cultura brasileira”, conta Lenine Alencar, responsável pelo Ponto de Cultura Inter Arte Ação, no Acre.

Conjugando interesses e explicitando práticas, alguns Pontos ainda oferecem suas experiências ao encontro, auxiliando em sua organização e na articulação de suas atividades. É o caso da Fábrica do Futuro, de Minas Gerais. O coordenador da entidade, César Piva, será o responsável pela TV Teia, uma ferramenta colaborativa para a realização da comunicação da Teia 2007 por meio da linguagem audiovisual. Além de auxiliar os grandes veículos na cobertura do encontro, a TV Teia contará ainda com programas produzidos por jovens de Pontos de todo o país de forma colaborativa e realizados como produtos de oficinas. Será oferecido para este desafio todo o aparato tecnológico, incluindo ilhas de edição. “Será um aprendizado para todos nós: produzir com qualidade e, ao mesmo tempo, viabilizar a construção coletiva, viva, sob o olhar de pessoas vindas de diferentes realidades culturais, como diversas necessidades expressivas”, explica César Piva.

Construir a partir do caos, sem que o caos deixe de pulsar. A Teia, em sua segunda edição, promete ser uma experiência de convivência e criação para além da reunião de Pontos de Cultura e seus representantes. Certamente, por sua natureza, tem condições de fazer ecoar reflexões, práticas e renovações nos aspectos mais sutis das políticas culturais do Brasil.

Deca Pinto

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