Na última semana, a Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA) apresentou os resultados de duas pesquisas sobre o setor no país: uma tratava do índice de preços dos pacotes e a outra do nível de satisfação dos assinantes.
A primeira, encomendada à Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), identificou que o preço médio do pacote básico de TV paga no Brasil é de US$ 23,25, o que deixa o país no 27º lugar do ranking mundial – a média é de US$ 27,43. O valor pago por canal por assinante aqui é de US$ 0,57, um pouco abaixo da média mundial, de US$ 0,65. O estudo foi feito entre os meses de abril e maio deste ano, em 47 países.
Já a segunda pesquisa foi conduzida pela r.hannun, de julho a setembro de 2012, com 3.421 pessoas que possuíam TV paga há mais de seis meses.
Foi identificado que 66% dos assinantes estão nas classes A e B e 1/4 na classe C, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. 80% têm ensino médio ou superior completo e 61% são mulheres. Sobre as razões para ter um pacote de TV paga, 83% dizem estar em busca de entretenimento, 45% veem como alternativa à TV aberta, 21% estão em busca de mais informação/aprendizagem e 16% mais conhecimento sobre outras línguas e culturas.
Quando se fala em “TV ideal”, a ligação imediata é pela diversidade de atrações, com muitos canais de filmes (50%), futebol e esportes (25%), notícias (19%) e desenhos (15%), disponível com uma qualidade de sinal (22%), de imagem (21%) e de som (4%) que não falhe e não cause problemas. Um fator curioso é que a pesquisa não indicou comentários sobre a qualidade da programação ou o alto índice de reprises, por exemplo.
As operadoras estão bem avaliadas na visão geral dos assinantes, segundo a conclusão do estudo, com grau de satisfação em 7,89. A TV por assinatura está, de acordo com os entrevistados, 79% próxima da “TV ideal” e cumprindo em 80% com as expectativas. “Vale ressaltar que os níveis de exigência deste cliente só são comparáveis àqueles demonstrados com os serviços de saúde”, disse o presidente da ABTA, Oscar Simões, em entrevista ao Cultura e Mercado.
Segundo ele, o aumento do número de canais nas programadores se dá, em parte, para atender à demanda dos assinantes e às exigências trazidas pela nova Lei do SeAC. Mas também se deve à estratégia de presença no mercado brasileiro de programadores, que ampliam essa oferta pela importância e potencial do mercado. “A Lei do SeAC trouxe mudanças bastante significativas para o setor. Porém, o negócio de TV por assinatura sempre deve ser olhado numa perspectiva de médio e longo prazo. Nossa visão é de que mercado está se ajustando e se adequará ao longo do tempo. Até porque o aumento de demanda de conteúdo nacional derivado da lei é significativo e essa adaptação não se faz de forma imediata”, explica.
Durante a apresentação dos resultados das pesquisas, Simões disse que a projeção de faturamento operacional bruto do setor é de R$ 28 bilhões neste ano, um aumento de 17,6% com relação a 2012 – o resultado considera a receita com TV paga, internet, telefonia e publicidade.
Em maio, a base de domicílios com TV paga no Brasil era de 17 milhões, o que atinge cerca de 55 milhões de telespectadores. Para o final deste ano, segundo projetou Simões, essa base deve atingir 18,5 milhões.
“Podemos destacar a melhoria da renda no Brasil, ocorrida nos últimos anos, a adequação do produto à demanda dos novos consumidores e também o fato do mercado brasileiro ser bastante competitivo, o que faz com que os preços sejam ajustados. Além disso, por alcançar 100% do território nacional (via satélite), a TV por assinatura cumpre papel relevante no Brasil, principalmente em regiões onde não há muita oferta de equipamentos culturais”, afirma Simões.
Congresso – Para tratar dos diversos aspectos que envolvem esse mercado, começa nesta terça-feira (6/8), em São Paulo, a Feira e Congresso ABTA 2013, principal encontro do setor de TV por assinatura e banda larga da América Latina. Esta é a 21ª edição do evento e contará com a participação de mais de 120 empresas, sendo quase metade das expositoras são fornecedoras de equipamentos e programadoras estrangeiras interessadas no mercado brasileiro – um crescimento de 30% com relação a 2012. Estarão presentes delegações de países como Alemanha, França, Estados Unidos, China (Taiwan), Coréia, Japão, Inglaterra, Espanha e Peru.
Entre os assuntos a serem abordados nas mesas estão: perspectivas sobre a evolução do mercado; publicidade após o crescimento da TV paga; novos cenários para a monetização de conteúdos; Cade, Ecad e os direitos autorais na TV por assinatura; a relação entre TV paga e TV aberta; e o espaço para a alta definição.
Um dos destaques é a mesa em que o presidente da Associação Brasileira de Produtoras Independentes de TV (ABPITV), Marco Altberg, vai discutir os efeitos da Lei 12.485 e o novo ambiente regulatório do mercado audiovisual com a diretora da Agência Nacional do Cinema, Rosana Alcântara, que fará uma apresentação dos resultados da lei sob a ótica da produção de conteúdo e do empacotamento.
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*Com informações da Agência Estado e do site da Tela Viva