UFRJ prepara projeto para abrigar acervo de Augusto Boal

A Universidade de Nova York  desistiu, ao menos por ora, de enviar dois técnicos para avaliar o acervo de Augusto Boal, criador do Teatro do Oprimido. A viúva do dramaturgo e diretor, Cecília Boal, avisou à instituição que prefere concluir sua negociação com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) antes de fazer um acordo para transferir o material para os Estados Unidos.

“Eles resolveram esperar o que vai acontecer. Minha prioridade é o Rio, onde Augusto nasceu”, diz a psicanalista argentina, que foi casada por quatro décadas com Boal, morto em 2009, aos 78 anos, vítima de leucemia.

O ministro da Educação, Fernando Haddad, ligou para Cecília pedindo que ela não assinasse com a NYU. E determinou que a UFRJ elaborasse um projeto para o acervo, que tem cerca de 20 mil textos, 300 horas de vídeo, 120 horas de áudio e 2 mil fotografias.

Segundo a diretora do departamento de Letras da universidade, Eleonora Ziller Camenietzki, na próxima semana já deverá ser oferecido um lugar para abrigar o material, dividido hoje entre uma sala em Botafogo e o apartamento de Cecília, em Ipanema. “Estamos avaliando espaços nos campus do Fundão e da Praia Vermelha. O importante é acolher de forma imediata o acervo, que está se deteriorando. Estamos fazendo os orçamentos para um trabalho a longo prazo, incluindo a digitalização. O ministro garantiu que haverá aporte de recursos, e podemos procurar as agências financiadoras de projetos, como Finep, CNPq, Capes e Faperj”, diz Eleonora, que planeja para o início de setembro uma proposta mais ampla.

Com a suspensão da visita da NYU, também ficou suspensa a participação do Itaú Cultural, que se oferecera a Cecília para ajudá-la na recepção aos técnicos americanos. A instituição ainda propôs digitalizar o material, mas agora aguardará o desfecho das conversas com a UFRJ.

Cecília, que sonha montar um Instituto Augusto Boal para difundir as ideias do marido, não venderá o acervo. Ela cederá, diz, para preservá-lo. “Há documentos já estragando, porque o Rio é muito úmido”, conta.

*Com informações de O Globo Online

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