Um exército de Quixotes

Como estar contra o Juca é estar contra a beleza da literatura e da poesia, decidi fazer guerra contra a elite cultural brasileira. Esses sim, ricos, falsos, acumuladores dos dotes culturais brasileiros, inimigos da cultura piauienses. Resolvi combater os inimigos do Piauí.

Finalmente encontrei um inimigo digno da minha fúria. E num invencível exército de Quixotes, começamos a combater os 3% que acumulam a Lei Rouanet.  Não é que me deparei com o próprio Juca, travestido de moinho? Soprava um fortíssimo vento norte-nordeste, quase um tornado.

Ele tinha o FNC nas mãos e enviou 0% ao Piauí. Ao mesmo tempo mandou 8% para a Bahia e mais do que os falsos mecenas para o Rio de Janeiro (26%, contra 25%). Mas arrefeci, minha visão estava turva (capacete de Quixote deixa a visão embaçada). O inimigo é o Mecenato, o neoliberalismo, a Rede Globo, os bancos. Desviei a atenção.

Dei de cara com o Juca novamente, agora um forte e esguio cavalheiro, o verdadeiro chefe do exército de Brancaleone. Incapaz de cuidar de nossa pura e casta Lei Rouanet, abusou e se lambusou dela com todas as suas instituições vinculadas, sobretudo a Funarte. Entrou para o clube dos 3%, o dos verdadeiros marajás, foco da nossa incessante luta.

A agora impura e corrompida Lei, a pobre coitada, precisa de proteção. O mercado lá fora é uma selva. A cúpula do exército empossou o rei dos Quixotes, o Brancaleone em pessoa, para receber o cheque em branco de todos nós. A ex-virgem em seu total poder e vigilância.

O que faço, um simples e desavisado Quixote, membro honorífico da pura linhagem De La Mancha? Ataquei Brancaleone com minha lança imaginária, aquela capaz de desferir sangrentos golpes fascistas.

Sinto-me derrotado.

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