Tenho recebido inúmeros e-mails e telefonemas querendo saber da minha opinião à respeito desta atual ‘movimentação política’ em São Paulo. Bem, o que tenho a dizer é que considero uma grande bobagem a ocupação da funarte, beirando à uma irreponsabilidade sem tamanho. Sou trabalhadora da cultura e não me vejo representada por este movimento. Para ser mais exata não me vejo sob hipótse alguma reprsentada pela ‘cooperativa paulista de teatro’, pois ela representa apenas e tão somente uma pequena parcela dos artistas da cidade de São Paulo, embora insistem em propagandear o contrário.
Naquele discurso estão embutidas outras razões que não me interessam mesmo. Principalmente razões e ambições político-partidárias. Para poder levar à sério este ou qualquer outro movimento deste porte é necessário que se entenda muito bem o que estão colocando à frente como escudo nas suas reivindicações ou seja: PEC 150, Pro Cultura, Fim da Lei Rouanet, Descontigenciamento, Prêmio Teatro Brasileiro (mesmo que venha com o falso discurso de agregar as demais linguagens), etc.
Considero de uma infantilidade sem tamanho esta ocupação da Funarte, as ameaças, o intimidamento daqueles que ousam dizer o contrário e sobretudo este discurso pseudo-marxista ultrapassado e obsoleto. Em nenhum momento houve falta de diálogo da Funarte ou do MINC com a classe artística. O descompasso é que temos muito pra falar e o Ministério e a Funarte tem pouco a dizer.
Temos sim uma equipe neste novo-velho governo frágil e na maioria das vezes equivocado frente à todas as discussões acumuladas nos últimos 8 anos. É um ‘começar de novo’ que não faz sentido algum. Isto sim me incomoda e me causa desânimo. Mas também sei que ou construímos algo juntos ou retrocederemos. E os efeitos deste retrocesso serão bem piores do que o que estamos vivenciando atualmente.
Pra começar precisamos entender qual política pública pra cultura estamos tentando construir nos últimos 8 anos que não se refere exclusivamente à liberação de aportes financeiros para contemplar o meu ou o teu projeto.
E, por fim, fico tentada a dizer aos colegas que me perguntam sobre a legitimidade deste pseudo-movimento pseudo-anarquista, que não se prestem a ser ‘massa de manobra’ nas mãos daqueles que insistem em falar em nome dos trabalhadores da cultura.
Portanto, afirmo e reafirmo: não faço parte deste movimento e nem levanto esta bandeira. Nossa discussão precisa ser outra, bem mais propositiva e bem menos ‘chorona’. Muito mais democrática no sentido de ouvir outras opiniões, outros pontos de vista. Coisa que infelizmente a classe artística esqueceu como se faz.
Como diz um querido amigo de terras gaúchas: ‘o que penso e o que sei é tão importante quanto o que tu pensas e o que tu sabes. Mais importante ainda é o que fazemos com o que pensamos e sabemos’