Liz Devine não se tornou roteirista pelos caminhos convencionais. Formada em biologia, se especializou em ciência forense incentivada por um tio. Então começou sua carreira como perita criminal em Los Angeles, onde trabalhou por cerca de 15 anos. Hoje, ela é roteirista e coprodutora executiva da série CSI – Crime Scene Investigation, que já está no ar há 14 anos e lhe rendeu indicações no Writer’s Guild e Emmy Awards.
Liz veio ao Brasil a convite do NETLABTV, em parceria com o canal Sony, para finalizar com uma masterclass o seminário de desenvolvimento de séries que aconteceu no último dia 11 de novembro, no Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS-SP).
Ela iniciou sua aula contando como passou de perita a roteirista e coprodutora da série. “Eu era especialista em reconstituição de cena, então já verificava todas as evidências, encaixava as peças e contava a história, só que era de um jeito jurídico”. Quando foi convidada para ser consultora técnica logo na estreia da série, Liz ajudou os atores a preparar seus personagens, os diretores de arte com os objetos de cena e com todos os detalhes técnicos dos episódios. “Os escritores não sabiam como era estar na cena do crime e eu sempre contava muitas histórias sobre meu trabalho, até que me pediram para escrever a história ao invés de contá-la e deu certo.”
A roteirista contou em seguida a história de Anthony Zuiker, o criador da série. Ele trabalhava em um hotel, mas queria ser roteirista. “Anthony gostava muito de acompanhar séries de crimes como Cops e 24 horas. Mas ele achava que toda a investigação era feita pela polícia e, quando descobriu que existia a perícia, ficou encantado com aquilo, intrigado com como um mínimo detalhe, se entregue nas mãos da pessoa certa, poderia resolver um crime”, contou Liz.
Zuiker decidiu que poderia criar um bom programa de TV. “Mas uma boa ideia não basta”, explicou Liz. “Ele precisava conhecer o contexto, o universo daquilo que ele queria tratar e, por isso, visitou o laboratório de criminalística para pesquisar e conhecer mais sobre o tema. Dessa forma, conseguiu desenvolver profundamente os personagens e espelhar a vida real”, relatou a roteirista.
De acordo com Liz Devine, durante o pitch, Zuiker soube vender o programa. Ele descreveu entusiasmado como uma pequena evidência, um fio de cabelo, pode resolver um mistério e revelar um criminoso. E os executivos se contagiaram pela ideia, decidindo comprá-la.
Ela relatou que a primeira temporada teve 23 episódios e tornou-se um enorme sucesso logo na exibição do primeiro. “Mas uma série nova é como um novo aluno, tem que se adaptar ao ambiente e entrar na linha – se vocês se lembrarem de Friends, na primeira temporada havia um macaco, mas ele não funcionou e sumiu nas temporadas seguintes. Depois do sucesso com CSI, tínhamos que manter o nível de suspense e encontrar o ritmo queríamos, além de um visual único para o programa”.
A roteirista acredita que o sucesso da série se deve ao momento certo de revelar os detalhes, de entregar pistas ao espectador. “Outra coisa que se deve fazer com a série é não deixar o episódio ser previsível. Nós queremos que o público caminhe com a gente e ele não deve descobrir nada antes dos personagens”, ensinou. Liz contou também que quando acertaram a fórmula do programa, mais ou menos no 8º episódio, a série virou a número 1 da América.
Na opinião dela, CSI foi bem sucedida porque permitiu que o público participasse dos processos e, além disso, ensinou as técnicas dos peritos e a mágica que a cena do crime pode revelar. Durante os 14 anos da série, a produção continuou trabalhando com peritos. “Dá para sentir o grau de precisão que não se teria sem os consultores técnicos”.
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