Depois que desentendimentos entre empresas responsáveis fizeram naufragar a Semana de Arte do Rio – projeto de Vik Muniz que levaria obras de 16 artistas a lugares públicos da cidade – o detentor da marca tenta repassar o evento para o Estado do Rio. É o que informa a Folha de S. Paulo desta segunda-feira (25/4).
“Cresceu demais aquele projeto, ficou grande demais e a gente achou que teria prejuízos”, disse Guilherme Magalhães, diretor da Nau, produtora que ficou com os direitos sobre a marca. “Estamos fazendo uma doação disso para o Estado, para não ter sobressaltos nem confusão de verbas.”
No caso, são R$ 20 milhões de orçamento para bancar uma megaestrutura, tentativa do Rio de fazer frente à Bienal de São Paulo, segunda maior mostra de arte no mundo e mais importante evento do tipo no país.
Mas nada está decidido e desavenças entre organizadores jogam uma sombra de dúvida sobre o evento. Segundo a secretaria estadual da Cultura do Rio, “até o momento tudo que houve foram sondagens, as conversas estão muito embrionárias”.
Magalhães, vice-presidente da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, diz que está tentando integrar os espaços expositivos da escola e a Casa França-Brasil ao roteiro de sua Semana de Arte. Mas se o plano original era montar instalações de artistas estrelados como o dinamarquês Olafur Eliasson, o sul-africano William Kentridge e as brasileiras Adriana Varejão e Beatriz Milhazes em pontos famosos do Rio, poucos detalhes sobre o novo projeto estão definidos.
“Tentei fazer isso e não consegui”, disse Vik Muniz, autor do projeto original, à Folha. “Agora vão buscar outro curador e fazer do jeito que eles querem fazer.”
Enquanto a nova Semana de Arte não sai do papel, Muniz e sua namorada, Malu Barreto, estão fundando uma organização de interesse social, a Arte em Trânsito, para produzir algo próximo do que seria a ideia original. Chamada Mostra de Arte Pública do Rio, deve reunir os mesmos nomes nos mesmos moldes, mas ainda não tem data para acontecer.
*Com informações da Folha de S. Paulo