Conferência Dança Pública inicia ciclo de debates na cidade, que quer descobrir espaço de convivência social a partir da cultura e tem dança como manifestação de destaquePor Deborah Rocha
26/05/2003
Gestão cultural
Como gerir a cultura nos moldes em que ela hoje se apresenta? Os gestores públicos de cultura devem seguir critérios do espontaneísmo ou do dirigismo? Foi principalmente em torno dessas questões, geradas a partir da exposição do professor José Teixeira Coelho Neto, que desenvolveu-se a primeira mesa da Conferência Dança Pública, realizada na cidade de Votorantim, entre os dias 22 e 24 de maio, com apoio da Funarte. Primeira parte de um ciclo de conferências planejado para este ano sob o binômio cultura e desenvolvimento, o encontro é resultado da ação do governo municipal da cidade, que através da secretaria de Cultura e Turismo procura auxiliar o orçamento participativo.
Dança cidadã
Cidade com de 110 mil habitantes, Votorantim começa a ter uma identidade própria, historicamente conurbada pela vizinha Sorocaba. Neste processo de redescobrimento, a dança destaca-se na cidade por ser a manifestação cultural mais “madura”, tendo hoje um Núcleo de Dança com 280 alunos apoiado pela secretaria de Cultura. Segundo seu secretário, Glauber Piva, a dança é um instrumento de diálogo com a comunidade, de cidadania e inclusão social. Neste sentido, exemplificando o que disse Teixeira Coelho, professor de política cultural da ECA-USP, estimular a dança na cidade seria aquele tipo de gestão cultural baseada no espontaneísmo, que, ao contrário do dirigismo, não estabelece critérios para o desenvolvimento das ações culturais. Glauber Piva, ressalta porém, que não acredita no espontaneísmo, mas na necessidade de encontrar um equilíbrio entre ambos. “Há demandas que temos que criar”, acrescenta. Para Teixeira Coelho, deve-se dar incentivos, sem que, no entanto, seja estabelecido o conteúdo do que será incentivado. “Há que se evitar os critérios na política cultural”, afirma.
Dirigismo
Presente na mesma mesa, Celso Frateschi, secretário municipal de Cultura de São Paulo, diz que é preciso superar o binômio dirigismo e espontaneísmo. “Onde está o dirigismo”, pergunta, referindo-se, por exemplo, à intervenção dos patrocinadores em um roteiro cinematográfico. “Não acredito no dirigismo estatal e muito menos no dos diretores de marketing”, ressalta. Além disso, em termos concretos, o secretário falou sobre a inauguração de 21 centros culturais até agosto deste ano, onde haverá espaço para apresentações de dança, e anunciou a criação de um Centro Coreográfico em São Paulo, ainda em fase de discussão com a classe.
A Conferência estendeu-se até sábado, com a presença, entre outros, da crítica de dança Helena Katz, do terapeuta corporal Ivaldo Bertazzo e do coordenador do Núcleo de Dança de Votorantim, Marcelo Proença. Houve também apresentações de dança e a realização de oficinas de dança.
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