YouTube versus selos e gravadoras independentes

O YouTube informou nesta terça-feira (17/6) que planeja lançar um serviço pago de streaming de música. De acordo com o site G1, o novo serviço, que deve oferecer funções similares a plataformas como Deezer, Spotify e Rdio, será lançado até meados de setembro e permitirá aos usuários acessar música sem anúncios publicitários. Entre outros recursos esperados está a capacidade de ouvir música offline e de tocar um álbum inteiro de um artista em vez de faixas individuais, como acontece atualmente.

A companhia, controlada pelo Google, diz ter firmado parceria com “centenas de grandes gravadoras e selos independentes” para o produto. A empresa também confirmou as especulações de que pequenas gravadoras que se recusarem a aceitar seus termos terão o conteúdo bloqueado no site.

Em entrevista ao Financial Times, o diretor de conteúdo e negócios operacionais, Robert Kyncl, afirmou que “em questão de dias” o YouTube começará a bloquear vídeos de músicas que não se enquadrarem no formato a ser lançado, para garantir que só quem aceitou os termos da empresa permaneçam.

Há acordos com gravadoras que representam 95% do mercado, disse ele, mas deixa de fora as independentes. A XL Recordings, por exemplo, está por trás de nomes como Adele e The xx, e a banda Arctic Monkeys está atrelada à Domino, ambas representadas pela agência de direitos autorais Merlin, que se recusa a aceitar o que foi proposto pelo YouTube.

Há poucos meses a WIN (Worldwide Independent Network), que representa várias empresas pequenas pelo mundo, divulgou uma nota criticando o YouTube por fazer propostas consideradas injustas às pequenas gravadoras. A WIN dizia que o YouTube fechou acordos separadamente com as três maiores gravadoras, Sony, Warner e Universal, o que foi confirmado pelo site de vídeos, mas tem procurado as menores separadamente, justamente para causar pressão.

No Brasil, algumas grandes gravadoras são representadas pela WIN. Entre elas, a Som Livre, que tem entre seus artistas gente como Titãs, Latino, Jorge e Mateus, Pollo, Rodrigo Amarante, Cidade Negra e Silva. É possível que clipes de todos eles sejam retirados do ar.

Segundo comunicado divulgado pela Rede Mundial da Indústria Fonográfica Independente, os acordos sendo oferecidos pelo YouTube são “altamente desfavoráveis e com termos não negociáveis”.

O YouTube não comentou os termos, mas afirmou em comunicado que o novo serviço vai gerar nova fonte de receita para a indústria da música. “Estamos adicionando recursos baseados em assinatura no YouTube para gerar a nossos parceiros da indústria fonográfica novas fontes de receita além das centenas de milhões de dólares que o YouTube já gera para eles a cada ano.”

Os executivos do site argumentam que não podem oferecer músicas no serviço gratuito que não estarão disponíveis no pago, pois isso decepcionaria os assinantes. A solução é, portanto, tirar as canções do site.

Embora pago, usuários poderão acessar o serviço gratuitamente por um mês, para assistir a vídeos ou ouvir músicas sem anúncios publicitários, mesmo quando não conectados à internet. O serviço será acessível em todos os aplicativos e sites do YouTube, que juntos têm mais de um bilhão de visitantes por mês.

O Google lançou o serviço de música Play All Access, a US$ 10 por mês, em 2013. O futuro serviço do YouTube poderá funcionar em conjunto com o Play para que os usuários não sejam forçados a assinar dois produtos separados.

*Com informações do G1, Olhar Digital, Zero Hora e Folha Online

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