Depois de sete meses esperando a viabilidade de se fazer uma edição do festival no tal modo “híbrido”, ou seja, com público presente, guardadas os protocolos de segurança, chegou a hora de decidir.  Como um jogador de xadrez, estudei todas as possibilidades, consultei especialistas, técnicos, administradores e, principalmente, o Doutor Carlos Starling, companheiro de cada passo desta verdadeira estratégia montada para a segurança de todos contra a Covid. A possibilidade, que seja mínima, de alguém se contaminar durante o evento eliminou a chance de ter público, mesmo que reduzido. Abriu-se então a hipótese digital e virtual mas ainda assim, queríamos alguma coisa presencial. Uma conversa me marcou muito: com a delicadeza e profissionalismo de sempre, Rogério Contato Guimarães, diretor da patrocinadora principal do Fliaraxá, a CBMM não impôs nenhum entrave. Mas relatou o cuidado e a observância de todas as normas e regras possíveis e impossíveis no funcionamento da Companhia. Isso foi decisivo.

O Tauá Grande Hotel de Araxá estaria funcionando normalmente, com 50% de sua capacidade. E mais: lotado, por causa do feriado. Acrescente este ingrediente neste pandemônio. Aumentou a nossa responsabilidade. E decidimos encarar.

Fliaraxá 2020 tornou-se um case de segurança em matéria de realização de eventos na pandemia de Covid-19. Durante 10 dias, 25 pessoas se deslocaram de Belo Horizonte para Araxá e 15 dias depois do encerramento, estão perfeitamente saudáveis. “Sem dúvida, um caso de sucesso nestes novos tempos”, comemorou o renomado infectologista Carlos Starling. Foi ele que orientou o idealizador e produtor do Festival Afonso Borges durante os meses de organização. “Tudo foi planejado com antecedência, muito discutido e realizado exatamente como os protocolos de segurança”, disse o infectologista. Importante: o hotel funcionava normalmente, com 50% da sua capacidade lotada.

Este ano, o Festival de Literatura de Araxá foi híbrido, sem a presença de escritores e sem público. A equipe de produção, no entanto, trabalhou no Grande Hotel para oferecer, pelo streaming do Youtube, mais de 100 horas de programação, com atividades para o público infantojuvenil de Araxá e para os adultos, com abrangência nacional e internacional. Mais de cem autores do Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste participaram das mesas temáticas, várias vezes debatendo simultaneamente de diferentes cidades ao redor do mundo.

Mesmo virtual, foi a edição com maior diversidade e maior quantidade de autores e, também, sucesso incomparável de público, com quase 7 milhões de impressões nas redes sociais (visualizações que o conteúdo alcançou no Facebook, Instagram, Twitter e Youtube, além da TV Escola e G1). Por tamanha amplitude, tornou-se o primeiro festival global de literatura, o maior em língua portuguesa.

Planejamento

Todos os profissionais que trabalharam presencialmente no Tauá Grande Hotel fizeram os testes PCR antes de viajar para Araxá, com despesas pagas pelo Fliaraxá. Eles embarcaram em vans com 50% da lotação máxima e, na chegada, receberam um estoque pessoal de máscaras e álcool em gel, oferecidos pela organização do Festival e pela administração do hotel. Foi proibido o trabalho sem uso desses requisitos de segurança. O distanciamento entre as pessoas foi observado durante os cinco dias da primeira fase do Festival.

Anteriormente, previsto para durar entre 28 de outubro e 1.º de novembro, o Fliaraxá foi estendido até 8 de dezembro, como consequência do sucesso temático e da grande participação do público. Além da distribuição para as escolas de Araxá de coleções completas dos patronos desta edição, Clarice Lispector e João Cabral de Melo Neto, aconteceram várias atividades envolvendo escritores e alunos da cidade. Desde o dia 9,  pelo YouTube, Facebook e Instagram do Fliaraxá, estão sendo reprisadas diariamente a programação infanto-juvenil, às 10h, e a programação adulta, às 19h. As transmissões vão até o dia 8 de dezembro.

Também, neste dia, serão conhecidos os vencedores do IX Prêmio de Redação Maria Amália Dumont, que recebe inscrições até 27 de novembro pelo e-mail [email protected]. O tema é “As línguas portuguesas pelo mundo”. A exposição dos retratos de mais de 50 escritores, pintados por Renato Aroeira, foi dividida e doada para a Biblioteca Pública Municipal, Biblioteca do UNIARAXÁ, Sesi Senai, Museu Dona Beja e para a Livraria Nobel, parceira local do evento.


contributor

Afonso Borges é Escritor e Gestor Cultural, criador do @sempreumpapo, @fliarara e @mondolivro

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