O novo livro de Gilles Lipovetsky* em parceria com Jean Serroy traz uma discussão sobre a mercantilização da cultura contemporânea. O outro lado da moeda é a culturalização do mercado, que a cada dia se locupleta de sentidos e se constrói simbolicamente.
Como parte do experimento audiovisual que me propus a fazer há quatro semanas, avanço um pouco no formato e deixo a reflexão apenas em vídeo, que já conta com uma participação mais espontânea e diferente do que vinha apresentando até então.
Enfim, uma mercantização integral da cultura que é, ao mesmo tempo. uma culturalização das mercadorias. Na época da cultura-mundo, as antigas oposições da economia e da cotidianidade, do mercado e da criação, do dinheiro e da arte dissolveram-se, perderam o essencial de seu fundamento e de sua realidade social. Produziu-se uma revolução: enquanto a arte, daí em diante, se alinha com as regras do mundo mercantil e midiático, as tecnologias da informação, as indústrias culturais, as marcas e o próprio capitalismo controem, por sua vez, uma cultura, isto é, um sistema de valores, objetivos e mitos. O cultural se difrata enormemente no mundo material, que se empenha em criar bens impregnados de sentido, de identidade, de estilo, de mode, de criatividade, através das marcas, de sua comercialização e de sua comunicação. O imaginário cultural não é mais um céu acimo do mundo “real”, e o mercado integra cada vez mais em sua oferta as dimensões estéticas e criativas. Sem dúvida, o econômico jamais foi totalmente externo à dimensão do imaginário social, sendo o mundo da utilidade material ao mesmo tempo produtor de simbolos e valores culturais. Simplesmente agora essa combinação é explicitada, gerida, instituída em um sistema-mundo globalizado.
* A cultura-mundo, de Gilles Lipovetsky e Jean Serroy, editora Companhia das Letras.
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