Em entrevista à Agência Brasil no mês passado, o presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), José Nascimento Júnior, declarou que ir ao museu pode parecer um programa chato e pouco atraente para muitas pessoas.
Uma reforma estrutural das instituições museológicas vem sendo discutida nos últimos tempos, não só no Brasil, mas em todo mundo, para tentar entender o papel dos museus no atual contexto. Buscando desvendar o tema com a ajuda de quem mais entende do assunto, o jornalista Luís Marcelo Mendes compilou no e-book Reprograme uma série de análises de especialistas de diferentes partes do mundo sob a perspectiva de três áreas: comunicação, branding e relacionamento.
Estão lá a americana Julia Hoffman, responsável pelas equipes de design e marketing do Museum of Modern Arts de Nova Iorque; a belga Régine Debatty, autora do blog we-make-money-not-art.com; e o brasileiro André Stolarski, coordenador de Comunicação da Fundação Bienal de São Paulo, entre muitos outros nomes de peso.
“Há dois anos pesquiso o tema. Ao longo do caminho fui percebendo como todas as boas discussões sobre museus que estão acontecendo no mundo passam por esses eixos”, afirma Mendes, que em 20 anos de carreira atuou junto a empresas públicas e privadas no desenvolvimento de projetos de comunicação e branding, mídias digitais, editoriais, exposições e ações promocionais. “A proposta (do livro) é contribuir para amadurecer o segmento. Provocar a discussão”, explica.
A íntegra da publicação já está disponível, em inglês, na internet. Mas, Mendes quer ir além. De acordo com ele, as discussões sobre o tema já estão acontecendo no exterior, mas ainda engatinham no Brasil. Para fortalecer o debate por aqui, o jornalista quer lançar uma versão em português do Reprograme contado com a mobilização coletiva.
A publicação elenca os mais atuais tópicos de debate sobre os caminhos da experiência do museu em relação ao público e ao espaço expositivo. Um dos pontos levantados pelo compilador é o tratamento, à margem do mercado, reservado às instituições. “Nos acostumamos a entender museus como catedrais sagradas”, declara. “Relacionamento e gestão de marca são chaves para a sustentabilidade de museus”.
Ele complementa a afirmação do presidente do Ibram com uma outra abordagem: “As pessoas amam museus. Brasileiros adoram museus. Pergunte ao diretor do MoMA ou do Museu do Louvre ou do V&A o quanto eles deixam nos caixas desses museus a cada ano”. “O que você deve perguntar é: os museus gostam das pessoas?”, provoca.
Para ele, a grande transformação nesssas instituições passa pela mudança do modo como as encaramos, afastando-as da sacralidade e aproximando da ideia de praças de troca. “Do diletantismo para a expansão de parâmetros”, explica.
O projeto está no ar pelo site de crowdfunding Catarse. Para apoiar a iniciativa, clique aqui.