A cadeia produtiva do setor cultural é formada por inúmeros agentes. Cada um desses agentes possui um papel distinto, complementar e fundamental na composição de um setor cultural rico e produtivo, que contribua para o desenvolvimento social e econômico do país.

Profissionais de Cultura: artistas, criadores, produtores, técnicos, profissionais das esferas pública e privada.

Organizações Culturais: centros culturais, fundações, organizações culturais públicas, privadas e do terceiro setor.

Investidores: empresários e profissionais de empresas envolvidos com o investimento em cultura.

Poder Público: órgãos do governo e os profissionais da gestão pública de cultura, responsáveis pela formulação e gestão de políticas culturais.

Imprensa: veículos de comunicação de conteúdo cultural, jornalistas e críticos do setor.

Academia: estudiosos do tema.

Público de cultura: todos que devem experimentar e vivenciar a cultura.

Promover a transformação da sociedade por meio da cultura significa encadear esforços de todos esses agentes de forma a permitir a consolidação de um mercado qualificado, capaz de produzir e consumir cultura.

O desenvolvimento social proporcionado pela ação cultural se dá de forma espiralar, ligando todos os elementos e aumentando a base estrutural que garante a consolidação do espírito crítico da sociedade. Este processo ocorre ao mesmo tempo em que se estrutura como um mercado capaz de fornecer insumos necessários, oferecendo base sólida à sociedade e proporcionando um crescimento cíclico em progressão geométrica, com a ampliação de sua base.

A cada novo círculo completado realiza-se o processo cultural e a cada novo círculo iniciado aumenta-se a potência de envolver um número cada vez maior de agentes na realização deste processo [para, num futuro desejado, poder alcançar o número total dos cidadãos de uma sociedade]. Igualmente, a espiral permite visualizar que o crescimento do setor, proporcionado pela inserção de mais um anel, deverá ser acompanhado pelo crescimento de todo o sistema.
Os grupos de agentes culturais, acima citados, compõem os processos que formam um ciclo de produção cultural.

A espiral cultural envolve a atuação dos diversos agentes culturais, acima mencionados, no encadeamento das seguintes atividades:

Ambiente: entorno social que favorece a interação entre os agentes culturais, propiciando as condições para o acesso.

Pesquisa: investigação de linguagem, conteúdo e abordagem.

Criação: idealização de processos, projetos e produtos, desenvolvimento de repertório.

Articulação: mobilização inicial, identificação das necessidades de produção, viabilização, difusão, ambiente e acesso.

Produção: preparo do produto, projeto ou processo para a experimentação e consumo, acesso.

Sustentabilidade: viabilização processo, projeto ou produto. Articulação entre sentido, financiamento e público.

Difusão: veiculação da presença do processo cultural ao público.

Acesso: oferta dos processos culturais.

Experiência: vivência dos processos culturais em sua plenitude – recebendo, refletindo, criando e atuando – o que propicia um ambiente favorável ao processo em que se desenvolve a espiral.

* Trecho do livro Mercado Cultural (2001)


Pesquisador cultural e empreendedor criativo. Criador do Cultura e Mercado e fundador do Cemec, é presidente do Instituto Pensarte. Autor dos livros O Poder da Cultura (Peirópolis, 2009) e Mercado Cultural (Escrituras, 2001), entre outros: www.brant.com.br

7Comentários

  • sandra helena pedroso, 3 de julho de 2010 @ 19:24 Reply

    Leonardo,

    Adorei a resenha. Vou disponibilizar no site da ABCR no Ning pode ser?

    Parabens.

    Sandra

  • Francisco, 5 de julho de 2010 @ 0:13 Reply

    Será que é preciso toda essa parafernália de ações para termos uma (pseudo)cultura institucionalizada por políticas ideológicas?

  • Heloisa Marinho, 6 de julho de 2010 @ 13:53 Reply

    Excelente artigo! Gostaria de receber periódicos do blog por e-mail! É possivel?

    Obrigada e parabéns pelo trabalho!

  • Roseli Biage, 6 de julho de 2010 @ 16:55 Reply

    Gostei do texto, reflete a conjuntura onde um projeto cultural se instala. Podemos encontrar a pré-produção (preparação), a produção (execução) e a pós-produção (finalização), além da difusão e outros processos. Isso é fundamental para que os projetos se materializem. Na última Conferência Estadual de Cultura, grande parte das propostas mencionavam capacitação de agentes e profissionais para formatação de projetos. A falta de informação sobre o processo e o fazer cultural reflete no escopo geral do projeto. Afinal, não seguimos com o projeto, o texto deve levar todas as informações necessárias e atividades evolutivas a elas relacionadas. Se autorizar, vou comentar em sala de aula com meus alunos de Gestão. Abraços, Roseli Biage

  • Tonhao, 6 de julho de 2010 @ 21:42 Reply

    Pragmático.
    Nao temos muitas opcoes além de sê-lo.
    O capitalismo produz a estrutura para todos os setores e cultura capitalista é o que temos a oferecer. A pergunta é:_Podemos desenvolvê-la de maneira justa e sustentável? A questao da sustentabilidade energética é aplicável à cultura? Tudo o que criamos
    é relevante? Lembro de uma amiga artista que dizia: _Nao crio nada, só copio. Chute-me.

  • Virginia Garcez, 7 de julho de 2010 @ 2:41 Reply

    Amei Ler a Bela sintese sobre espiral CULTURAL

    FOCO na Cultura de Paz primeiro programa que teve aprovacao PRONAC
    Programa Gente que faz a Paz – a 4 anos em acao na proposta de minimizar a violencia no Brasil com Cultura de Paz …
    veja nosso site
    Paz! virginia garcez

  • Cultura e Mercado | para quem vive de fazer cultura. » Negócios Culturais Sustentáveis, 20 de julho de 2010 @ 10:53 Reply

    […] Isso não significa que devamos abandonar a estratégia. Precisamos chegar a um termo de equilíbrio entre as técnicas de mercado, adaptando-as à lógica dos empreendimentos culturais, de trabalho colaborativo, em rede e de forma espiralar. […]

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