Tenho ouvido em alguns debates (sobretudo os promovidos e mediados pelo Ministério da Cultura) que como nunca antes na história deste país “a cultura finalmente ocupa um lugar estratégico”. Teríamos superado o tempos neoliberais, do cerceamento ideológico da ditadura militar, e construído uma política ampla, democrática, participativa, com orçamento e “presença do Estado”? Procuro aqui e acolá, analiso números, programas, estruturas, procedimentos, medologias, gestão, orçamento, e não consigo enxergar o tal grande salto da cultura, o inequívoco e incontestável avanço das políticas culturais.

Vejo sim, isso é incontestável, um novo discurso. Mais amplo, contemporâneo, avançado, mas também retórico, contraditório, incoerente, impreciso e disfuncional em relação às práticas culturais do país, para não dizer do próprio governo. Como deve ser, aliás, já dissemos várias vezes por aqui. O novo se choca sempre com as velhas estruturas.

Observo uma camada articulada da população contentar-se com o discurso, como se ele fosse a própria política (acostumada com pouco, ou quase nada…). Como se não precisasse haver nada além do discurso para resolver os problemas crônicos da política cultural brasileira: de infraestrutura, pesquisa, serviços públicos (direitos culturais), financiamento, mercado.

Basta dizer que o Estado é forte e num passe de mágicas ele se torna forte, mesmo sem dinheiro, sem gestão, sem programas e estrutura. Basta para isso: 1) investimento maciço em comunicação, exaltando os personagens por trás da boa ação, para sustentar o discurso na mídia, em blogs e redes patrocinados; 2) interlocutores de credibilidade, favorecidos por patrocínios diretos do governo, ou convidados para fazer parte deste ou daquele programa revolucionário, para dar o seu aval e garantir verosimilhança às frases de efeito forjadas no gabinete: modernização, democrático, republicano, contemporâneo, descentralizado…; 3) descredibilização (pertence a grupo tal, representa os interesses da elite), assédio moral e perseguição a todos que contrariam aquela verdade absoluta; 4) controle de todas as torneiras e modos de permitem escoamento de recursos ao mercado, garantindo seca aos incautos, loucos, rebeldes e suicidas que insistirem em uma “outra verdade”.

Goebells, o ministro da propaganda nazista, dizia que bastava repetir uma mentira para ela se tornar verdade. A grande mentira que estamos vivendo é de que temos uma política cultural avançada, democrática e participativa. E que deve ser continuada a qualquer custo.

Não penso, nem de longe, em jogar a criança fora, com água e tudo. Muito pelo contrário. O povo brasileiro quis continuar mudando. E para continuar mudando é preciso mudar, no mesmo rumo, com os mesmos propósitos, mas agregando capacidades novas, com novos interlocutores. E, principalmente, com diálogo.

Percebo uma vontade enorme do Partido dos Trabalhadores, eleito democraticamente, de participar desse processo. Vejo o PCdoB, com tantos talentos dedicados à causa, o PSB, o PMDB, grupos mobilizados em torno das artes, cultura digital, diversidade, mercado, gente com sede e vontade Política Cultural, de democracia, de conversa, de contrução coletiva.

E vejo também sede de poder, de querer fazer aquilo que não fez, porque não deu tempo. Não considero ilegítima essa vontade, mas o uso da máquina governamental para patrocinar e articular uma campanha pelo poder é acintoso e fora de propósito. Se houvesse um programa, pontos essenciais, metas, compromissos a cumprir, estaríamos lutando por algo concreto, verdadeiro, que valha a pena lutar. Mas trata-se apenas de uma luta pessoal, pelo poder…

Em entrevista concedida à Folha de S.Paulo, Gilberto Gil declarou que o projeto precisa continuar, mas não necessariamente a pessoa. Isso é fundamental, pois o projeto é bem intencionado, demonstrou avanços importantes e não é personalista. Se ele depende de uma única pessoa para continuar é porque está errado. Devemos confiar em Dilma Rousseff e na sua capacidade de decisão. Ela precisa estar livre para tomar decisões, cumprir seus compromissos políticos com partidos, grupos, pessoas de confiança. E, sobretudo, com a nação brasileira. O que não podemos abandonar é o rumo das coisas. Mas este parecer estar garantido, porque nós, que estamos aqui no dia-a-dia, queremos esse rumo, que nos pertence, pois fomos nós (todos) que fizemos.

A negociação ainda não chegou no Ministério da Cultura, um mero contrapeso nas cotas partidárias, pessoais, no puxa-empurra da composição política. Vemos alguns caciques desdenhando a pasta, considerando-a pequena demais, sem orçamento, cheia de conflitos, sem valor estratégico.

Nessa hora a verdade (não aquela construída, forjada, simulada, mas a real, cotidiana, crua, doída) grita em nossos ouvidos: a cultura é o cavalo do bandido!


Pesquisador cultural e empreendedor criativo. Criador do Cultura e Mercado e fundador do Cemec, é presidente do Instituto Pensarte. Autor dos livros O Poder da Cultura (Peirópolis, 2009) e Mercado Cultural (Escrituras, 2001), entre outros: www.brant.com.br

28Comentários

  • walter roberto malta, 17 de dezembro de 2010 @ 20:50 Reply

    um dia apareceu na minha casa, ainda lá na santo antonio, no ex singelo bairro do bexiga em são paulo, um mineiro cheio de visões trazendo um trem mineiro prá sampa. conversamos muito e cada um trilhou um caminho no fazer cultural… já há muito tempo percebi a importância desse rapaz de fala mansa e pensamento longo. hoje, outra vez (talvez a milésima), percebi a força do pensar, analisar e exprimir sensações que são de muitos e que muitos não conseguem expor com tanto poder de síntese e clareza… pena que na maioria dos que sonham, lutam e brigam pelo "pudê" a qualquer custo não leiam essas reflexões… e se lêem teem a nítida sensação que "a carapuça não me serve"…. obrigado Leonardo

  • gil lopes, 18 de dezembro de 2010 @ 0:20 Reply

    O que aconteceu e onde está a música brasileira? O que temos a dizer sobre o avanço avassalador da música estrangeira? Quando a bomba atômica caiu sobre a música brasileira e aniquilou sua capacidade de reprodução e distribuição criou-se a expectativa que o mercado de shows supriria a ausência da indústria do disco e sua parceria com o produto nacional. No entanto hoje já dá pra ver que o mercado de shows foi inteiramente dominado pelo produto estrangeiro. A música brasileira, vanguarda das artes e da cultura nacional está completamente batida e sem rumo.
    O protagonismo nas artes cênicas passou a ser do conteúdo estrangeiro representado por atores nacionais. Os musicais da Broadway ocuparam a cena nos grandes centros, com apoio da lei Rouanet que concede subsídio para o conteúdo importado. O que temos a dizer sobre isso? O que queremos e o que pretendemos nesta área da manifestação artística no Brasil?
    A literatura é dominada pelos títulos estrangeiros e na lei Rouanet o incentivo não é contemplado na totalidade, dificultando a presença de projetos no mercado com chances de patrocínio. O que queremos da Língua? Qual a política para a língua portuguesa que a coloque em protagonismo?
    O racismo no Brasil é assunto aparentemente superado mas a presença do negro brasileiro sobretudo nas artes ainda é residual e não corresponde ao seu papel na sociedade. O que pretendemos? Na televisão é inegável o avanço do produto estrangeiro, sobretudo nos seriados e nos canais fechados. Como vamos responder a isso?
    Se vamos apoiar a Ópera, se é por ai mesmo, então não pode ficar apenas num espasmo, ou é pra valer ou é o que? De repente aparece uma Ópera…e aí? Até pra quem for contra se manifestar, mas é preciso dar continuidade, ou não?
    E o que justifica a nomeação do Ministro da Cultura ficar para esse fim de linha? Chega a ser constrangedor, coloca-se uns contra os outros quando a questão da Cultura entre nós necessita antes de mais nada de união, de um projeto nacional que una o país. Por que esse ambiente de disputa política diante de um conseguimento tão tímido, vazio. Esperamos muito do governo Dilma, mas muito mesmo, e mais.

  • Caco Milano, 18 de dezembro de 2010 @ 10:05 Reply

    Valeu Leozinho, fico feliz em te conhecer e ver que o rapaz acima da média agora é um formador de opinião acima da média

  • Melina Fernández, 18 de dezembro de 2010 @ 11:42 Reply

    Acho importante reconhecer os avanços no tratamento às políticas culturais iniciado pela gestão de Gil. Ínumeras análises, não apenas dos "federais da cultura", tem sido feitas avaliando os enfrantamentos no sentido de tirar a pasta da cultura (ou mesmo em constituir uma pasta da cultura) do "papel decorativo" a que por muito tempo ficou relegada e de superar as três grandes tradições brasileras da "ausência, autoritarismo e instabilidade" de que fala Albino Rubim .
    Atribuir, entretanto, o mérito apenas ao virtuosismo deste governo é ignorar um movimento global dos novos atores sociais neste campo, da participção cada vez maior de organismos internacionais, do terceiro setor e da própria sociedade civil.
    Assim, é realmente de desconfiar, os exageros desse marketing político atual e de questionar ao movimento do "Fica, Juca" por que tanto temor de descontinuidade já que este governo tanto se gaba pela implantação de uma política de Estado – e não de governo – com os mecanismos do SNC e do PNC?

  • Maura Baiocchi, 18 de dezembro de 2010 @ 12:46 Reply

    que bom que existe um cérebro como seu leonardo. estimulante, abrangente.
    obrigada por refletir e instigar a reflexão nessa área tão necessária e tão esquecida.

  • Eduardo Antunes Neto, 18 de dezembro de 2010 @ 12:58 Reply

    A realidade é que às velhas "raposas" se juntaram novas, que por serem novas têm a ilusão que manipulam as velhas.

  • Renio Quintas, 18 de dezembro de 2010 @ 14:49 Reply

    Discordo Leonardo apesar de achar que estamos longe da perfeição que também não é apregoada pelo Juca. É uma construção e houveram avanços, sim, só com muita má vontade para se ver apenas discurso. É palpável e substancial a mudança na Rouanet e em alguns pontos até equivocada a de Direitos Autorais, mas ele teve coragem de mexer em assuntos-tabu que costumam trazer mais dor de cabeça que resultados práticos, mas temos votados o Plano Nacional de Cultura e a seu reboque o Sistema Nacional de Cultura os Pontos de Cultura funcionando, os editais do Procultura sendo usados pela comunidade, mas ainda é poucotodos sabemos. A marcha da Cultura avançou menos do que gostaríamos mas avançou com o Juca e sua equipe, isso é inquestionável. Ainda aposto no #FicaJuca exatamente pelo fato de, sem ~ele a Cultura virar uma moeda vil nos desarranjos partidários…Não merecemos!
    Abs muita Arte, muito Som Renio Quintas

  • Melina Fernández, 18 de dezembro de 2010 @ 16:57 Reply

    To gostando de ver tantos 'brasílias' no debate!! ; ))

  • chico simoes, 19 de dezembro de 2010 @ 11:46 Reply

    Leo, guardião dos princípios da boa oposição… "Partido dos Trabalhadores, PCdoB, PSB, PMDB," … No poder nenhum de nos estará isento das pertinentes críticas que vc faz… Como disse o mestre Lula, "…pra quem tá no governo 8 anos é pouco, pra oposição é uma eternidade…" Como vc diz, somos "gente com sede e vontade Política Cultural, de democracia, de conversa, de construção coletiva"… como Juca e sua turma também são… Somos gente retórica… Somos políticos do século passado e vamos "sempre matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem" blá. blá blá…
    O problema é que a cultura não é o "cavalo do bandido", é o cocô dele e só quem meter a mão nessa "merda fóssil", vai encontrar as sementes férteis do devir cultural.
    Espero que vc na nova gestão ocupe o cargo de secretário executivo…. a missão. E uma vez instalado no planalto central aprenda, como os baianos Gil e Juca aprenderam, que "o Brasil não é só litoral…" como disseram os mineiros… ou só neoliberal como pensam os provincianos paulistanos e outros bons mocinhos intelectuais. ai, ai, ai… Esta chegando a hora… Sai dessa Juca! Deixa ao Leo e aos Neos. Quem tem fé reza, quem não tem, faz um minuto de silêncio…
    Glauber Rocha (na cota de genero da Bahia?) pra Ministro in-memorian da Cultura!

  • Bernadette Lyra, 19 de dezembro de 2010 @ 16:15 Reply

    Salve! Salve! Leonardo. Raras vezes, em minha longa vida, tenho oportunidade de ver e sentir um talento tão vivo e instigador como o seu! Cada vez que leio seus textos penso que existe, sim, vida inteligente no planeta cultura. Bernadette Lyra.

  • Cleo Aguiar, 19 de dezembro de 2010 @ 17:45 Reply

    Valeu, Leonardo. Sua reflexão é bastante válida. Que houve avanço, ouve, mas é preciso avançar mais. Isso não é favor, é obrigação. Nós temos que sair dessa idéia miúda de que o que o governo fez , fez porque é bom ou porque foi melhor que o outro. Nada disso fez porque é obrigação, e foi pouco. É necessário que o dinheiro da cultura seja mais democratizado e não fique nas mão de alguns. Há que se discutir os pontos de cultura. Há que se discutir o emprego desse dinheiro. O dinheiro empregado é nosso, não pertence a esse ou aquele partido. É do povo brasileiro. Erro não se justifica, se conserta. Dinheiro há. Se não houvesse, não se aprovaria no Congresso Nacional, um aumento com efeito cascata nos estados e municípios, de mais de 130% para os cargos políticos de primeiro escalão. E nem precisou de discussão!… Foi rapidinho!… Nem precisou entrar na fila da pauta!… Uma VERGONHA para um país onde o salário mínimo é de R$ 510,00. Onde o presidente da república diz que a previdência não comporta um salário mínimo maior que R$ 530, 00, mas aprova essa pouca vergonha do congresso nacional. Na verdade, deveria era diminuir as regalias deles. O Ministério público deveria intervir nisso ai. Isso é um assalto aos cofres brasileiro. Uma afronta. O pior é que quem julga as leis também está sendo beneficiado. Pra onde correr? Nós vamos deixar isso desse jeito? Ninguém vai protestar? Cadê os sindicatos para chamar suas categorias às ruas?

  • Dayse Cunha, 20 de dezembro de 2010 @ 0:55 Reply

    Se for o Cavalo do Bandido, ótimo
    pois os Animais nunca enganam ninguém. Embora alguns idiotas tentem enganar outros tantos idiotas usando cavalo, cachorro, urubu e tudo mais que lhes seja possível usar para ostentar uma obtusa superioridade do artista. Enfim é isso – estamos frente a uma questão de mercado. Uma coisa é o artista que delapida a herança de família (Oswald, Lygia são apenas pequenos exemplos), para fazer Arte Pura. Outra coisa é o artista dos nossos dias, cujos avós já exauriram toda a sustentabilidade, deixando as nossas gerações na penúria e entregues a expertisse dos Empresários/Artistas – Enfim, por enquanto, quanto mais se mexe mais se desapruma.
    Não é crítica, porém 16 anos eu acho uma quase Ditadura – por melhores que sejam as intenções.
    Por fim, fica aqui minha sugestão de um cara pelo qual tenho grande admiração e reconheço sensibilidade e conhecimento: Alfredo Manevy.

  • Roberio Pitanga, 20 de dezembro de 2010 @ 6:42 Reply

    A cultura é tudo! Não é só lazer! É saúde, é educação, é financeiro, é tudo!
    São as peças culturais que nos fazem dialogar, e com isso nos comunicamos e fazemos crescer nossa sociedade, nossa civilização! Quando é que as pessoas vão entender que cultura é tudo! Pois sem ela, para que trabalhar? Somente para viver e comer? E o prazer? A alegria? A satisfação de ser diferente dos demais animais e assim pode trilhar nosso próprio destino? Destino medonho o que estamos vendo na volta da curva… E seguimos com esse debate, este discurso…
    Menos mal que têm gente que está ai buscando soluções (este blog), vendo de perto o que é e como é para mostrar aos demais como está sendo… Continuem, mas pensem, a cultura é tudo!!
    E cada povo têm a sua! O seu jeito de falar, de pensar, de expressar, de dançar, de caminhar…
    Aonde estamos indo com esses passos? 1%, 0,6%, 0000%??? A cultura têm que está associada ao superávit, ao 100%, junto com a saúde, segurança, educação… A cultura é como o exército! Sem ela o povo perde! E se ela fala outra língua (invasão estrangeira) o povo se desentende! E se ela é elitista ou sectária o povo se marginaliza! Cultura é tudo! E tudo está relacionado!
    É impossível pensar que um plano estratégico cultural possa ser interrompido, ou mudado, por calendário político! Mande quem mandar, precisamos respirar!!! Não respingar!! Valeu!

  • Jussara, 20 de dezembro de 2010 @ 7:59 Reply

    Beleza de reflexão Leonardo. Sempre bom encontrar tamanha lucidez…

  • jussilene santana, 20 de dezembro de 2010 @ 16:17 Reply

    No uol: "Dilma anuncia +5 ministros", tarde de segunda, 20 de dezembro:
    1. saude
    2. esportes
    3. igualdade racial
    4. desenvolvimento agrário
    5. desenvolvimento social
    + além do advogado geral da uniao.

    Os primeiros ministros anunciados, os três da equipe-econômica, o foram no dia 03 de novembro.

    Particularmente, gostaria de saber o orçamento destinado a cada um dos 24 ministérios.

  • raul ellwanger, 20 de dezembro de 2010 @ 17:47 Reply

    Ministério da Cultura há anos milita ____com Gilberto Gil e Juca Ferreira para debilitar o direito autoral musical. O motivo alegado é: dar acesso à cultura ao povo. Em todas as épocas, em todos os paises, o meio de conhecer as canções foi e segue sendo o radio e a tv, surgindo depois a ueb.Tem já uns 25 anos que a MPB vem sumindo de radio/tv no Brasil, o nome dos autores não é enunciado (quando é lei), o que toca é motorizado pelo pagamento secreto às emissoras (vide entrevista de 40 minutos (!!!) com a cantora Sandy no programa do Faustão). Preocupada com o acesso do povo à cultura, poderia esta gestão do MinC ter procurado reverter esta situação, baseada numa concessão pública. Extranhamente, dedica esforços, relises, seminários manejados, verbas, eventos, diárias, convites unilaterais, a debilitar o oficio de compositores através da baixataria. Com a clandestinização da musica brasileira na mídia eletronica, surge a degradação do mercado de trabalho de interpretes e músicos. E o MinC fica falando em “fortalecer a cadeia produtiva” …uau !!! __Raul Ellwanger, compositor.__

  • Melina Fernández, 21 de dezembro de 2010 @ 8:24 Reply

    NOTÍCIA DE ONTEM A NOITE NO GLOBO.COM

    "Ana Buarque de Holanda deverá ser confirmada ministra da Cultura
    Plantão | Publicada em 20/12/2010 às 19h01m
    Adriana Vasconcelos

    BRASÍLIA – De nada adiantou o pesado lobby do ministro Juca Ferreira para continuar no comando do Ministério da Cultura. Na falta de uma estrela do nipe do cantor e compositor Chico Buraque de Hollanda, como queria a presidente Dilma Rousseff, ele convidou para o lugar de Juca a irmã de Chico, Ana Hollanda.

    Sem chamar a atenção dos jornalistas que acompanhavam a movimentação do entra e sai no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), onde está funcionando o governo de transição, a presidente eleita recebeu na manhã desta segunda-feira Ana Buarque de Hollanda, irmã do cantor e compositor Chico Buarque e ex-presidente da Funarte.

    Durante o encontro, Dilma teria feito o convite para que Ana Buarque de Hollanda assuma o comando do Ministério da Cultura. A expectativa é de que a assessoria da presidente eleita divulgue ainda nesta segunda-feira uma nota confirmando não só a indicação da nova ministra da Cultura, como também de outros nomes da futura equipe. Entre eles o de Alexandre Padilha para a pasta da Saúde."

    Nome novo, sobrenome artístico, primeira ministrA como nunca antes da história desse país… resta saber o que realmente isso representa para a Pasta da Cultura.

  • Melina Fernández, 21 de dezembro de 2010 @ 8:35 Reply

    Opa! Cheguei atrasada com a noticia que ja tinha sido postada antes no CeM, claro!
    Já vi tb que o nome não é nada novo.
    Então, que venha Ana de Hollanda, continue o que é de continuar, aconteça o que é de acontecer!

  • Manno di Sousa, 21 de dezembro de 2010 @ 11:58 Reply

    Leonarodo, se você fosse convidado para ser o ministro da cultura, qual é o seu plano de cultura para os munícipios?

  • Mauro Moura, 21 de dezembro de 2010 @ 18:54 Reply

    Ei, mas esta foto daí é de um burro.

    No mais a nossa Cultura anda mesmo empobrecida por todos os maus tratos, divagações e desfaçatezes que fazem com ela.

  • RÔMULO DUQUE, 21 de dezembro de 2010 @ 19:44 Reply

    "Minha cara Amiga ANA , escrevo esta carta para lhe dizer que a coisa aqui tá preta" ……. MUITO PRETA.

  • Daniel Costa, 22 de dezembro de 2010 @ 17:07 Reply

    A maior dificuldade para o artista é conseguir apresentar seu trabalho e ganhar dinheiro com ele. Poderíamos justificar dizendo que oque falta é a produção de mais eventos artísticos e culturais, mas, seria mentira. De fato, ao abrirmos os jornais, ligarmos o televisor, rádio ou pesquisarmos na internet, observamos que existem muitos eventos deste tipo, pequenos, médios e de grande porte, sendo realizados pelo país, Estado e município; ao mesmo tempo há uma grande disparidade no tratamento dado, pelos organizadores, a “uns artistas” e “outros artistas”. As atenções, assim como boa parte dos cachês e estruturas oferecidas são destinadas aos “artistas consagrados”, enquanto uma parcela de artistas menos reconhecidos, batalhadores, que suam para fazer cultura e produzir arte, dispõe de espaço limitado e cachês simbólicos. Além disso, os artistas que circulam por estes eventos são corriqueiros, apesar da intensa produção artística no Brasil. Como se não bastasse, muitas vezes estes artistas “menores” não são respeitados como profissionais e acabam sujeitando-se a trabalhar de graça, por amor a arte. Esse é um panorama geral da situação, é claro que, para toda a regra há uma exceção, mas… é exceção.

  • Dayse Cunha, 24 de dezembro de 2010 @ 22:52 Reply

    Bacana, stou acando de ouvir Beatriz …
    Que seja super bem vinda a Ana Buarque – Uma mulher, Carioca ( pois q fomos demonizados esses tantos anos) e uma pessoa q tem a exata noção do Direito Autoral….
    VALEU – GALERA
    Dayse Cunha

  • Marcia Oliveira, 27 de dezembro de 2010 @ 13:32 Reply

    Acredito sinceramente que não existe mudança sem disposição e empenho daqueles que estão articulados com o fazer cultural. E este fazer cultural está na ação daquele que se dedica à cultura no seu dia a dia, seja ele um artista anônimo, um mestre ou um apreciador. Elas existem porque nós, os sobreviventes, lutamos por elas quando nos dispomos a não deixar morrer nossas raizes culturais ou quando formamos pessoas para o mercado cultural. Uma mudança não pertence a um partido ou governo.

  • Márcio Cubiak, 31 de dezembro de 2010 @ 6:01 Reply

    oi.
    negar avanços, resumi-los somente ao discurso, é análise de dor de cotovelo. o grande nó da gestão ficou com a Rouanet e sua dificuldade em se avançar. Dai você, um estudioso do tema, achar que Sistema Nacional/Estadual/Municipal, duas conferências nacionais, PEC 150, Plano Nacional de Cultura e outras que poderiam ser assinaladas como grandes avanços. O próprio aumento do orçamento da pasta. O relacionamento entre Ministério e outros entes públicos da federação. Bastante os exemplos.

    Tenho a impressão de que neste texto o Brant que aparece é o big player de mercado, louco de feliz que a nova ministra vá justamente congelar ad infinitum nova Rouanet e Direitos Autorais ou mesmo acatar o lobismo de coisa ruim como ECAD e outros cartéis de corrupção.

    Mas, além da miopia da análise, o que mais doeu foi ter aparecido um Goebbels no meio de tudo.

    • Leonardo Brant, 31 de dezembro de 2010 @ 11:15 Reply

      Marcio, não sou big player do mercado, mas confesso estar muito feliz com a indicação de Ana de Hollanda. Sou defensor/colaborador contumaz da gestão de Gilberto Gil. As Câmaras Setorias, o Sistema Nacional de Cultura, as Conferências, os Pontos de Cultura e tantas outras iniciativas foram de grande importância para o país.

      Mas não escondo minha insatisfação com a gestão do ministro Juca Ferreira, que vai tarde e deixa um legado complicado, de alteração e controle nessas instâncias de participação, além de brigas, malidicências, enfrentamentos desnecessários, desvalorização de setores e agentes importantes para o desenvolvimento da cultura no país.

      Sou a favor do projeto, apenas considero que a pessoa a liderá-lo não poderia ser o Juca Ferreira. Não acho também que ele seja "do mal". Apenas errou, como é próprio do ser humano. E espero poder errar aqui também, pois não atribuo a mim mesmo esse lugar, do infalível e definitivo.

      Abs, LB

  • gil lopes, 1 de janeiro de 2011 @ 16:40 Reply

    é inacreditável o que determinadas expressões significam e mais ainda a maneira com as vemos mencionadas, como por exemplo a lembrança ao nazismo ( que de resto foi um fenômeno europeu inteiramente aniquilado sobretudo ideologicamente). Houve alguma linha, alguma frase ou alguma intenção nazista nos termos do artigo? Não seria um excesso crítico atemorizante? Qual o sentido em invocar o nazismo? É um descuido que pode produzir efeitos desnecessários entre nós. Onde anda esse fantasma nazista? Nazista?…

    • Leonardo Brant, 1 de janeiro de 2011 @ 20:00 Reply

      Foucault dizia que o pior fascismo é aquele que mora dentro de nós. Evocar o fascismo alheio é uma maneira de demonstrar o nosso próprio. Abs, LB

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