Foto: Ro Qianesi

Passei o dia examinando o complexo universo do orçamento brasileiro. Considero-me um cidadão relativamente bem informado e percebo os avanços no processo de transparência pública. Sinto-me, no entanto, um tanto frustrado na tarefa que me impus esta semana. Tentar explicar como será o orçamento da cultura em 2010, que chegará, pela primeira vez na história ao patamar de 1% do orçamento federal. O mérito é todo de Juca Ferreira.

O Ministro fez barulho em 2009: incomodou seus colegas de governo, cutucou o Congresso, cobrou de todos a responsabilidade do Estado em relação à cultura. Seu principal feito, no entanto, foi alinhar-se politicamente com Dilma, mostrando que cultura pode ser útil no processo eleitoral.

Fez uma aposta arriscada, pois tudo o que é potencialmente forte do ponto de vista eleitoral, torna-se frágil programática e institucionalmente. Um bom exemplo disso é programa Cultura Viva. A partir do momento que foi engolido pelo Mais Cultura, perdeu sua força programática para tornar-se um mero programa de repasse de verbas em parceria com estados e munícipios, a ações culturais descentralizadas. Não sabemos para onde irá evoluir esta proposta, que é o grande cabo eleitoral da cultura na gestão Lula.

Até mesmo o processo de revogação da Lei Roaunet, ainda que eu o considere fraco e inadequado, não há como negar o impacto midiático da proposta. E a grande oportunidade política que ele gerou para o governo, vendendo esperança de dias melhores para a cultura de todo o país. Não há dúvida que essa esperança será levada em conta, sobretudo naqueles mares nunca antes navegados pelo sistema público de financiamento à cultura, na hora do voto.

O preço a pagar pela campanha política é grande, sobretudo com os setores estabelecidos do mercado cultural. O Ministro retornará de férias no final do mês, quando terá de encarar a crise do Procultura, apimentada com a demissão de Roberto Nascimento da secretaria do fomento, que cuida da gestão da Lei Rouanet.

O Procultura protocolado no Congresso é uma farsa. O projeto não foi liberado pela Casa Civil e deve sofrer mudanças. O prazo prometido para entrega da versão final é fevereiro. Mas nada disso será motivo de desânimo para o ministro, que vai tentar faturar, para si e para Dilma, os projetos e orçamento aprovados em 2009, sobretudo o Vale Cultura, que deverá ser regulamento ainda este ano.

2010 tem tudo para ser um grande ano para a cultura brasileira. Resta saber como será a ressaca deste ano. Disso dependerá o resultado das eleições, ainda incerto. À sociedade civil resta brigar por programas de governo avançados na área da cultura, buscando sobretudo a institucionalidade programática.


Pesquisador cultural e empreendedor criativo. Criador do Cultura e Mercado e fundador do Cemec, é presidente do Instituto Pensarte. Autor dos livros O Poder da Cultura (Peirópolis, 2009) e Mercado Cultural (Escrituras, 2001), entre outros: www.brant.com.br

25Comentários

  • roberto mj, 16 de janeiro de 2010 @ 11:11 Reply

    Olá Leonardo,

    gosto de ler suas críticas e visões sobre as mudanças de paradigmas no Ministério da Cultura(nunca antes realizadas por governos anteriores, diga-se de passagem), mas ás vezes me encomoda – no bom sentido – sua extremada crítica, praticamente contra o que se tem realizado neste governo Lula quando se fala em Cultura. Pois tb concordo que algumas coisas são mesmo questionáveis, mas nas entrelinhas de alguns de seus textos percebo um posicionamento quase partidário nas suas opiniões…

    talvez isso não seja tão claro e evidente, mas agora “atravessei as camadas” e registro aqui minha reflexão com vc através deste seu último texto.

    não entendo, ás vezes sua síntese das situações factuadas neste Brasil em Cultura (orçamentos, editias, lei de incentivo, etcs), pois para mim não fica clara sua intenção, pois óbvio que de alguma forma os textos são para esclarecer alguns fatos ou mesmo criticar para surgir reflexões e discussões, mas em outros momentos fico em dúvida se é isso mesmo ou apenas uma campanha….

    com todo respeito.
    atenciosamente,
    r.

  • Leonardo Brant, 16 de janeiro de 2010 @ 15:23 Reply

    Qual a motivação e a intenção das minhas críticas? Não sei responder. Já não sei mais porque escrevo neste espaço. Posso falar de meus impulsos iniciais. Vivo de cultura há aproximadamente 15 anos, às vezes como artista, às vezes como produtor, depois como consultor e pesquisador. Comecei a ter acesso a informações de grande valia para todos que compartilham do mesmo desafio, que é viver da própria arte.

    Isso pode parecer um movimento político-ideológico, mas não é. Partidário então, jamais. Sempre fiz política na vida, faz parte de mim, mas nunca fui filiado a nenhum partido.

    Nasci comunista. Guardo o fascínio pela socialização e a autocrítica dos erros cometidos pela esquerda em todo mundo. Luto com as minhas origens, tento ser um liberal de esquerda, que é uma expressão cunhada pelo Magabeira Unger.

    Liberal pois sinto que não podemos prescindir das liberdades culturais, além dos direitos. De esquerda, pois não consigo compactuar das atrocidades do sistema capitalista.

    Num mundo maniqueísta e manipulado, algumas críticas podem soar defesa dos próprios interesses. Queria poder dizer que sou um ser superior, que não estou movido pelo mundano e pelo que me afeta no âmbito privado. Mas, ao contrário disso, só sei do que me afeta. Tento me sentir na pele do outro o quanto posso, mas falo apenas de mim, o sinto e o que vejo.

    Meu ego aparece sempre em meus textos, são inúmeros os venenos relacionados a ele: arrogância, inveja, ciúme, raiva. Coisas que todos nós temos e que aparecem claramente nas minhas releituras e autoanálises.

    Não sou dono da verdade, nem representante do dono. Falo por mim. E dou espaço aos que discordam e concordam, pois adoro mudar de ideia. Ideia é algo que não gosto de vender, me causa constrangimento qdo tenho de fazê-lo. Gosto de dar de graça para poder receber em troca.

    Minhas palavras sobre Lula podem parecer pesadas, mas se vc reparar não existe uma atribuição de culpa a Lula. Vejo-o mais como vítima da própria situação em que ele se meteu. Mas não vejo maldade no seu coração.

    O mesmo pode se aplicar a Juca Ferreira. Eu o admiro muito como secretário executivo de Gil e me solidarizo com sua difícil tarefa de ministro. Quero arrancar o melhor de Juca, pois sei que ele pode dar. Às vezes escrevo coisas para desestabilizá-lo, é verdade. Faço de propósito. Sei que o Ministério da Cultura inteiro lê minha opiniões. Tenho muitos amigos ali. Alguns gestores, como o Alfredo Manevy, Celio Turino, Sergio Mamberti, Américo Córdula, entre outros, são detentores de profunda admiração minha.

    Mas o poder é um lugar difícil. Corrompe e destrói. Faço o meu papel de sociedade civil, de cidadão. Quero arrancar deste ministério o máximo que ele pode dar. Por isso critico, mas também sei elogiar, como fiz neste artigo.

    O orçamento da cultura de 2010 é um fato histórico. Mas este ano é de institucionalizar. Faz parte do jogo distribuir recursos com fins eleitoreiros. Mas tem que institucionalizar, senão tem muita coisa boa ali que vai acabar. Como me sinto copartícipe, coautor, junto como muitos outros agentes ativos da nossa política cultural, vou brigar para que isso não aconteça.

    Minha candidata a presidente, por enquanto, é Marina Silva. Talvez não seja se o atrelamento dela ao PSDB se viabilizar. Nunca votei e não votarei no Serra, mas também não voto na Dilma, de jeito nenhum.

    Não conheço os planos de Marina para cultura, sequer a conheço pessoalmente. Ou seja, não sou movido por interesses pessoais, nesse sentido de participação mais intrínseca nas esferas de poder. Já tentei fazer colaborações mais próximas do poder, mas já aprendi que a proximidade em determinadas funções atrapalha mais do que ajuda.

    Quero trabalhar para construir um plano de cultura para o Brasil. Talvez por isso esteja aqui. Não vejo isso como uma contribuição ou como algo que faço por indulgência ou caridade. É por cidadania, algo que estamos pouco acostumados e que a rede e as novas possibilidades de atuação no campo social me permitem fazer. E que é tão importante como comer, beber, fazer amor, dormir.

    Pois é companheiro, desculpe a resposta prolongada, mas a questão, que recebo com carinho, é realmente das mais difíceis.

    Um grande abraço, LB

  • Celso Fioravante, 16 de janeiro de 2010 @ 21:26 Reply

    Caros Leonardo e Roberto mj

    Boa noite!
    Realmente apreciei a maneira coerente como Roberto expôs suas dúvidas em relações às posturas do Leonardo.
    Gostei também da longa resposta de Leonardo, que, me parece,conseguiu se expor de maneira franca e convincente, como um verdadeiro ser humano e cidadão, e não como um político (no mal sentido da palavra).
    Parabéns a ambos.
    att
    celso fioravante

  • gil lopes, 17 de janeiro de 2010 @ 0:08 Reply

    Tem algum candidato preocupado com o desmonte da música no Brasil? Quais as novidades nacionais depois que o século virou? Podemos fazer elencos enormes dos anos 80, 90, mas e depois…padre e axé no supermercado…ah…tem a moça ali que brigou no aeroporto e toca na novela…tem a outra também com voz de menininha e que só canta em inglês…quem mais? o que reduziu e reduz a música brasileira? E o mercado da música? Foi para o fundo do quintal como querem alguns? Moedinhas pra eles nas esquinas? Não temos projetos industriais? Nem globais? Como está a exportação da música brasileira?
    Tem algum candidato preocupado com a digitalização da música brasileira? E com a roubalheira dos direitos autorais? Tem algum? Onde anda a classe média brasileira que perde seus empregos e nem se dá conta ainda? Ninguém observa o mar de importados no setor? É pra ser assim mesmo? O que dizem os candidatos? Internet livre levanta a galera…mas e as consequências disso?
    Alguém fala na Bomba Atômica que se abateu por aqui? Os investimentos simplesmente, acabaram.
    Os próximos serão os livros! E depois os filmes…e todo dinheiro investido irá pelo ralo…alguém tem dúvida?
    Ah…livro tem cheiro, não vai morrer nunca….alguém compra livros pra ficar cheirando-os?..e a língua? alguém preocupado? artigo 18 para a Literatura…A CLASSE MÉDIA ESTÁ DORMINDO, É PRECISO ACORDÁ-LA…É ELA QUE MUDA O BRASIL.

  • Dayse Cunha, 17 de janeiro de 2010 @ 2:13 Reply

    Dois bilhões para a Cultura?
    Espero que esse recurso afinal, contemple pequenos e médios produtores culturais e gestores socioculturais do eixo Rio São Paulo, porque afinal – chega de sermos julgados pelo país todo como os grandes devoradores dos recursos nacionais da Cultura, quando na verdade o pouco que recebemos, temos que dividir com o país inteiro, uma vez que a grande parte de nossa população se constitui de gente q vem de outros estados. Portanto o que nos beneficia, beneficia também a bahianos, cearenses,mineiros, nortistas e todos mais. Então stá ficando muito chata essa coisa de nos cobrarem pelo que não recebemos,e quando recebemos dividimos em forma de legítima inclusão cultural com o païs inteiro em nossa sala de visita.
    Aliäs está mais que na hora dos profissionais de cultura do Rio de Janeiro, junto com entidades sócio culturais locais se organizarem (desde que cada um respeite a importância do outro)para que finalmente possamos estar a frente ainda que tenhamos que criá-los, de Conselhos Estaduais e Municipais de Cultura que democratica e legitimamente nos representem, de modo que possamos devolver o nosso melhor ä sociedade nacional. Afinal de contas, tem muito dinheiro em jogo e não é possível que continuemos agonizando e aguardando que um milagre de paternalismo aconteça.
    Dayse Cunha

  • Zé Francisco, 17 de janeiro de 2010 @ 14:07 Reply

    Caro Leonardo,
    e leitores:

    solidarizo-me com sua resposta, sua inquietação! Considero-me um simpatizante das minorias, da “marginalidade”, excluídos… daí sempre meu flerte com ideologias e causas que promovem o Ser Humano, a Cidadania!
    Sou Ator, Arte-educador e Atleta “Lula” foi uma catarse coletiva, a Esperança, Alternativa, uma Luz às Trevas! Desde seu surgimento “messiânico” ao Planalto! É inegável sua capacidade de surpreender, ousar e revelar o porquê de sua importância! Bem Vinda, e auspicioso esse orçamento para CULTURA!
    EVOÉ!!!

    UM GENEROSO 2010!!

  • Marcos Andruchak, 17 de janeiro de 2010 @ 19:19 Reply

    Cara Deyse e centenas de outros leitores com o pensamento similar.
    Me chamo Andruchak, sou artista plástico muralista e trabalho com arte viajando todo o país. Comecei no Paraná, onde nasci, mas somente quando me mudei para São Paulo é que conquistei meu reconhecimento e pude levar minha arte para diversos outros países. O problema que se arrasta acerca da concentração dos recursos no eixo Rio São Paulo é muito mais profundo do que se possa imaginar. É quase que cultural. Se um mesmo produtor fizer a proposta de um projeto, tendo origem em São Paulo, terá muito mais força do que se efetuar a mesma proposta de qualquer outra região distante dali. E a capacidade dele será diferente por isso? Não! Mas uma grande maioria sente que se vem de São Paulo o projeto pode ser melhor. Isso fica claro quando você viaja para diversos estados e observa o comportamento dos produtores culturais, artistas e população em geral. Senti isso na pele. Para resolver a questão, todo mundo que quer realmente garantir sua proposta, acaba mudando-se para o Eixo a fim de executá-lo com maior sucesso. Aí está o impasse… no final das contas é na tão discutida região do país que se vê um maior número de grandes realizadores. Como então fazer uma distribuição igualitária para outros estados se proporcionalmente teremos um menor número de proposições de qualidade? Esse é o desafio do Ministério da Cultura. Fazer com que os grandes nomes se sintam apoioados e confortáveis em executar seus trabalhos diretamente de sua região de origem. Um dos objetivos da Caravana da Cidadania Cultural, iniciada pelo MinC, é justamente este. Mas não vai ser fácil, pois os grande canais de TV estão no Eixo e naturalmente dão visibilidade nacional para quem está à sua volta. Talvez o canal de TV do governo possa ajudar na solução, mas parece estar longe.
    Neste momento estou no Rio Grande do Norte e aqui tem muita gente com um potencial impressionante. E isso não é só aqui não. Recentemente, por ocasião do ENEARTE, acompanhei meus alunos e produzi 3 murais na Bahia, mais precisamente no campus da UFBA (Área do Centro de Esportes), e para mim ficou claro o grande potencial do país neste campo da arte e cultura. Ali se via alunos de todos os cantos do Brasil, mostrando excelelência em seus trabalhos, um claro reflexo do brilhante futuro para a arte e cultura brasileira. Neste sentido, concordo contigo em reinvidicar recursos para quem está iniciando, mas vamos começar a pensar em país ao invés de olharmos apenas uma ou outra região isolada. Precisamos de mais Leonardos Brands por aí, falando, cutucando, criticando, sugerindo, elogiando ações e sofrendo com as críticas ao seu ego, já que não tendo coisa melhor, é sempre uma boa vidraça a se jogar pedras. Eu sei, e muita gente que passar por aqui sabe o que é isso. Mas não temos que “DIVIDIR” com o Brasil inteiro os recurso e sim “SOMAR” a força de trabalho e desenvolvimento cultural. É isso que nos fará termos ainda mais orgulho de sermos Brasileiros. Não é uma questão política, mas esbarra nela o tempo todo e é aí que entra o papel de cidadão, citado por Leonardo e que deve ser, cada vez mais, uma preocupação de todos.

    _______________________
    Andruchak – Artista Plástico Muralista, Doutor pela ECA-USP, Professor e Vice-Chefe do Depto de Artes da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte)

  • Leonardo Brant, 17 de janeiro de 2010 @ 22:06 Reply

    Não custa lembrar que o governo já se comprometeu a aplicar R$ 4,7 bilhões no Mais Cultura, de 2007 a 2010. Não sabemos o quanto foi investido. Até o começo de 2009, quando eu ainda recebia informações oficiais, cortadas por não ser mais considerado uma voz “amiga” do MinC, o valor investido foi de apenas R$ 212 milhões.

    Ou seja, orçamento não significa dinheiro efetivo. É apenas um dado, um item de planilha.

    Abs, LB

  • João Jorge Baggio, 17 de janeiro de 2010 @ 22:33 Reply

    Excelente a resposta Leonardo.. gosto mt de seus textos. E estou sempre acompanhando, obrigado por compartilhar seu conhecimento, experiência e pontos de vista.. Me identifico e aprendo muito com seus textos quase sempre densos em conteúdo.

    Abração!

  • André Luiz Mazzaropi, 18 de janeiro de 2010 @ 8:45 Reply

    Prezado Leonardo

    2010 O Ano da Cultura.

    Com certesa 2010 é o ano da Cultura; Já havia dito aqui que o Ministro Juca Ferreira é o CARA (da Cultura) e que iria mudar definitivamente os rumos da Cultura no Brasil; dito e feito; se ele nada mais fizer já fez sua parte; botou a cultura pra dançar; ao discutir a famigerada lei Hoaunet; com certesa fez a sua parte; agora cabe a nós promotores e produtores da Cultura Brasileira debate-la com os parlamentares brasileiros, no Congresso Nacional, legitimo lugar desta debate, e faze los acabar de vez com a lei Hoaunet e mais do que altera modifica -la criar um novo mecanismo da lei que nos dê um Norte para que possamos entender o que é CULTURA, pois no Brasil CULTURA virou Sinonimo de tudo, se o cara toca sino é cultura, se o cara harpa é cultura; se o cara toca flauta não é; então o que é CULTURA

  • Júlio Coelho, 18 de janeiro de 2010 @ 9:29 Reply

    Ilmo. Gil Lopes, com certeza, você está mal informado!

    a. MÚSICA DO BRASIL – PROJETO SETORIAL INTEGRADO DE EXPORTAÇÃO DA MÚSICA DO BRASIL: sss://www.apexbrasil.com.br/portal_apex/publicacao/engine.wsp?tmp.area=64&tmp.texto=3880

    b. COMISSÃO APROVA ISENÇÃO DE IMPOSTOS PARA CDS E DVDS.

    Fonte: Agência Câmara

    O parlamentares da Comissão Especial de Fonogramas e Videogramas Musicais aprovaram na tarde de quarta-feira (5) o parecer do relator José Otávio Germano (PP-RS).

    A comissão analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 98/07, do deputado Otavio Leite (PSDB-RJ), que isenta de impostos a produção de CDs e DVDs nacionais. O relator recomendou a aprovação da proposta.

    Amazonas

    Por acordo com a bancada do Amazonas, houve alteração no texto para que as fábricas de CDs e DVs da Zona Franca de Manaus continuem com a imunidade tributária.

    O deputado Marcelo Serafim (PSB-AM), que liderava a bancada, disse que mesmo com a alteração, a bancada votou contra, porque a proposta continua colocando em risco os empregos em Manaus e não combate a pirataria. Na opinião do parlamentar, o projeto vai levar a fiscalização da Receita Federal a se concentrar em outros produtos, como cigarros.

    Já o deputado Otávio Leite assinalou que o PL permitirá que os CDs e DVDs produzidos no Brasil tenham uma redação de até 25% nos preços para o consumidor.

    A bancada do Amazonas prometeu que continuará tentando reverter o texto que ainda será analisado em dois turnos pelo Plenário.

    ”A CLASSE MÉDIA ESTÁ DORMINDO, É PRECISO ACORDÁ-LA…É ELA QUE MUDA O BRASIL.” Mon Die!

  • Hilton Assunção, 18 de janeiro de 2010 @ 11:26 Reply

    Senhores, fico chateado com a tentativa de manipulação política e tentativas de engessar o governo Lula, rotulando os bons feitos do atual governo como mera propaganda política. Os governos anteriores nunca tiveram política cultural, rara excessão ao Sarney (justiça seja feita)que criou a lei de incentivo com renúncia fiscal (Lei Sarney), na tentativa de melhorar os recursos da cultura, dando aos artistas e e produtores a oportunidade de viabilizar seus projetos, sendo eles próprios (artistas e produtores) os gerentes das verbas federais. Lembram?
    Algumas pessoas acham que o estado não pode gerenciar determinadas áreas ou não tem que se meter onda dá dinheiro. O estado só tem que dar dinheiro! Criar infra estrutura para meia dúzia de ricos ficarem mais ricos!
    Porque o ser humano (no mundo inteiro, vide a América do Norte) quer sempre levar vantagem, e o brasileiro tem um grande talento para tais eventos, houve algumas distorções e mau uso de dinheiro público em alguns projetos, no início. Essa foi uma das desculpas para extinguir a lei no governo Collor. Ao invés de criar mecanismos de saneamento da corrupção se faz a opção burra ou mau intencionada de extinguir um mecanismo, a meu ver de grande importância para o fomento da nossa cultura como um todo (muitos prédios históricos foram restaurados usando renúncia fiscal). Na realidade, foi uma vingança contra a classe artística que votou em massa em Lula. Quem não consegue enxergar a mudança na movimentação cultural para melhor com a renúncia fiscal em favor da cultura com certeza está com os olhos voltados para seu próprio umbigo. Todos temos direito de discordar de critérios de aprovação adotados por alguns patrocinadores, principalmente se nossos projetos não foram abrilhantados.
    Como músico digo que a nossa crise (mercado de trabalho para o músico) passa por várias questões. Como exemplo, cito o fato dos empresários da área de restaurantes terem observado que música ao vivo não alterava o fluxo de seu público. E com o emburrecimento musical da classe média através da veiculação de material sonoro de duvidosa qualidade por parte dos veículos de comunicação, a música ao vivo passou a atrapalhar esse tipo de negócio, onde muitas das vezes os clientes que querem é comer e conversar (a maioria), pedem para diminuir a música, em um claro gesto de desagrado, mostrando que melhor seria se ela (a música) não estivesse acontecendo alí. Isto quer dizer que a música está atrapalhando a conversa. Outro fato é a soma cobrada pelo ECAD que desestimula os empresários de restaurantes e hotéis contratar música ao vivo. Nas apresentações musicais na TV a maioria dos artistas usa “play back” como acompanhamento para não pagar cachet aos músicos (mas tem que pagar o “jabá” para os programas). Outras questões que estão inviabilizando o trabalho do músico no Brasil encheriam um compêndio!
    Sobre o que escreveu o Julio Coelho, devo dizer que, quem ganha e sempre ganhou dinheiro com a venda de discos foram e são: as fábricas e as grandes gravadoras. Ao artista solista e aos músicas envolvidos nos projetos sobra uma remuneração mínima. Em grandes produções ganham também (e muito bem) programas de rádio e televisão. Quero dizer que a redução de impostos citada pelo Julio Coelho beneficia industriais, grandes gravadoras e veículos de comunicação. Quem tem poder para mudar essa situação? A meu ver ninguem!
    Quem pode alterar e/ou melhorar, diversificar a grade de programação das emissoras de TV no Brasil? Quem tem interesse em ampliar as opções qualitativas na televisão aberta e fechada? Qualquer tentativa neste sentido tem sido (pelos veículos de comunicação) considerado volta da censura. A televisão no seu início pagava cachet ao artista por suas apresentações. Hoje as gravadoras pagam os programas de TV para divulgar seus artistas. Não existe mais o destaque desse ou daquele artista por simples mérito de qualidade. Virou negócio, e um negócio manipulador e excludente.
    Estamos mais uma vez em processo de aperfeiçoamento de um sistema que não é perfeito (lei Sarney Rouanet) mas que tem desempenhado importante papel no Brasil. A proposta de extinguir a lei de incentivo cultural tem em mim um forte embatedor contrário a tal idéia.

  • Carlos Henrique Machado, 18 de janeiro de 2010 @ 14:21 Reply

    Pelo que vejo, não bastasse a virulenta campanha do PSDB/DEM/MIDIA durante todo o governo lula, os ecos do desesperado “EU TENHO MEDO” de Regina Duarte ainda ecoam no coração da estratégia especulativa da oposição.
    Imagino que alguém de juizo que viu Dilma Rousseff na arena dos leões da mídia chapa branca, o PSDB no Roda Viva, do Markum/Serra, deve avisar que, quando lá esteve, ainda como Ministra das Minas e Energia, ela simplesmente deu um show, de tal modo que bastou uma perguntazinha virulenta para ela ocupar um bloco inteiro detonando todo aquele circo armado. Mudos e sem graça, os capangas serristas da mídia ficaram com cara de fuínha. Ou seja, nunca é tarde dizer aos afoitos, Dilma não é nenhuma amadora. E, se esse pé mole quiser entrar na dividida com ela, será jogado com bola e tudo pra dentro do gol.

  • gil lopes, 18 de janeiro de 2010 @ 16:38 Reply

    salve Julio, tanta informação e a gente tão mal informado..são os novos tempos, os novos tempos..
    mas por favor, lei de CD e DVD? Francamente…qualquer dia uma lei para o vinil também, para alguns a solução…como seria andar a cavalo na falta do petróleo…
    Não Júlio, Cd e DVD são residuais nos nosso tempos, novos tempos. A música hoje viaja pelo digital, nos computadores do mundo inteiro e o IPOD é um dos veículos. O comércio da música acontece pela Internet, e a música brasileira não está digitalizada, no Brasil não se comercia música pela Internet, só se “baixa” de grátis…
    Não temos mais economia na Música, acabaram os investimentos, o emprego, até o jabá para os que sofriam tanto com ele, acabou…de velho…não é preciso mais, rádio é pra outra coisa. Acabaram as lojas…comprar CD? DVD? Pra que? quem compra? ah…o pessoal que compra no supermercado, ficamos com isso, o disco do padre e o do axé…a lei vai ser boa pra ees.
    Em resumo, ficamos pra tras, não temos projeto…temos que pensar nisso e decidir avançar, logo.
    Vamos nos informar Júlio, o que garantiu a pujança da nossa música no mundo foi o imenso mercado que tivemos e que nos sustentava, dali saía a nossa força. Nossa mercado simplesmente ACABOU…numa canetada…o avanço tecnológico é como uma Bomba Atômica…temos que ter resposta a isso, e rápido.

  • Valmira Daltro, 19 de janeiro de 2010 @ 0:05 Reply

    Amigos,

    A impressão que tenho aqui na Bahia é que a cultura se resume ao entretenimento.
    Engraçado que vemos tantos artistas baianos, criando obras maravilhosas, músicos e cantores valorosos, dançarinas natas e produtores capazes, em evidência na imprensa, mas fazendo a arte acontecer fora.
    Aqui está muito difícil… A arte educação acontece nas escolas com valores distorcidos, um passa tempo. Quando converso com educadores de arte, a maioria não concorda com a minha visão, acham que estão fazendo algo. É ver para crer.
    Aqui a verdadeira arte pouco acontece ou se acontece, só a classe alta, ver.
    Jogaram nossos artistas (subversivo) no ministério e hoje eles tentam melhorar a cultura brasileira, mas esqueceram a Bahia.

    Quem mora fora não tem noção do caos cultural que acontece stá em Salvador. Nosso povo mais desvavorecido não tem direito a verdadeira cultura. Eles só têm direito a comprar dvds de axé por R$ 3,00.

    Minha intenção aqui é provocar e não ser determinista de uma opinião, Até porque não é minha área de conhecimento, sou apenas uma curiosa.

    Valmira Daltro
    Professora

  • silvana, 19 de janeiro de 2010 @ 11:31 Reply

    quero colocar uma questão pratica vem cds da fábrica sem o cujo dentro , e ai problema da senhora !
    e o rélis 5% prometido pra cultura ¡

  • Chris, 19 de janeiro de 2010 @ 13:32 Reply

    Boa tarde Leonardo, boa tarde pessoas,
    Leonardo lendo teu artigo que foi publicado inclusive no blog do Fórum Cultural de Florianópolis, de onde também faço parte, além de ser produtora cultural, e atuar em produção, execução, formatação e legislação desde 1994 em Sampa. Aqui em SC, vivo em Florianópolis há 8 anos, vivemos frustrantes momentos com a cultura e por estar atuando há 2 anos na cultura daqui tenho ido a Brasília bastante, e tenho participado de seminários e a das discussões sobre as novas propostas culturais do país. Achei importante colocar um pouco o histórico pois por atuar na prática das ações culturais, vejo muita propaganda e pouca ação e objetivos claros e específicos de fato. Claro que devemos achar fantástico o fato de hoje discutirmos nas conferências, seminários, oficinas propostas pelo MinC, mas vejo também uma busca incessante de informações e de dados que são usados puramemte para cumprir “protocolo” e dar os “devidos encaminhamentos”, termos muitos usados na instituição cultural no DF.
    Vou relacionar por tópicos, alguns problemas de gestão, para não embaralhar mais os processos que são bem complexos:
    1)2ª Conferência de Cultura
    a)Primeiramente foram feitas as Municipais, Estaduais e preparo das “diretrizes estaduais” e definição dos delegados (representantes eleitos nas reuniões), para representação em Brasília em março deste.
    b) Pré conferências por segmentos artísticos (janeiro e fevereiro/10), sinceramente não entendo o trâmite. Primeiro se definem as diretrizes Estaduais junto aos segmentos artísticos, produtores e trabalhadores da cultura e depois se fazem as pré conferências segmantadas, novamente. Não seria lógico primeiro levantar os dados culturais de fato pelos segmentos de cada local e depois discutir as práticas de cada local com seus problemas e e propostas, para se criar as tais diretrizes ???

    2)Plano Nacional de Cultura & SNPC [Sistema Nacional de Políticas Culturais]
    a) Conforme apresentado na 1ª conf. de cultura em 2005, foram definidas diretrizes e ações para a melhoria da cultura no país e começaram as discussões sobre a mudança da lei rouanet;
    b)A maioria da equipe que tirou da gaveta a PNC e o SNPC foi substituída, saiu, se demitiu, foi demitido ou recolocado em outros cargos e ministérios. Ou seja não há uma política pública de fato e sim indicação política e jogo de interesses.
    c) A tal pesquisa MUNIC, realizada em 2005 e publicada em 2006. O MinC se vangloria citando que foi a primeira pesquisa de dados culturais no país realizada pelo IBGE, porém o IBGE não realizada pesquisas qualitativas somente quantitativas, aí lançam em 2009 publicação, “Cultura em Números”, com dados de 2003, 2005 e 2006, achando satisfatório e mais ainda, eles citam “produtes da cultura” csendo estes os gestores públicos, sendo que estes não produzem projetos, não criam projetos e não fazem a intermediação entre artistas e meios de execução, e sim são os responsáveis pela burocracia, pelo conhecimento de como chegar lá, fato aqui pelo Sul bem carente, pois não existe nem legislação e nem práticas habituais, tudo dança conforme a banda de interesses políticos, capacitação nem pensar.
    d) Repasse de verba para os estados para viabilização de projetos culturais, visando a descentralização, como cita a colega acima, todo mundo culpa RJ e SP por ter mais projetos aprovados…. eu defendo, por já ter morado em trabalhado em SP e RJ, reconheço que as políticas culturais praticadas e busca dos produtores em se unir, discutir, organizar ações e apresentar propostas são muito mais fortes, além de uma necessidade mercadológica da cultura quanto produto e produto de qualidade.Voltando aos valores da cultura, aqui foram criados vários editais com propaganda e manchestes de valores R$6 milhões investido…Aí vc é contemplado ganha o tal prêmio, a planilha que já é apertada, pois cada segmento vem com os devidos limites de patrocínio, vem cortado na aprovação, na manchete diz: Quando na assinatura do contrato será pago a 1ª parcela, no edital não dizia, nem mediante cronograma de desembolso, nem que seria em tantas parcelas, pois bem, o dinheiro vem em partes e sem data definida, existem projetos que em 2 anos não puderam ser executados pois falta de repasse. Entre essas e outras, ficamos sabendo que dos R$ 6 milhões, foram repassados R$ 3,5 e dos 289 que seriam realizados, se tornaram 160, devido a custos não previstos em assessoria de imprensa e consultores… E por aí vai.
    Sineramente considero boas as intenções, mas se já sabemos alguns “Xisis” da questão porque não objetivarmos ações e bases para junção destes dados e deixamos para mapear quando sim delineado o planejamento e o reconhecimento de cada estado e de cada instituição ??
    Considero que da forma que está sendo feito, muito dinheiro está sendo desperdiçado, muita propaganda e manchete que pode ser utilizada como campanha eleitoral e nós produtores, gestores, animadores e toda a massa de cultura que não é reconhecida continua fantasma. Cito aqui parte de uma carta encamihada e lida ao Ministro Juca Ferreira, que vem participar das “premiações” e ignora as manifestações culturais que pedem ações mais pontuais e menos subjetivas:
    Excelentíssimo Senhor Ministro,
    Em nível nacional, a Cultura vive um grande momento. Um cenário otimista e tendente a melhorias, após a aprovação pelo Senado Federal da PEC 150/2003, com investimentos na Cultura deflagrando uma nova fase no Brasil. A criação de editais por áreas, além do incentivo fiscal, irá praticamente triplicar os investimentos direto em toda esfera nacional.Poderíamos enumerar as diversas conquistas e realizações promovidas pelo Ministério da Cultura, especialmente a partir de 2002. Porém, diante das muitas aflições e angústias vivenciadas em Santa Catarina, vamos entrar diretamente no assunto. A experiência estadual já demonstrou que não têm condições de funcionar com um mínimo de competência. Secretarias multimarcas que enfiam num saco só turismo, esporte e cultura (geralmente nesta ordem de importância), áreas tão distintas entre si, com problemas e necessidades muito específicas. Imagine-se, por exemplo, como protestarão os homens e mulheres do turismo e do esporte se tal órgão for entregue, para administrá-lo, a um poeta, a um pintor ou a um bailarino. Todas as recíprocas são verdadeiras.
    Em todo o Brasil, verifica-se um caminho inverso em relação à cultura e ao turismo, uma vez que a vinculação de uma ao outro trouxe prejuízos ao desempenho de ambos, especialmente à cultura, um setor naturalmente dissociado da indústria e do comércio, diferentemente do turismo, que encontra aí seu desenvolvimento orgânico.
    A inexistência de uma política pública séria configura um pretenso Sistema Catarinense de Cultura, com o seu Funcultural irregularmente gestado, levando o pleno do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina, em 13 de maio de 2009, a apontar uma série de irregularidades praticadas pela Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte. Entre elas, destacamos: inexistência de um roteiro de formação dos Projetos de Turismo, Cultura e Esporte; ausência de procedimento único de tramitação, análise e apreciação dos projetos; tramitação diferenciada para projetos da cota do Governador, Secretaria, Conselho Estadual de Cultura e Fundação Catarinense de Cultura; influências políticas na seleção de projetos; não aplicação de critérios estabelecidos na legislação; atos administrativos não fundamentados; inexistência de controle sobre o procedimento de seleção; ausência de verificação da adequação dos valores propostos aos preços de mercado; centralização administrativa na Chefia do Executivo; não adoção de critérios objetivos para apreciação de projetos; ausência de implementação dos mecanismos de fiscalização previstos em Decreto Estadual; falhas graves na regulamentação das prestações de contas; e ausência de regulamentação das contrapartidas;
    Por tudo isso, após levarmos ao Vosso conhecimento este quadro local caótico – mesmo cientes de que estão fora de sua governabilidade – nós, homens e mulheres da Cultura, produtores que trabalham e empreendem neste estado da federação, a partir do Fórum Cultural de Florianópolis, signatário do presente documento, vimos respeitosamente solicitar que Vossa Excelência atenda às seguintes questões, estas sim, pertencentes ao domínio do MinC
    “Nós somos o que se chama de “produtores culturais”, gente empenhada em criar, produzir, distribuir e consumir bens culturais. Somos artistas plásticos, artistas populares, atores, músicos, bailarinos, diretores e escritores, mas também arquitetos museólogos, arquivistas, bibliotecários, filósofos e historiadores, e ainda cenógrafos, maestros, arqueólogos, especialistas em patrimônio e técnicos de cinema, audiovisual, teatro, gestores e animadores culturais. Somos tantos e tão variados que o BNDES diz de nós que “as atividades culturais constituem atualmente um dos setores mais dinâmicos da economia mundial, com impactos significativos e crescentes sobre a geração de renda e emprego e sobre a formação do capital humano das sociedades”.
    Sr. Ministro, geramos emprego e renda, pois o que fazemos não é diletantismo, não se sustenta como mero passatempo, como fugaz ocupação para as horas de ócio. Somos profissionais, o que embute, além da extrema qualidade, o conceito de dinheiro e muita dedicação em nossa atividade.
    (…)
    Para não me alongar mais, até agora nada, nenhuma resposta, sem falar na lei rouanet e nos sistemas de informação que estão no papel desde 2003 e até agora nada só mapeamento, ou seja vai ficar tudo pro próximo governo, e existem grandes chances de tudo isso ir por água abaixo, pois simplesmente podem mudar os rumos as diretrizes da cultura conforme as novas políticas aprovadas, mesmo o PNC tendo 10 anos de validade, os interesses e o jogo de cadeiras é o que realmente manda.

    Eis nós na corda bamba, mas como grandes guerreiros, me acolho em leonardos que divulgam suas impressões e lutam por uma causa justa sem partido político, pela cidadânia.

    Abraços

  • roberto mj, 19 de janeiro de 2010 @ 13:39 Reply

    Olá Leonardo,

    gostei de sua resposta e poderia também me colocar nesse papel que vc fala e na verdade “temos” que fazer para contribuir de alguma forma no pensamento crítico sobre essas ações do ministério da cultura e a produção artística em geral.

    Pois é isso, eles estão lá nesse posto e com certeza precisam da crítica mesmo para refletir melhor sobre seus atos, claro que há muita coisa que passa despercebida nesse contexto, mas gostei de sua sinceridade em se colocar com meu comentário.

    Quando falo que tb me vejo nesse papel, tento na medida do possível contribuir com minha posição na formação das Camaras/Colegiados Setoriais (faço/fiz parte do CS das Artes Visuais nesses últimos 4 anos) e me identifiquei muito quando vc fala que “adora mudar de idéia”, pois justamente é isso, estamos num meio que há uma profusão de opiniões e dependendo da argumentação as coisas acabam perdendo ou ganhando sentido… e é esse valor que nos diferencia de “outros perfis”::::::::: assumir as diferenças e os possiveis fracassos.

    <>

    é isso ai obrigado pela atenção tb a Celso Fioravante.
    seguimos…

    um abraço,
    r.

  • Paulo Pélico, 20 de janeiro de 2010 @ 10:21 Reply

    Caro Brant, não quero bancar o desmancha prazer mas recomendo um pouco de caldo de galinha e cautela no entusiasmo em relação a estes R$ 2,2 bilhões para a cultura. Queria recordar que todo início de ano comemora-se um novo recorde orçamentário para a produção cultural previsto na LDO para depois por volta de abril ser anunciada uma tesourada também recorde. Lembremos que o ano passado o contingenciamento para a cultura foi de 73% e ainda não dispomos dos dados consolidados para comparar quanto deste percentual foi liberado ou mantido. É bom não esquecer que no Brasil o orçamento é autorizativo. Ou seja, quem de fato manda é a área financeira, o legislativo participa da aprovação da LDO que é uma peça de ficção científica.

    No ano retrasado não foi diferente. Também a previsão recorde foi substituída pelo contingenciamento também recorde. De recorde em recorde terminamos com pouco dinheiro na cultura nos últimos três anos. Prova disso foi a escassez de editais neste período. A área financeira do governo custuma liberar a maior parte do contigenciamento em dezembro e apesar da correria nunca há tempo para se gastar a verba. O Ministério informa que foi utilizado todos os recursos empenhados. É mais um truque retórico. Dinheiro empenhado não é igual ao dinheiro previsto no orçamento. Mas quem se importa? Ficou o dito pelo não dito e se obtém um excelente superávit primário que é precioso para as contas públicas, mas não vamos chatear o distinto público com tecnicalidades.

    Na verdade esse padrão vem desde 2005, basta uma pesquisa rápida na mídia para constatar. Claro que em 2010 poderá ser diferente. Trata-se de um ano eleitoral em que tudo pode acontecer, inclusive nada. Recomendo mantermos guardardo os fogos pelo menos até abril para conferirmos o que o Ministro Guido Mântega reserva para a cultura. Este de fato tem poder.

    Grande abraço.

    Paulo Pélico.

  • Leonardo Brant, 20 de janeiro de 2010 @ 10:56 Reply

    Você tem toda razão Paulo. O que comemorei aqui foi o número na planilha, que está muito mais bonito que no passado. Mas é bom deixar bem claro que isso é apenas um dado na planilha, como escrevi pouco antes do seu comentário, que nos esclarece com mais detalhes o funcionamento do processo em Brasilia.

    O MinC está sempre entre os piores executores do orçamento. O caso do Mais Cultura, por exemplo, é vergonhoso…

    Abs, LB

  • André Luiz Cardoso, 20 de janeiro de 2010 @ 15:53 Reply

    Boa tarde! Sou funcionário público, professor e atuo na área musical na secretaria de cultura de minha cidade. O prefeito é do PT e tem implantado algumas melhorias superficiais na cidade, incentivando bastante os eventos artísticos (que alguns dizem ser apenas “pão e circo” para o povo…rs…)Estou envolvido em projetos culturais que dependem da decisão política do secretário de cultura e do prefeito e por vezes me sinto totalmente perdido nestes emaranhados de leis e conchavos politicos, ainda mais agora que teremos uma nova eleição para presidente e governador. Lendo teus artigos, comecei a compreender melhor sobre estes assuntos relacionados à Cultura e percebo cada vez mais um isolamento entre os poderes públicos, que priorizam outras áreas e vêem a cultura apenas como entretenimento para a massa. Espero poder contribuir com mudanças neste aspecto, em minha cidade, mas não tenho a ilusão que isso vá ocorrer em 4 anos de mandato do prefeito petista. Deixo claro que não pertenço a nenhum partido, mas votei na pessoa do presidente e tento fazer a minha parte, dar minha contribuição para que a cultura seja vista de modo mais amplo nesta cidade, como quer o nosso ministro Juca…

  • Márcio Braz, 21 de janeiro de 2010 @ 1:09 Reply

    Leonardo,

    Sempre gostei das suas opiniões e a coerência com que escreves. De fato, acho que a Lei Rouanet e a picaretagem que estava acontecendo por lá, dando vantagens há baianos….

    De resto, queria saber da tua opinião a respeito do PNC? Será que vinga?

    abs

  • Dayse Cunha, 21 de janeiro de 2010 @ 16:18 Reply

    Prezado Andruchak
    Concordo integralmente quanto aos méritos do programa Mais Cultura, considero inclusive o Mais Cultura a mais corajosa e democrática das ações de políticas públicas voltadas para a inclusão sociocultural, que se implementou no país em toda a história recente da república.
    Concordo integralmente em fomento cultural no Brasil de maneira eqüanime,
    o que não concordo é com a opinião estreita e maniqueísta de alguns produtores culturais de que o eixo Rio/São Paulo deva ser excluído de tais fomentos, sob qualquer tipo de alegação.
    Dayse Cunha
    Rio de Janeiro
    CIDADE (para orgulho do Brasil)CULTURAL E OLÍMPICA.

  • Dani Torres, 22 de janeiro de 2010 @ 11:16 Reply

    Leo, sua resposta foi das mais belas e sinceras que já li aqui. Por isso não resisti a comentar, elogiando.
    No mais da discussão, minha preocupação está mais em coro com Paulo Pélico… Acho que a grande questão é USAR esta verba toda e COMO. É sabido que na maioria das vezes o MinC não utiliza toda a sua verba prevista para o ano. Se já é considerado pouco, porque não se consegue gastar? A coisa emperra na burocracia ou na falta de competência e pessoal para aplicar os recursos?
    E, a pergunta que não é novidade aqui no CeM pois já foi discutida em outras ocasiões: como aplicar estes recursos? Em que áreas da cultura? Quem seleciona; baseado em que critérios? O que é mais urgente? Como distribuir estes recursos igualitariamente neste país de dimensões continentais e ampla diversidade cultural???????
    Acho que estas dúvidas são os nossos focos de problemas. Talvez mais do que a questão da verba. Mais importante que ter o $ é saber usar o $, conseguir usar bem.
    Respondê-las seria A solução, com maiúscula mesmo!
    Bjs, Dani

  • Maria Luiza de Paiva Diniz, 4 de fevereiro de 2010 @ 12:27 Reply

    Oi Leonardo,

    Sabemos que se recebemos benefícios somos tentados a mudar a lente com que enxergamos os fatos. E Logo agora, toda essa preocupação com a cultura? Artistas são formadores de público e de opiniões. E aí? por medo de perder os benefícios vamos nos calar e nos cegar, e nos emburrecer?

    Também não sou partidária no sentido político, mas sou partidária da clareza das intenções, da isenção nos favorecimentos, do reconhecimento do valor de um projeto ou de uma proposta mesmo quando ela é apresentada por um opositor, mesmo que isso prejudique minha porposta pessoal… enfim sou uma sonhadora e acredito em fadas.
    Acredito em voce, Leonardo Brandt

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