Acabo de concluir a leitura do autobiografia do Lobão “50 anos a mil” com participação de Cláudio Tognolli. Confesso que comecei a leitura imaginando estar diante de uma biografia escrita pelo Tognolli, e não é isso. Trata-se de sensacional história, muito bem escrita pelo próprio protagonista músico multi instrumentista, apresentador de televisão, compositor, filósofo, ativista e, dentre vários outros atributos, agora escritor de primeira linha.
Tognolli fica com a parte documental que entremeia os capítulos saborosamente escritos pelo Lobão. E os textos documentais são ótimos para se fixar a história no tempo. Além da história narrada e da parte jornalística o livro traz excelentes depoimentos de amigos que confirmam fatos e, cheios de carinho, contam passagens da vida ao lado de Lobão. Destaque para o texto de Maria Juçá, ativista produtora carioca e da Elza Soares, que apresenta My Lupus (como ela gosta de chamar o Lobão) de um jeito incrivelmente carinhoso.
Confesso que sempre fui fã do Lobão, pelo que acompanhei de sua história e pelo seu trabalho. Os discos tenho praticamente todos (compartilhado com amigos de colégio e faculdade), um mega show na Usp acho que um ano antes de eu entrar na universidade e completamente lotado e muita história das polêmicas que ele provocava. Ele foi a voz e teve a coragem de expressar o que muitos pensamos; nunca teve medo da polêmica e foi ousado em todos os momentos da sua vida. A ele nosso muito obrigado.
Conheci-o a cerca de um ou dois anos apresentado pelo Tognolli; da convivência ainda que recente posso afirmar se tratar de pessoa admirável e de um caráter a toda prova. Explico: ele me procurou como advogado para tratar de uso de incentivos fiscais junto com sua esposa e empresária Regina. Da conversa ele procurava uma forma de fortalecer a cena musical brasileira pois tinha possibilidades concretas de conseguir um patrocinio via Lei Rouanet. O mais natural e humano seria ele aproveitar a oportunidade para si mesmo… mas incrivelmente ele pensava diferente.
Dali pra frente seguimos falando e fazendo coisas juntos. Recebi de presente dele a apresentação de aniversário de 2 anos do Melograno, bar que sou parte desde a fundação. E que show! Os funcionários do bar, sócios, amigos que estavam presentes nunca vão se esquecer do carinho com que ele deu esse presente. E o Melograno ainda ganhou um ilustre cliente. Mal sabe ele o quanto isso foi importante para mim e para todos.Após conhece-lo, e isso nem sempre acontece quando se conhece uma pessoa um pouco mais nas suas fragilidades e fortalezas, fiquei mais fã ainda da figura humana por trás desse eterno jovem.
No último mês me dediquei a leitura de seu livro. Demorei um pouco para ler pois queria degustar cada página. E que fluência! As 591 páginas soam deliciosamente como ele contando na sombra da árvore a sua própria história; e que história! Arrisco dizer, após o deleite de seus escritos, que hoje sou ainda mais fã do João Luís. Recomendo as pessoas que comprem e leiam o livro, pois vale a pena fortemente!
Fabio de Sá Cesnik é Advogado sócio do escritório Cesnik, Quintino e Salinas Advogados. Autor do livro “Guia de Incentivo à Cultura” e co-autor dos livros “Globalização da Cultura” e “Projetos Culturais”.
Serviço:
Lobão com Claudio Tognolli. 50 anos a mil. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2010.
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