Estive quarta-feira na edição paulista dos “Diálogos Culturais”, evento organizado pelo Ministério da Cultura para legitimar a presença de Juca Ferreira como novo líder da pasta. Em pouco mais de uma hora de discurso o ministro conseguiu convencer a platéia, formada por artistas e gestores públicos e privados do setor, que aplaudiu de pé as propostas do MinC em relação à Lei Rouanet. Ao final das questões, muitas delas ainda sem resposta, o ator Antonio Abujamra, depois de explicar que participa dessas discussões há anos sem ver qualquer resultados concreto, perguntou ao ministro: você ainda tem esperança?

Embora, assim como Abujamra, não nutra esperanças pelas propostas pelo ministro, me surpreendi com a sua performance. À vontade em seu novo cargo, Juca é eloqüente e inspira confiança. Isso tudo é necessário para a governança.

Nas conversas de corredor com os que atuam no mercado, sobretudo os que têm uma interlocução mais presente com o setor empresarial, senti o seguinte:

– O ministro joga para a platéia. Seu discurso agrada a maioria do setor, que não tem acesso às leis e execra a participação nefasta do meio empresarial na área da cultura.

– As mudanças não saem neste mandato. É uma discussão para se deixar para o outro governo. Não passa de cenoura de abano.

– Nesse ganha-tempo tentará ampliar verbas diretas e diminuir o impacto das leis na atividade cultural.


Pesquisador cultural e empreendedor criativo. Criador do Cultura e Mercado e fundador do Cemec, é presidente do Instituto Pensarte. Autor dos livros O Poder da Cultura (Peirópolis, 2009) e Mercado Cultural (Escrituras, 2001), entre outros: www.brant.com.br

2Comentários

  • Lorena Campos, 14 de novembro de 2008 @ 15:07 Reply

    Acho que você tem razão. O sorriso de monalisa faz jogo de cena e continuará inaugurando promessas até o seu último dia no cargo. Ultimamente, o ministro vinagre tem tentado alargar o sorriso porque tudo o que é escrito neste blog é levado até ele pelos seus meninos, e como futuro candidato a uma vaga na Câmara dos deputados procura esconder os sinais que lhe entregam o espírito. Apesar de ser um político pequeno, sem expressão nem mesmo local, não deixa de ser um político.
    Mas contra fatos tão nítidos não há discurso que sobreviva. Infelizmente, o orçamento do MinC deve encolher em 2009 por causa da crise do subprime e da inoperância de Juca, cujo nome mesmo o Presidente Lula costuma se esquecer. Infelizmente, algumas mudanças tão necessárias e anunciadas não passam de canto da sereia de um desesperado para continuar ministro. Lula já não o quer a frente do Ministério da Cultura. Todo o planalto já começa a comentar isso. O presidente aguarda apenas a reforma no governo para aposentar Juca. Depois que sair, em uma semana nem mesmo os funcionários do MinC se lembrarão do ministro vinagre, e muito menos de suas ladainhas para o público externo. O mais difícil será reconhecer e desalojar toda a turma dele, a começar pelo Juca do Juca. Uma questão de tempo, pouco tempo.

  • solange, 18 de novembro de 2008 @ 10:10 Reply

    Lorena…esse é o seu nome, mesmo?
    Bom, para variar, de novo você escancara seu ranço golpista, covarde! Que interesses ocultos você defende, hein?
    Você não tem cara, não tem olhos, só tem um cheiro insuportável de enxofre que chega a atravessar a rede. Dá vontade de vomitar!
    ARGHHHH!!!!!!!!!!!!

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