Estive quarta-feira na edição paulista dos “Diálogos Culturais”, evento organizado pelo Ministério da Cultura para legitimar a presença de Juca Ferreira como novo líder da pasta. Em pouco mais de uma hora de discurso o ministro conseguiu convencer a platéia, formada por artistas e gestores públicos e privados do setor, que aplaudiu de pé as propostas do MinC em relação à Lei Rouanet. Ao final das questões, muitas delas ainda sem resposta, o ator Antonio Abujamra, depois de explicar que participa dessas discussões há anos sem ver qualquer resultados concreto, perguntou ao ministro: você ainda tem esperança?
Embora, assim como Abujamra, não nutra esperanças pelas propostas pelo ministro, me surpreendi com a sua performance. À vontade em seu novo cargo, Juca é eloqüente e inspira confiança. Isso tudo é necessário para a governança.
Nas conversas de corredor com os que atuam no mercado, sobretudo os que têm uma interlocução mais presente com o setor empresarial, senti o seguinte:
– O ministro joga para a platéia. Seu discurso agrada a maioria do setor, que não tem acesso às leis e execra a participação nefasta do meio empresarial na área da cultura.
– As mudanças não saem neste mandato. É uma discussão para se deixar para o outro governo. Não passa de cenoura de abano.
– Nesse ganha-tempo tentará ampliar verbas diretas e diminuir o impacto das leis na atividade cultural.
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