Desde sua primeira edição em 2005, o Festival Araribóia Rock foi se consolidando como uma vitrine da produção musical independente da cidade de Niterói e região, no Rio de Janeiro, e uma amostra de para onde o mercado da música caminha de forma geral. O festival que acontece anualmente, reunindo diversas bandas, é tão importante para a cena local que marcou a data de realização, 4 de dezembro, como o Dia Municipal do Rock.
Na verdade, o trabalho da equipe vai além do evento. O Araribóia Rock na verdade é um coletivo que desenvolve propostas para abrir espaço para novos músicos, como explicou Pedro de Luna, realizador do evento, à reportagem do Cultura e Mercado. “Trabalhamos em parceria com outros coletivos e realizamos uma reunião aberta mensal para traçar coletivamente os rumos e as prioridades do grupo”, informa. A intenção é reverter o cenário de escassez de locais destinado a shows de bandas independentes na cidade e a falta de financiamento para empreendedores culturais.
Para a edição que acontece neste ano, o coletivo realizou uma pesquisa com o enunciado “O que mais desejam as bandas de rock de Niterói e São Gonçalo em 2012?”. Podiam ser assinaladas mais de uma resposta, mas o resultado foi unânime para a alternativa “fazer shows”. Em seguida, vieram as opções “gravar áudio”, “comprar instrumento/equipamento”, “fazer cursos”, “gravar clipe” e “abrir um negócio”.
Pensando na profissionalização dos músicos em outras áreas que não a sua arte, o Araribóia pretende realizar neste ano uma série de oficinas de formação. De acordo com Caio Branco, diretor de Projetos da Algazarra Cultura e Entretenimento, empresa responsável pela realização dos workshops, a escolha dos temas foi feita com base na demanda dos próprios músicos envolvidos com o Coletivo ArariboiaRock. Para ministrar as oficinas, o festival convocou profissionais bastante envolvidos com o mercado da música.
O workshop “Approach/Como vender seu show”, será liderado por Bel Kurtz, da Baze Produções, empresária de artistas como Moraes Moreira e Davi Moraes e produtora do festival Back2Black. Álvaro Nascimento, que foi coordenador de Produção Artística do festival Lollapalooza, falará sobre produção executiva de grandes eventos.
Além deles, também haverá uma oficina de gestão profissional de carreiras artísticas, com Ivan Cavilha, gestor de Varejo da Absurda MKT ; Ricardo Graça, da RME Comunicação, vai ensinar como produzir um videoclipe com baixo custo; e a equipe da Algazarra Cultura e Entretenimento, ministrará o workshop “Formatação de Projetos Culturais”.
Para que as oficinas sejam realizadas, no entanto, é necessário que o projeto seja financiado por meio da plataforma de crowdfunding Movere – uma forma encontrada pela organização para reafirmar o interesse pelos temas. Com quantias que vão de R$ 10 a R$ 6.200, qualquer um pode colaborar com a realização dos workshops. “Creio que esse seja um movimento nacional [do artista multitarefas], estamos vendo isso com o empreendedorismo e o impacto dessa economia na nossa sociedade. A esse fato também deve-se creditar que esses artistas buscam fazer uso da sua arte, também como sua forma de sustento profissional e pessoal”, conclui Caio sobre o assunto.
O Festival Araribóia Rock também estão com inscrições abertas para bandas. Clique aqui para saber mais.