A guerra em torno da sucessão ministerial, que se dava até esta semana por movimentações de bastidores, ganhou a opinião pública com artigo publicado pelo jornal Folha de S.Paulo, por Luiz Carlos Barreto, intitulado “Nem fica nem sai Juca”. Em resposta, entidades do cinema alinhadas ao governo, assinam texto coletivo defendendo os caminhos da atual gestão.

Como a discussão é de extrema importância para os rumos da política cultural nos próximos anos, resolvi deixar a íntegra do texto do Barretão, seguida da Carta “Aberta à Nação Brasileira”, assinada por diversas entidades do cinema.

Minhas considerações deixarei no campo de comentários, logo abaixo:

++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

Nem fica nem sai Juca

A questão em debate na sucessão do ministro é ver quem quer e tem competência para liderar e implementar uma nova política cultural

A questão da escolha do ministro da Cultura virou uma campanha eleitoral, espécie de terceiro turno -eventos públicos, almoços, jantares, manifestos, tuítes, blogs, Facebook, entrevistas em jornais, TVs etc. etc., uma pressão injustificável, criando um clima constrangedor e artificial para a simples nomeação de um ministro de Estado.

Todo esse movimento de apoio orquestrado não conta com a participação da classe artística e de empresários das indústrias culturais, que estariam mais interessados na discussão de um ministério para o século 21, visando inserir o Brasil no grande fluxo das indústrias criativas, do que nessa medíocre e fisiológica questão de nomes.

Queremos no governo Dilma um Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas antenado com o Brasil que Lula transformou em país do presente, e não mais do futuro.

Um ministério que preserve e alimente fontes da cultura popular, artesanato, tradições culinárias, festas, folguedos e folias populares, e também voltado para a produção de bens artísticos e culturais de forma planejada e sistêmica, que leve a indústria cultural à autossustentabilidade. O vale-cultura é um mecanismo decisivo para que essa meta possa ser atingida.

A ideia do vale-cultura surgiu no meio da comunidade artística, sendo logo adotada com grande entusiasmo pelo ministro Gil e pelo presidente Lula, que logo a transformou em projeto de lei, mas que até hoje rola em comissões no Senado Federal, dado o pouco empenho da assessoria parlamentar do Ministério da Cultura.

O vale-cultura é a real democratização do processo cultural, uma vez que destina parte da renúncia fiscal para as mãos da população, que terá a livre escolha de ver um filme, peça de teatro, show, comprar um livro, CD ou DVD, além dos jornais e revistas que preferir.

Subsidiando o consumo, vamos criar um mercado de bens artísticos e culturais para fruição da população, sobretudo de baixa renda, até hoje excluída do direito fundamental à informação, ao conhecimento e ao entretenimento.
O Ministério da Cultura dos séculos 19 e 20 a que me referi anteriormente mantém o vício e a regra perversa de que a produção cultural não pode ser autônoma, tendo sempre que ficar dependente de mecanismos clientelistas mantidos pelo Estado-provedor, em vez do Estado-indutor.

Outros fatos recentes comprovam que a intenção dos atuais dirigentes do MinC é, cada vez mais, eliminar os mecanismos automáticos de financiamento à produção.

O pouco ou nenhum interesse explicitado em reunião recente do Conselho Superior de Cinema pelo ministro Juca Ferreira com relação à renovação do artigo 1º da Lei do Audiovisual, projeto de lei de autoria do senador Francisco Dornelles, é emblemático, ao alegar restrições da Receita Federal, cujo papel sempre foi e sempre será de evitar sangrias na receita da União.

Mas sempre contamos com ministros da Cultura que souberam defender a importância da renúncia fiscal para a cultura, que até hoje é inferior à concedida aos free shops dos aeroportos.

Outra lei está para ser enviada ao Congresso, ou já se encontra no Congresso, e serve para corroborar a voracidade do MinC em concentrar recursos em suas gavetas para financiar ou subsidiar a produção cultural. É o projeto de lei de reforma da Lei Rouanet que, grosso modo, trata de confiscar a renúncia fiscal concedida às empresas, que passarão, em certos casos, a devolver até 50% dela para o Fundo Nacional de Cultura.

A questão em debate, portanto, não deve se restringir ao fica ou não fica. É ver quem quer e tem competência para liderar e implementar uma nova política cultural, abrangendo do Brasil do zabumba ao Brasil da fibra ótica.

LUIZ CARLOS BARRETO, 82, é produtor cinematográfico. Produziu, entre outros filmes, “Lula, o Filho do Brasil”, “Dona Flor e seus Dois Maridos” e “O que É Isso, Companheiro?”.

++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++++

Carta Aberta à Nação Brasileira

As entidades e pessoas abaixo assinadas, representativas da diversidade do audiovisual brasileiro independente e com capilaridade em todo o território nacional, vêm a público manifestar sua discordância em relação a matérias publicadas nos últimos dias na grande imprensa brasileira a titulo de análise das políticas executadas pela atual administração do Ministério da Cultura para o setor audiovisual.

Como pano de fundo das referidas matérias, encontramos a anacrônica divisão entre cinema comercial e cinema cultural, um debate superado pelo menos há uma década e que levou as indústrias culturais a serem utilizadas como moeda de troca nas negociações da Organização Mundial do Comércio. O mundo inteiro, à exceção de dois países, rejeitou liminarmente essa visão ao retirar a cultura do âmbito da OMC e colocá-la sob a chancela da Convenção da UNESCO que hoje promove e protege a diversidade das expressões culturais.

O Brasil foi um dos países mais influentes na campanha pela aprovação da referida Convenção, ocorrida em 2005, que hoje se constitui num compromisso internacional das nações de todos os continentes, inclusive o nosso. Coerente com essa visão abrangente da cultura, e, portanto do audiovisual, as duas últimas administrações do Ministério da Cultura atuaram no sentido de promover e fomentar a diversidade de nossas manifestações culturais. O resultado dessa iniciativa foi que o audiovisual brasileiro é hoje uma atividade que se faz presente em todas as unidades da federação, com a multiplicação de núcleos de criação, produção e difusão, devolvendo assim ao cinema e ao audiovisual a sua dimensão cidadã, como expressão de um povo, e superando a concepção mercadológica que vê no homem apenas um consumidor.

A estrutura mercantil do cinema elitizou-se numa estreita faixa do nosso território e atinge menos de 10% da população, submetidos a uma oferta que só inclui filmes brasileiros por força de uma cota de tela estabelecida por lei. Ao mesmo tempo, e como efeito das políticas de descentralização de recursos e de regionalização da produção de conteúdos, a maioria da sociedade, especialmente a que vive nas periferias das grandes cidades e no interior do país, volta a ter contato com nossos filmes e com nossa cultura graças à proliferação dos pontos de cultura e de exibição, dos cineclubes, dos festivais e mostras e inúmeras outras iniciativas.

As forças que hoje se manifestam contra essa democrática orientação, com o objetivo indisfarçado de influenciar a escolha do próximo titular do Ministério da Cultura por parte do governo recém eleito, são as mesmas que impediram a aprovação da criação da ANCINAV, protelaram as discussões sobre a Lei Geral das Comunicações, arquivaram a Lei de regionalização das programações de televisão e procuram descaracterizar o PLC 116/2010 em tudo o que ele tem de defesa do conteúdo nacional. São enfim as mesmas forças que vêem na universalização da banda larga uma ameaça e não um instrumento da evolução social.

Por todas essas razões, vimos manifestar nosso repúdio a tais manifestações e nossa certeza de que o Ministério da Cultura continuará atuando para que a cultura que seja cada vez mais a expressão de um povo e não de minorias e para que a sociedade seja a protagonista de sua história e não apenas uma massa consumidora de conteúdos que não lhe dizem respeito.

Assinam:
CBDC – Coalizão Brasileira pela Diversidade Cultural
CBC – Congresso Brasileiro de Cinema
UNINFRA – União Nacional da Infraestrutura Cinematográfica
SINDCINE – Sindicato dos Trabalhadores na Industria Cinematográfica Audiovisual dos Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins e Distrito Federal
ABPA – Associação Brasileira dos Produtores Audiovisuais
APRO – Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais
APROCINE – Associação dos Produtores e Realizadores de Longas Metragens de Brasília
APROECE – Associação das Empresas e Produtores de Cinema do Ceará
APCNN – Associação dos Produtores de Cinema do Norte e Nordeste
APIJOR – Associação Brasileira da Propriedade Intelectual dos Jornalistas
ABDn – Associação Brasileira de Documentaristas
CNC – Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros
FICC – Federação Internacional de Cineclubes
FÓRUM DOS FESTIVAIS
CPCB – Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro
FUNDACINE – Fundação de Cinema Rio Grande do Sul
SATED MG – Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão do Estado de Minas Gerais
ABDeC ES – Associação Capixaba de Documentaristas e Curtametragistas
APTC / ABD RS – Associação Profissional de Técnicos Cinematográficos do Rio Grande do Sul
ABD MG – Associação Curta Minas
ABD / APECI – Associação Brasileira de Documentaristas – Seção Pernambuco e Associação Pernambucana de Cineastas
ABDeC PA – Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas – Seção PA
ABD MA – Associação Brasileira de Documentaristas – Seção Maranhão
ABCV DF – Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo
ABCV BA – Associação Baiana de Cinema e Vídeo – Seção Bahia
ACCV – Associação Cearense de Cinema e Vídeo
AMV / ABD MT – Associação dos Profissionais de Cinema e outras Tecnologias Audiovisuais de Mato Grosso
ABDeC AP – Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas – Amapá
ACV MS – Associação de Cinema e Vídeo do Mato Grosso do Sul
FPC – Federação de Cineclubes do Estado de São Paulo
ASCINE RJ – Associação de Cineclubes do Rio de Janeiro
UCB – União de Cineclubes da Bahia
FEPEC – Federação Pernambucana de Cineclubes
ASCINES – Associação de Cineclubes do Espírito Santo
FECIRS – Federação de Cineclubes do Rio Grande do Sul
PARACINE – Federação Paraense de Cineclubes
ACVV – Associação de Cineclubes de Vila Velha (ES)
FAIA – Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual
CINE CEARÁ
JORNADA INTERNACIONAL DE CINEMA DA BAHIA
SMVC – SANTA MARIA VÍDEO E CINEMA
TV Cidade Livre – Canal Comunitário de Rio Claro

Pessoas Físicas
Geraldo Moraes, cineasta (BA)
Rosemberg Cariry, cineasta (CE)
Guido Araújo, cineasta (BA)
Vladimir Carvalho, cineasta (DF)
Manfredo Caldas, cineasta (DF)
Orlando Bonfim Neto, cineasta (ES)
Lula Oliveira, cineasta (BA)
Solange Lima, produtora (BA)
Antonio Claudino de Jesus, cineasta e presidente da FICC (ES)
Edna Fujii, presidente da UNINFRA (SP)
João Baptista Pimentel Neto, jornalista e produtor cultural (SP)
Jorge Moreno, produtor (MG)
Wolney Oliveira, cineasta (SP)
Marcio Cury, cineasta e produtor (DF)
Cícero Aragon, produtor (RS)
Magdalena Rodrigues, atriz (MG)
Guigo Pádua, documentarista (MG)
Pedro Pablo Lazzarine, fotógrafo (SP)
Paulo Cannabrava Filho, jornalista e escritor (SP)
Cesar Cavalcanti, cineasta e produtor (SC)
Carla Osório, jornalista e documentarista (ES)
Maria Clara Fernandez, produtora (SP)
Carlos Brandão, pesquisador e crítico (RJ)
Mirna Brandão, pesquisadora (RJ)
João Paulo Furtado, documentarista (MA)
Saskia Sá, documentarista (ES)
Petrus Cariry, cineasta (CE)
André Luiz de Oliveira, cineasta (DF)
Dani Franco, documentarista (PA)
Cynthia Falcão, documentarista (PE)
Carol Araujo, documentarista (MT)
Jaime Lerner, documentarista (RS)
Daniela Fernandes, jornalista (MG)
Antonio Leal, produtor cultural (RJ)
Luis Alberto Cassol, cineasta (RS)
Francisco Weyl, cineclubista (PA)
Flávio Machado, cineclubista (RJ)
Cândido Alberto da Fonseca, documentarista (MS)
Ana Vidigal, documentarista (AP)
Marcio Moraes, diretor de animação (DF)
Guto Pasko, cineasta (PR)
Mateus Damasceno, documentarista (BA)
Roberto Sabóia, documentarista (PI)
Duarte Dias, documentarista (CE)
Maria de Fátima Guimarães, documentarista (PI)
Calebe Pimentel, cineclubista e documentarista (SP)
Luiz Cavalari, jornalista (SP)
Nikole Kubli, artista plática e produtora cultural (SP)
Gilvan Dockhorn, professor Universitário e cineclubista (RS)
Lauro Monteiro, artista plástico e cineclubista (RJ)
Mariza Teixeira, cineclubista (ES)
Gleciara Ramos, cineclubista (BA)
Nelson Marques, pesquisador e cineclubista (RN)
Carolline Vieira, cineclubista e produtora cultural (CE)
Simone Norberto, jornalista e cineclubista (RO)
Télsio Brezolin, gestor cultural (RS)
Gê Carvalho, cineclubista (PE)
David Alexandriski, cineclubista e gestor cultural (RJ)
Jorge Conceição, professor universitário e cineclubista (BA)
Isidoro Cruz Neto, professor universitário e cineclubista (MA)
Gyzele Cesconetto, cineclubista (SC)
Bruno Cabús, biólogo e cineclubista (ES)
Arthur Leandro, cineclubista (PA)
Juliana Machado, cineclubista (AC)
Lourenço Favari, cineclubista (SP)
Daniela Teixeira, cineclubista (ES)
Renata de Oliveira Ramos, professora e cineclubista (MG)
Valdecir Marques, cineclubista (SP)
Reno Luiz Camonari Filho, cineclubista (SC)
Helen Maria Pzaros, cineclubista (PR)


Pesquisador cultural e empreendedor criativo. Criador do Cultura e Mercado e fundador do Cemec, é presidente do Instituto Pensarte. Autor dos livros O Poder da Cultura (Peirópolis, 2009) e Mercado Cultural (Escrituras, 2001), entre outros: www.brant.com.br

38Comentários

  • Leonardo Brant, 11 de dezembro de 2010 @ 14:54 Reply

    Há informações inconsistentes nos dois textos: 1. Barreto afirma que 50% do volume arrecado será aplicado no Fundo. Isso não está no texto do Procultura. É um equívoco de leitura; 2. O texto das entidades diz que a Convenção tirou a cultura da OMC. Isso está longe de ser verdade. O fluxo comercial e de trocas simbólicas continua sendo operado pela OMC. A Unesco não tem qualquer interferência regulatória na OMC.
    Nenhum dos dois textos citou a subserviência da atual política cinematográfica às majors norte-americanas. A atual gestão colocou mais mais dinheiro público sob o controle das majors do que em todo o resto da cadeia do cinema brasileiro, concedendo incentivos fiscais e regulamentando o mercado a favor do domínio internacional.
    O atual ministro vem atuando fortemente nos bastidores, pressionando organizações e pessoas patrocinadas pelo governo a se manifestarem a seu favor, além de promover encontros e uma festa milionária para se autoconsagrar. Como diria Boris Casoy: isso é uma vergonha!

    • Rodrigo Savazoni, 11 de dezembro de 2010 @ 16:06 Reply

      Léo,

      Beleza. Você não gosta do Juca. Mas vamos estabelecer alguns pontos aqui, porque a sua opinião é importante e acho que a análise está equivocada.

      1. Quem está sendo pressionado a se manifestar? As pessoas são livres e as manifestações até agora demonstram que há um amplo e representativo campo em defesa da permanência do Juca, dentro dos movimentos culturais emergentes, nos quais acabamos por nos encontrar virtualmente, e também em vários setores culturais, como demonstra a representatividade da carta do cinema.

      Eu vejo a movimentação política em torno da sucessão do Ministério como algo bastante positivo, no sentido que estamos voltando a ter uma politização das questões culturais, sem dúvida mérito da atual gestão e de pessoas como você (nós?) que vêm trabalhando do lado de cá produzindo e pensando e ativando redes de formulação e ação. Portanto, criticar a movimentação legítima é pedir retorno a apatia. Acho que estamos melhor assim.

      Precisamos, mais do que de um debate em torno de nomes, de um debate programático? Sem dúvida, mas na atual conjuntura, e conhecendo os governos que antecederam ao de Dilma, são espaços que se movimentam de acordo com as pressões da sociedade, precisam disso para se deslocarem em seu rumo, posto são governos de coalização muito complexos. Agora, na leitura de muitos, é pedir #ficajuca, para abrir novos diálogos a partir da continuidade.

      Não é impossível que retrocedamos para um período anterior, em que pensar ou falar em política pública de cultura era exceção e não regra.

      2. De que festa milionária você fala? Da entrega da Ordem do Mérito Cultural? Ela ocorre anualmente, este ano ocorreu novamente, fechando um importante ciclo de oito anos, e por isso foi mais que uma festa para Juca, foi uma festa para Lula, o presidente operário que deu à cultura um outro status, outra condição, um outro lugar de incidência na composição de forças dentro da esplanada dos ministérios. E isso é notável, em todos os sentidos.

      Por fim, vergonha é citar Boris Casoy, vai? O pundit do conservadorismo, que pula de uma emissora para outra destilando seu preconceito de classe….

  • Gledson, 11 de dezembro de 2010 @ 16:34 Reply

    Há esses 2 equívos de fato nos textos, como bem assinala o Leonardo,

    Mas de resto eles retratam bem os avanços desse governo no campo cultural – "deixamos de ser o país do futuro para sermos uma realidade influente do presente" – e tocam nas feridas: um mencionando o pouco esforço das assessorias parlamentares do MinC na aprovação do Vale-cultura, e o outro mencionando que os mesmo setores que torpediaram a ANCINAV é o mesmo que está tentando descaracterizar o PLC 116/2010 como sendo uma lei feita para audar as teles a atuarem na venda de TV PAGA, o que é um absurdo cometido de forma canhestra pelo Grupo Bandeirantes, e tendo como maior paladino internacional a Sky.

    @gledsonshiva

  • gil lopes, 12 de dezembro de 2010 @ 2:13 Reply

    a música brasileira não se vê, é só música estrangeira, em proporções inéditas. Os romances mais vendidos são estrangeiros, o teatro é a broadway e o cinema…é coisa de macho…e vem aí swu , rock in rio por um mundo melhor e muito mais…ministro da Cultura? ainda não tem.

  • Leonardo Brant, 12 de dezembro de 2010 @ 9:51 Reply

    Obrigado Savazoni, por sua participação sempre bem pontuada. Eu gosto do Juca. Já declarei mil vezes que ele foi um excelente secretário executivo. Como ministro considero-o sofrível. Sua gestão foi pautada por embates, brigas e enfrentamentos construídos em seu gabinete. Com discursos furiosos e dissimulados, promoveu a discórdia e o ódio, invocando um conflito de classes dentro do setor cultural. Foi muito inteligente, se comunicou muito bem, mas muito perverso. Os usuários da Lei Rouanet viraram inimigos do povo, usurpadores do Erário. As empresas malvadas e os produtores aproveitadores. Em relação ao direito autoral, colocou as associações arrecadadoras e a indústria cultural no banco dos réus. Aprendeu a utilizar os jornais, a opinião pública, para concretizar sua tese maquiavélica. Os artistas que participam desse processo (vítimas, na verdade) são igualmente considerados vilões.
    Tudo isso, no final, apenas esconde uma coisa: a incompetência para gerir as coisas da cultura. E a necessidade de colocar a culpa de sua incompetência em uma força maior, um inimigo fabricado. A Lei Rouanet é o melhor exemplo disso. Depois de 8 anos, o governo ainda não compreendeu como ela pode ser fortalecida a favor de uma política pública abrangente e democrática. As soluções já existiam antes do Juca entrar no poder. O Fundo Nacional de Cultura é uma caixa-preta, maior do que já era. Difícil desvendá-la, apenas sabemos que concentra mais que o mecenato. Sobretudo pq concentra na mãos de um só homem.
    O problema da propriedade intelectual é muito mais profundo. Artistas e indústria cultural estão perdendo uma importante ativo e a questão está sendo banalizada em torno do prenúncio de uma democratização de acesso ainda não revelada.
    Por último, venho acompanhando e investigando o FicaJuca. Sei que ele é legítimo para algumas pessoas, mas sei também que muitas delas são massa de manobra de um poder concentrado, de um política dirigista e personalista. Outros têm medo do Juca e os terceiros mamam na teta do governo e não querem perder a boquinha. Sei também, porque converso com muita gente do setor cultural, que o movimento é articulado de dentro do gabinete do ministro. Jantares, almoços, encontros, pedidos de carta de apoio, promessa de bom relacionamento nos próximos 4 anos, tudo isso amparado pela política do medo que se instaurou no país nos anos Juca (com o Gil isso nunca existiu). "Imagina se o PT tomar conta do MinC?", dizem os interlocutores da Esplanada. Ah, o Boris: é apenas uma figura folclórica…

    • Rodrigo Savazoni, 12 de dezembro de 2010 @ 18:43 Reply

      Léo,

      Obrigado pelo elogio. Eu realmente admiro o trabalho que vocês fazem e vim até aqui debater justamente por acreditar que temos mais a ganhar estando juntos que apartados. Precisamos realmente de um movimento suprapartidário na Cultura, que nos ajude a colocar essa pauta no centro das questões políticas no século 21.

      Vou pontuar mais duas coisas:

      1. Um gabinete fazer política não é ilegítimo. Eu diria, é fundamental. Um governo democrático tem de estar em permanente diálogo com a classe artística, com os grupos de interesse, com os militantes, de forma aberta e republicana.

      Não se trata de cobrar adesão, nem anuência, mas de avaliar conjuntamente o que é melhor para o país. Nesse sentido, sinto-me absolutamente por estabelecer contatos com quem quer que seja dentro do governo, dentro do atual ministério.

      Desde que Dilma foi eleita, só o que o PT faz, claramente, abertamente, é influir e debater sobre os rumos do próximo governo, por meio de sua composição.

      Acho legítimo que outros grupos organizados o façam. Isso, para mim, é política. Só não pode avançar na negociação para o toma-lá-da-cá, para o balcão, para a promessa indevida. Nisso, concordamos. Mas enquanto o diálogo é político, acho legítimo.

      2. Temos leituras distintas sobre a maneira como foi conduzido o diálogo em torno da Lei Rouanet, que hoje já está em outro patamar, e próxima de um consenso para ser aprovada pelo Congresso Nacional, gerando mecanismos híbridos de financiamento, sem reduzir o espaço para o investimento privado subsidiado, mas ampliando as possibilidades de investimento direto por meio de critérios públicos, que, de fato, estão em construção.

      Sobre a Lei de Direitos Autorais, ela ainda é tímida no que se refere ao reconhecimento dos direitos digitais, mas já avança e muito em relação à lei de 98. Nem sequer chegou ao Congresso, onde teremos novo ciclo de debates e ajustes. Portanto, são processos democráticos, realizados à luz do sol.

      Há um preço em realizar um governo reformista, que coloca em pauta transformações sistêmicas: é o preço de não agradar a tod@s. No caso do MinC atual, acho que houve interesses contrariados, debates acalorados, excessos de parte a parte, mas não se realizam mudanças estruturais sem conflitos, que são fundamentais e parte da democracia.

      Nesse sentido, eu acho que o Sistema de Cultura que está emergindo depois de oito anos de gestão Juca e Gil é melhor que o que tínhamos e precisa ser efetivado. Daí porque apoio mais um período de permanência desse grupo, para concluir o que foi proposto.

      Sigamos com o bom debate.

      Um abraço,

    • Fernanda Abreu, 12 de dezembro de 2010 @ 22:21 Reply

      Leonardo

      Respeito seu trabalho, suas opiniões, volta e meia acompanho seus textos mas como uma das pessoas que organizou um desses encontros que vc chama de "Fica Juca" (no meu caso aqui no Rio) te asseguro: nao tenho medo do Juca, não mamo nas tetas do governo e não sou massa de manobra.
      Meu apoio a permanencia de Juca inclusive nao é "geral e irrestrito" pois batemos de frente inumeras vezes em temas como a mudanca da Lei Rouanet e a proposta de mudanca da Lei do Direito autoral (essa ultima entao é uma guerra!) Porem, é um bom duelo! E pretendo continuar tendo no ministerio um bom interlocutor e não vou ficar aqui sentada esperando que caia no colo da classe um nome destrambelhado pro ministerio da cultura fruto do balcão de negocios que é a politica partidaria brasileira.
      um abraço,
      Fernanda

      PS- Segue abaixo o texto que escrevi em resposta ao Barretão.

      Coronel da Cultura no século XXI

      Na seção ‘De Silva para Rousseff” do jornal O Globo de sábado, dia 11/12, fiquei surpresa com o tom da declaração do produtor de cinema Luiz Carlos Barreto dirigido a minha pessoa. Não vou ficar batendo boca ou polemizando com Barretão, principalmente através dos meios de comunicação. Mas já que fui cutucada, não vou me entocar.

      Para além do campo das ideias e de nossas posições políticas, o que me chamou atenção foi que veio à tona o seu perfil arrogante e coronelista. Ele sugeriu que eu ficasse “caladinha” e que não desse “palpite” em relação à sucessão do Ministério da Cultura por não ter apoiado a candidata “dona” Dilma na campanha eleitoral.

      Como assim “dona” Dilma? Como assim “caladinha”? Como assim “dar palpite”?

      Esse tipo de postura mostra a enorme diferença com que eu e ele pensamos e agimos em relação à participação política do cidadão no debate cultural brasileiro.

      Barretão já tivera uma atitude leviana ao afirmar, em artigo na Folha de São Paulo, que o encontro promovido por artistas e produtores culturais no Rio em apoio à permanência de Juca Ferreira à frente do Minc teria sido uma manifestação orquestrada, artificial e que não contava com a participação da classe artística. O que ele quis sugerir com essa afirmação? Que nós, artistas ali presentes, fomos usados como “massa de manobra” da atual gestão do Minc? E, pior, que não somos representativos da classe?

      Como ele não estava presente, é bom que saiba que esse encontro contou com a participação espontânea (e não de dentro do gabinete do Juca como Barretão quis sugerir) de mais de 150 artistas de diversas áreas da cultura nacional, como música (da erudita ao funk, passando pelo samba, MPB, pop-rock), artes plásticas, artes gráficas, circo, literatura, dança, teatro, sem falar de produtores e promotores culturais, alem de secretários de cultura, ONGs, CUFA, etc.
      Seria ele então o “legítimo” representante da classe artística brasileira? Em nome de quem fala Barretão? Quem são esses empresários das indústrias culturais aos quais ele se referiu em seu artigo e que seriam os verdadeiros representantes da classe?

      Como já disse repetidas vezes, a ideia de organizar um encontro em apoio a Juca Ferreira surgiu por duas motivações principais:
      1- Entendo que a classe artística participa politicamente se mobilizando e não “operando” nos moldes da política tradicional, onde cargos ministeriais são utilizados como moeda de troca em negociações político- e/ou corporativas. Pode parecer ingênuo, mas a intenção é preservar ao máximo o Minc desse fisiologismo (que aliás continuamos assistindo todos os dias na mídia).

      2- Acho que debater as diretrizes do programa de governo é importantíssimo, mas o nome à frente desse projeto faz muita diferença sim! Pessoas fazem diferença, não apenas programas! Portanto, mesmo divergindo de encaminhamentos sobre alguns temas propostos pelo Minc, a gestão Gilberto Gil/Juca Ferreira avançou muitíssimo em relação às políticas públicas na área da cultura e merece que avancemos ainda mais nesse debate.

      Portanto, mesmo tendo votado em Dilma Rousseff no 2º turno das eleições presidenciais, isso não me credencia a nada! Não tem a menor importância, já que todo cidadão brasileiro tem o direito (e no meu ponto de vista, o dever) de participar da vida política e cultural do país, independentemente de quem tenha votado ou apoiado em processos eleitorais. Acabou o tempo do “amigo do rei”. Agora sopram os ventos da democracia!

      Fernanda Abreu
      (cantora e compositora)

  • Aderbal, 12 de dezembro de 2010 @ 18:25 Reply

    Choro das elites que sempre foram previlegiados com 100% de incentivo fiscal do governo que serve para ser minstro/a Lucy Barreto ?
    Fica Juca a cultura popular precisa de você.
    Aderbal Ashogun.

  • Carlos Henrique Machado, 12 de dezembro de 2010 @ 18:31 Reply

    E quem mama nas tetas dos bancos privados e suas fundações que vivem de recursos públicos, Leonardo? Você considera que Juca que foi chamado por você, aqui mesmo nesta tribuna, de Hitler ou carinhosamente de stalinista é que é rancoroso?

    Sei que você vê a cultura pela ótica da financeirização, nutre um ódio implacável ao PT e acha, como os neocons, que Boris Casoy é apenas um ingênuo Tiririca da TV brasileira. Eu, ao contrário, acho que ele faz parte de uma gang de reacionários que espalha todo o tipo de preconceito a milhões de lares todos os dias. Além do quê, Leonardo, você tem uma forma muito peculiar de entender a democracia, melhor dizendo, democracia nos olhos dos outros é refresco. Mas não liga não, isso é somente mais uma de minhas verborragias diante da sua professoral visão universal de cultura.

  • Carlos Aranha, 13 de dezembro de 2010 @ 2:21 Reply

    A grande questão é a seguinte: o Brasil chegou ao reducionismo, à miséria político-cultural, de que o Ministério da Cultura só funciona com Juca Ferreira. Quer dizer que não existe no país nenhum gestor de cultura igual ou melhor do que Juca? Que indigência é essa? Isso está parecendo mesmo lobby de quem é favorecido pelo atual ministro, que deve estar comprometido em manter (ou aumentar) favores, financiamentos, aos mesmos grupos e pessoas. Puro corporativismo. Outra coisa: votaram em Dilma Rousseff para que ela tenha a liberdade de fazer o seu ministério ou a obrigação de manter Juca Ferreira? Deve haver muita coisa oculta nos bastidores do MinC para que haja um #ficajuca. Por que não fizeram logo um #ficalula? Carlos Aranha, ex-cineasta paraibano, jornalista e compositor.

  • Leonardo Brant, 13 de dezembro de 2010 @ 8:21 Reply

    Fernanda, ninguém aqui está defendendo o Barretão. Longe disso. Ele representa o lobby, conchavo, o favorecimento ilícito, o clientelismo governamental. Com o governo Lula não foi diferente. Alguém já perguntou como foram captados os R$ 12 milhões do filme "Lula, o Filho do Brasil", um dos maiores orçamentos e o maior fiasco da história do cinema brasileiro, depois de Chatô? Se é para contrariar o Barreto, sou mais Juca…
    A questão está bem colocada por Carlos Aranha. O MinC precisa continuar a fazer as reformas, mas precisa oxigênio. Precisa respirar o ar da República.
    Carlos, em vez de pensarmos na dicotomia da melhor teta, devemos mesmo é dar condições para a participação de todos no processo democrático (que não significa necessariamente distribuir dinheiro a todos. Acho que governo democrático não pode – e não deve distribuir dinheiro diretamente para ninguém – quanto mais para artistas).
    Eu disse que "alguns" são massa de manobras e não todos. Não quis desqualificar o movimento, mas apontar uma condução que continuo achano ilegítima, pois envolve dinheiro público (tenho visto vários sites patrocinados pelo governo tomados por declarações pró-Juca. Isso não é democracia!!! Mesmo que o movimento seja democrático.
    Rodrigo, você tem razão sobre o custo das reformas. No caso da Lei Rouanet acho que perdemos oportunidade. O MinC não sabia o que fazer, não tinha projeto. E não precisava confrontar, xingar, dividir, já que não existe nada mais consensual do que a reforma da Lei. No entanto, vivemos um clima de insegurança, agravada por ser o setor cultural um dos mais afetados com a crise. Eu falo sempre em nome desse "mercado", mas às vezes me dou conta que ele sequer existe como mercado. O Estado conduz e dita suas regras…
    No caso do direito autoral, acho que a discussão foi melhor conduzida e mais transparente. Mas está longe de atacar o verdadeiro X da questão.
    Um balanço: é claro que mudou para melhor, mas precisa avançar, justamente nas questões que o Juca não conseguiu resolver. A gestão dos pontos de cultura, por exemplo, que são a grande vitrine deste governo. Entendo que o modelo do Mais Cultura estereliza os Pontos e não resolve a questão mais importante que é fazer o dinheiro chegar nas mãos de quem precisa. Pelo contrário, se rende ao clientelismo.
    O debate está bom. Fiquei com um receio danado de pautá-lo aqui, justamente por estarmos num ambiente contaminado, onde a opinião se confunde com gestão ideológica ou partidária. Mas acho que quando um respeita a opinião do outro, mesmo discordando, as coisas vão bem melhor!
    Abs, LB

  • Leonardo Brant, 13 de dezembro de 2010 @ 9:07 Reply

    O maestro John Neschling, que brigou com o PSDB paulista depois de anos na OSESP e aderiu ao MinC em troca de uma companhia de Ópera, responde ao Barretão. Os pistolões saíram definitivamente à caça. Brasil mostra a sua cara!

    A cultura e a ilusão do mercado – JOHN NESCHLING

    Juca Ferreira representa um tipo de político que chama para si a responsabilidade de viabilizar o que o mercado jamais terá interesse em fazer

    Na abertura da temporada do Teatro Alla Scala de Milão, o evento mais importante da pauta operística do mundo, o maestro Daniel Baremboim dirigiu-se ao público presente na sala, fazendo sua a preocupação da comunidade produtora e consumidora de cultura na Itália e na Europa em relação aos cortes drásticos de subvenções e à retração do Estado de suas responsabilidades culturais.

    Foi delirantemente aplaudido. Fora do teatro, uma grande manifestação popular de repúdio aos cortes estatais teve que se ver com a repressão policial do governo Berlusconi. Fosse italiano, o cineasta Luiz Carlos Barreto estaria do lado da turma do Berlusconi, gritando a plenos pulmões que o Estado não deve ser provedor de cultura.
    Ao menos é o que se depreende da leitura de seu artigo "Nem fica nem sai Juca", publicado nesta Folha no dia 9 deste mês.
    No seu texto, na verdade um manifesto anti-Juca Ferreira, Barreto desclassifica toda uma mobilização espontânea de importante parte da classe artística, que vem apoiando a permanência de Ferreira no Ministério da Cultura, em diferentes partes do Brasil, afirmando que tal movimento não conta com a participação da "classe artística".
    E o que somos nós, músicos, cantores, diretores de teatro, pensadores culturais, dançarinos, produtores etc., que temos, sim, nos engajado publicamente pela sua recondução ao cargo?

    Talvez Luiz Carlos ache que eu seja beneficiário de uma verba astronômica dirigida à "cultura de salão" e nem me considere artista digno de discutir a questão cultural no país. Talvez ele desconsidere a linguagem cultural que eu represento, a julgar pela forma pejorativa com que se refere à música clássica.
    Barreto é o tipo de produtor artístico que Berlusconi tem como ideal para o século 21, aquele que recebe as benesses do Estado, mas o isenta da enfadonha responsabilidade de pensar a cultura e apresentar democraticamente propostas definidas de política cultural.

    Evidentemente que, com esse perfil, Barreto jamais apoiará um ministro como Juca Ferreira. Ferreira representa um tipo de político que encara o Estado como um pensador e enunciador de política cultural, com projetos definidos, e que chama para si a responsabilidade de viabilizar aquilo que o mercado jamais terá interesse em realizar.
    Curioso é perceber que justamente essa produção cultural "autônoma", que Barreto enaltece, viveu as últimas décadas mamando nas tetas generosas do Estado, beneficiando-se justamente dos "mecanismos de clientelismo" que o produtor cinematográfico critica.

    Reclamando eternamente da penúria em que são mantidos os "autônomos", se opõe a um ministro que propõe uma discussão democrática sobre o emprego das verbas oficiais para a cultura, alegando que se trata de prática autoritária.

    Realmente, para Barreto, como ele mesmo afirma, não é importante discutir se Juca fica ou não. Aliás, para essa tendência que representa, não é fundamental um ministro que pensa e que discute. Aliás, nem é importante ter um ministro da Cultura, sonho de Berlusconi. Basta um mecanismo de distribuição de verbas e esmolas para o pátio dos milagres das artes brasileiras.

    • Tereza Campos, 13 de dezembro de 2010 @ 14:51 Reply

      Entro neste site apenas de vez em quando, mas agora chegou em minha caixa de mensagem um spam de um tal #ficajuca; fui examinar a origem deste "movimento espontâneo": uma assessora e um assessor do MinC. Um escândalo! Já imaginou se fosse em eleições normais? (dois assessores de um deputado ou senador usando tempo e recursos públicos para fazer campanha eleitoral). Pena que os jornais não tenham se dado ao trabalho de investigar esta orquestração do #ficajuca, se pesquisarem o ministro não fica nem mais um dia, sai agora, e desmoralizado. Também investigei a origem de financiamento de alguns artistas que falam contra o balcão da cultura ou a esquerda cuecona, como grosseiramente o Zé Celso se referiu. Querem valores dados nos últimos tempos para a turnê do Oficina, ou Companhia Brasileira de òpera (que nada mais foi que uma turnê e não uma companhia estavel)? Basta olhar no Diário Oficial (é de corar qualquer senador Gim Argelo – Ô, Estadão, façam bom jornalismo, apurem isso e saiam do superficilismo do Jotabê)? Não vou dizer o valor para instiga-los a se informar. Caí de costas! Eles se vendem caro. Enquanto isso há mais de mil prêmios em pequeno valor prestes a receber calote. Querem mais? a Festa da Ordem do Mérito Cultural (também conhecida como dia do #FicaJuca) custou mais de R$ 2 milhões; no tempo do Gilberto Gil não era assim, pois havia parcimonia com o dinheiro público , e nem por isso a entrega do prêmio era menor. E este evento Brasilidade, saído da cartola? Alguém ficou sabendo? Provavelmente não, porque foi um fracasso de público, mas custou milhões (vejam na Funarte, o pessoal de lá está horrorizado).
      Tudo bem, Barretão não é lá estas coisas, mas esta demonização também não é nada democrática. Ou Juca ou o inferno? Mentira, hoje o Brasil conta com excelentes opções, muito mais qualificadas que aqueles discursos rasos do Juca e sua equipe mais direta ((aliás, vejam a origem de cada um, se já trabalharam com cultura antes do MinC). Pior que rasos, já assisti a cada metáfora grosseira vinda do ministro Juca, capazes de transformar as metaforas futebolisticas do Lula em falas de um lorde.
      Vamos abrir nossa mente, isso para quem não se prente ao jogo interesseiro. Vamos exercitar propostas e nomes. Por que não a Marilena Chauí? Ou o Emir Sader? Ou o Célio Turino (para mim o único que tinha nível intelectual e capacidade de gestão naquele ministério)? Ou olhar para o norte, o nordeste, o sul. Tem gente boa espalhada por este país, e fora dos partidos também, o Danilo Miranda, do SESC. É, espero que a presidente Dilma tenha uma luz para a cultura, porque deste movimento #ficaJuca, coisa boa não vai sair.

      Tereza Campos
      (não vivo de Rouanet nem de Ministério algum)

  • massakritica, 13 de dezembro de 2010 @ 9:27 Reply

    Uma coisa é certa: esse tal de JOHN NESCHLING não tem isenção para participar do debate, porque ele sim recebeu dinheiro direto para implementar seu projeto de ópera, já o barretão captou em empresas dinheiro privado delas – caso elas estivessem vinculando o investimento a algum "apoio" político no futuro isso só podemos deduzir, jamais comprovar -, nem se quer passou pela intermediação da Rouanet.

    @gledsonshiva

  • José Carlos Aragão, 13 de dezembro de 2010 @ 9:44 Reply

    Sempre desconfiei de quem se agarra com tanto denodo a um cargo público julgando-se dono da verdade, insubstituível ou único merecedor de ali permanecer. Enquanto isso, os artistas ladram e a caravana vai passando…

  • Carlos Henrique Machado, 13 de dezembro de 2010 @ 17:18 Reply

    “Acho que governo democrático não pode – e não deve distribuir dinheiro diretamente para ninguém – quanto mais para artistas”

    (Leonardo Brant)

    Este “quanto mais para artistas”, Leonardo, é uma pérola. O Ministério da Cultura, nos moldes dos corporatocratas, deve continuar a entregar os recursos da sociedade nas mãos dos captadores associados?

    A questão que irrita a plutocracia é esta, Juca Ferreira colocou a mão nesse vespeiro que são os interesses ocultos de gestores corporativos, institutos e fundações chamado Lei Rouanet. Uma lei Leonardo que você próprio gosta de anunciar que não é para a arte e nem para o artista, mas para o empresário. Então, como Juca Ferreira e seu corpo técnico correram o país para convocar a sociedade a soterrar essa caixa de pandora neoliberal e conseguiu através de debates francos e diretos a adesão não só dos artistas, mas da sociedade, os que sempre mamaram, super-faturaram projetos via Lei Rouanet, querem ver Juca longe do Ministério. É simples assim.

    Por isso, pela coragem de Juca Ferreira no enfrentamento desta principal questão da cultura contemporânea no Brasil é que apóio a sua continuidade.

    • Leonardo Brant, 13 de dezembro de 2010 @ 18:00 Reply

      Carlos, estou preparando um artigo sobre o "Cabresto Cultural". Sou a favor de fundos autônomos, não comandados pelo governo, com editais transparentes para atender demandas estruturantes. A relação governante-artista, ou governante-produtor é conflituosa, viciante. A história aponta os perigos de termos o artista como cliente de uma política personalista.
      Juca é bom, fiquemos com ele. Mas antes dá uma olhada de perto no Fundo Nacional de Cultura e veja como ele agirá se tiver todo o dinheiro a seu dispor… é enterrar o neoliberalismo para instaurar o neostalinismo!

    • Remo Pellegrini, 13 de dezembro de 2010 @ 18:44 Reply

      Mas, Carlos, nós ficamos numa encruzilhada: se não há incentivo direto do governo, o rumo da cultura fica na mão da Coca-cola e do Bradesco. A maioria dos patrocinadores não está interessada na cultura não-sustentável, e é exatamente essa que precisa realmente de patrocínio. A não ser que achemos que o jongo da Serrinha deva sumir porque não atinge a massa.

      Mas se há fundo do governo, corremos o risco de ele ser dirigido politicamente.

      Eu ainda prefiro a segunda opção, criando-se mecanismos para a não-intervenção política na escolha das expressões a serem beneficiadas. É duro ver o Cirque de Soleil recebendo dinheiro de nosso governo através do Bradesco e cobrando fortunas para se apresentar. Isso, sem falar do Show da Xuxa ter sido beneficiado pela Lei Rouanet.

  • Jussilene Santana, 13 de dezembro de 2010 @ 17:53 Reply

    "Como é possível escrever um texto com tantas falácias e meias verdades?!
    Bom, o fato de agora contra-argumentar em cima dos pontos de Neschling, espero, não me faça automaticamente defensora de Barreto. Ao contrário! Para mim, tanto Barreto quanto Neschling mostram tendências de argumentação e práticas baseadas num abominável clientelismo. O que mostra que, ao contrário do que alguem disse acima, o ambiente da cultura não está nada protegido deste modus-operandi, que é "a maneira mesma" de se fazer política no Brasil. Por isso a vigilância tem que ser constante.
    1) Em que ponto do texto Barreto disse pontualmente ser "CONTRA o Estado ser provedor da Cultura"? E este é o argumento central da defesa de Neschling(!);
    2) Como esta proposição não é dita em momento algum, o maestro, tomando-a como subtendida, força uma comparação com um governo da ultra-direita autoritária que realmente acredita nesta posição. E claro que é difícil concordar com Berlusconi e, portanto (?), com Barreto (!);
    3) O que é claro no texto de Barreto é que ele representa (ou acredita representar) uma fatia dos "agentes da cultura" (o termo é meu..) que associam mais claramente à Cultura ao Mercado, ao Cultura ao Consumo e, no caso do cinema, à sua potência como Industria. Isso por si só seria polêmico para ser discutido! Não é necessário recorrer a tantas falácias…. Há uma resistência mesma em boa parte do pensamento de esquerda que acha impossível haver coisa boa onde entra o Capital. Por mais ambiguo que tenha sido o governo Lula em relação a isto…

  • px silveira, 13 de dezembro de 2010 @ 19:06 Reply

    Nesta discussão, tem para quem vier. Se formos ver, temos vários motivos para pedir ou ao menos aceitar a permancência do ministro Juca Ferreira. E temos vários outros motivos para pedir sua saída imediata, abrindo lugar para um cérebro de obra que não o seu.
    Com relação a nomes, cada um que fique no seu galho. Acontece que temos em comum essa nação sendo filtrada pelo Ministério da Cultura da era petista, que não é mais do Gil, não é do Lula e nem ainda é da Dilma. O Ministério da cultura é do Juca Ferreira. Assim ele se comporta, exteriorizando em uma miopia territorial, para não dizer ditatorial.
    A força da diversidade cultural do Brasil deve ser também projetada em pluralidade de visões. O Juca Ferreira está aí há 8 anos. Devemos reconheçer que nenhuma visão de gestão será completa e suficiente. Portanto, entre as boas (a do Gil/Juca foi uma boa gestão), que uma complemente a outra.
    Conhecendo a cultura brasileira como ele conhece, Juca deveria ser o primeiro a pedir para sair. Republicanamente. É o fim um cara querer ficar à frente da cultura brasileira por 12 anos. Super Bacana? E é o fim um ministro confundir nomeação para a pasta com eleição, fazendo uma “campanha eleitoral” que tem a até jingle (Fica Juca!). É um desrespeito à diversidade e a capacidade de renovação da própria cultura a que ele quer servir.
    Mesmo o Lula, em seu semi analfabetismo premonitor, já percebeu e falou educadamente: “Juca, uma pessoa como você não precisa de um ministério para trabalhar pela cultura”. Fica lúcido, Juca.

    • emanuela, 14 de dezembro de 2010 @ 20:01 Reply

      Só uma observação Gil deixou o ministério da cultura em 30 de julho de 2008, não podendo o Juca estar no governo há oito anos, mas desde 30 de julho de 2008 até hoje, dois anos e cinco meses. Quem está h´pa oito anos no Governo é o Lula. Antes disso ele , Juca, trabalhava com o Gil, mas o Gil era o ministro;

  • Jair Correia, 13 de dezembro de 2010 @ 21:44 Reply

    Se o dinheiro da Cultura não vai para quem produz cultura, vai prá quem? Precisamos de um Ministro que trabalhe na distribuição verdadeiramente democratica dos recursos, seja do FNC ou da Lei Rouanet à produção cultural nacional, não a paulista e carioca que ficam com 95% de todos os recursos gerados. O que sempre existiu é a concentração de interesses em um ou dois polos de produção deixando outras possibilidades culturais economicamente inviável. Precisamos de alguém que consiga romper os lobes milionários que concentram a produção cultural no Rio e em São Paulo (capital) em defesa das produções multiregionais. Mais importante que as verbas é o espaço que temos que conquistar para mostrar a cultura do Brasil inteiro para o Brasil inteiro.

  • Carlos Henrique Machado Freitas, 14 de dezembro de 2010 @ 14:59 Reply

    Mesmo o Lula, em seu semi analfabetismo premonitor” (Px Silveira)

    PX, você conhece intelectualidade funcional? Ela tem um faro danado para produzir chanchadas conceituais.

    Lula não é o pai da história do Brasil, nem Juca e nem Gil, a questão não caminha por aí, menos ainda pela evangelização cultural de Neschling ou do timbre do Brasil cinematográfico de Barretão, velho conhecido dos milionários livros de ouro do cinema nacional. O que está em questão é a nova literatura da cultura brasileira que está sendo escrita aonde claramente a sociedade mostrou a sua cara, melhor dizendo, mostrou a cara do Brasil. Este é o primeiro dos fundamentais atos políticos. O governo Lula, mesmo não conseguindo tirar a cultura brasileira da subnacionalidade imposta pela elite, através do Estado e do mercado, deu as mãos à poesia do povo, ou seja, mergulhou nesse universo para caminhar junto com o povo que é a fina flor do Brasil, pois a nossa burguesia pastiche sempre careceu de originalidade. A cultura do povo, além de extraordinariamente rica e soberana é uma cultura ao alcance de todos, feita fundamentalmente pelos caminhos naturais da integração social.

    Do outro lado está a “gestão corporativa graduada”, os novos doutores, os novos mestres do acervo corporativo, as novas oligarquias que nasceram do ventre da Lei Rouanet, que criaram seus próprios índices, suas preferências, interpretaram e numeraram a cultura brasileira como uma retífica. O resultado é este horrível cenário que chega à estupidez que alguns chamam de progresso. E eu grito que é o progresso dos estúpidos. Não há sensibilidade e, muito menos conhecimento de causa nessa malandragem complexa saída da nova psicologia corporativa que nada tem de acolhedora, que nada tem que nos orgulhe, que não disfarça sua ambição, que não canta, que não interpreta, que não compõe, que não atua, que nada representa do grande prazer ou da crítica maior que há nesses delicados meandros da cultura brasileira e que viveram e vivem nesse universo ganhando dinheiro às custas da sociedade. Que fizeram da arte, instrumento, e do artista, empregado para ampliar seus lucros via lei de incentivo.

    Os sentidos fundamentais da cultura brasileira não habitam essa forma pejorativa de pensar a cultura de um país pela gestão corporativa de cultura que fez do ambiente cultural brasileiro, com seus institutos, fundações e associações de captadores, um eterno perde-e-ganha.

    O MinC de Lula, Gil e Juca teve a disposição de pegar o microfone e falar outras sonoridades na busca por novos processos, pois os corporatocratas querem um MinC operacional e não intelectual. Querem um ministro hesitante, o que não é o caso de Juca Ferreira. Não digo que ele seja um São Benedito, mas que trabalhou e muito bem na contraofensiva da roda-viva da gestão folclorizada da burguesia plutocrática, isso trabalhou e incansavelmente.

    Pois é, PX, os explêndidos, os nobres e os cultos da gestão corporativa viveram os últimos 20 anos dessa repetição estrófica (Lei Rouanet) com um pires de cristal na mão, correndo a Febraban e Fiesp, para fabricar o quê? Espumas e bolinhas coloridas que eles classificam como multi-tonalidade percorrendo os submundos com os conceitos das terras d’além mar.

    Ninguém aqui está dizendo que Juca é o legítimo rei do nosso tempo, mas com perdão da palavra, PX, ele é cem vezes melhor do que essa diarreia conceitual dos corporatocratas que imediatamente com sua superioridade recusa ser brasileiro. E essa bomba de conceito já encroada no velho Estado somou-se aos sonhos e aos faros do mercado neoliberal de cultura para ampliar suas vantagens. Juca Ferreira e seu corpo técnico, ao contrário, trabalharam politicamente para fortalecer, como eu já disse, o dicionário cultural brasileiro. O que, a meu ver, não representa um avanço, mas sim uma revolução nos moldes do pensamento institucional da cultura no Brasil.

  • sergio sobreira, 14 de dezembro de 2010 @ 17:28 Reply

    Um ditado popular dito largamente aqui na Bahia bem traduz a dinâmica desse debate: "tem de um tudo!". Mas o mais interessante que sobressai, e Jussilene toca no ponto nevrálgico de forma sutil e irônica, é que os paladinos da cultura republicana democrática, assim entendido os divagadores de matiz esquerdista, parecem (ou preferem) esquecer de que tipo de governo estamos debatendo sua política cultural. Conveniente pois defender ferrenhamente uma agenda (autonomeada) republicana, inclusiva, pluralista, democrática, que atenda aos desejos moribundos dos frankfurtianos Benjamim e Adorno e restitua a arte o seu lugar no panteão das coisas puras e nobres, divorciadas e protegidas da desgraça do dinheiro. A arte não precisa de dinheiro, gritam alguns. Quando precisa, que se faça por motivos nobres e democráticos, acenam outros. Ora pois. Existe uma terceira via para o mercado? Qual seja? Quem é capaz de propô-la? Estarão a crer no novo paradigma mercadológico chamado "sustentabilidade" que tanto tem ajudado o Bradesco se projetar publicamente como um banco completo (sic)?
    É preciso desfazer a máscara do ataque ao mercado sem a devida coragem de assumir que estes defendem a simples e reta estatização (ou stalinização). Mas o que realmente me chama a atenção é que "escapa" aos detratores do mercado o reconhecimento de que vivemos mais um governo corrupto. Igual a tantos outros, quiçá a todos os demais. Um governo que chegou ao poder apelando para uma outra ética de governar e o que mais fez foi reificar velhas práticas de coptação e corrupção, do balcão de trocas, do toma lá dá cá, do comércio de votos em troca de favores, cargos e verbas. Como sempre! Queria ver se defenderiam o mensalão tanto quanto (e por ora) defendem a excelencia da gestão de Gilberto Gil e sua criatura Juca Ferreira. Não me falem desse governo como democrático e avançado no trato da cultura quando o lodo pútrido do mensalão invade minhas narinas. Não fui feito para dissociações de conveniência. A seletividade cínica é tão moralmente condenável quanto aquilo que pretende separar e isolar para relevar: "Teve o mensalão mas nunca antes na história desse país a cultura teve tanto destaque"…
    Sou um profissional do mercado cultural. Quero e tenho todo o direito de exercer minha profissão de artista. Preciso e mereço, porque assim escolhi, viver do meu talento. Por isso, entendo que o debate a ser conduzido é em favor de uma ética para a gestão da cultura como um todo. A ética a ser disposta ao mercado deve ser a ética de toda sociedade republicana: honestidade, representatividade, legitimidade. Por outro lado, não quero ser refem das vontades politicas dos governantes de ocasião, não tolero ser tutelado pelos matizes ideológicos de quem acha que a melhor cultura para o povo tem que ter este ou aquele componente estético. A se consagrar o modelo que está aí, caminharíamos a passos largos para a oficialização do dirigismo cultural. Ainda que nunca antes na história desse país tenha se investido tanto dinheiro via Lei Rouanet…opa, mais uma contradição, mas essa é melhor deixar para outro debate.

    • josemir ao longo, 15 de dezembro de 2010 @ 10:26 Reply

      Por um momento pensei estar totalmente inserido, nos discursos proselitistas de "baianos famosos". ..
      Um diz que diz, totalmente improfícuo. A Cultura é regida pelo povo e suas origens, não existe governo, que possa protelar, induzir. Cabe ao governo, gerar e gerir recursos. De que modo?
      Problema deles… o que não pode – e isso é muito comum aos baianos, vide Daniela Mercury – é colocarmo-nos a disposição da compra e venda de idéias puras contidas na cultura do povo/povo, e entregá-las por unzinho qualquer. De uma coisa caro baiano, esteja certo: o posicionamento politico de cada cidadão é livre, assim como A CULTURA DEVERIA SER. O resto é puro prolixismo…. Pena que o movimento Mineiro Cultural Musical, não tenha tido seu real valor. Pena, que por interesses outros, a Tropicália e seus aloprados tenha sobrevivido…
      Ps: Carlos Henrique e Gil Lopes, são aqui presenças fundamentais. Precisam atiçar, cutucar esse vespeiro, que se não revirado, acabará se transformando num templo de culto a direita retrógrada. Não demora muito, voces estarão fazendo reverencias a Dom e Ravel…

      • sergio sobreira, 17 de dezembro de 2010 @ 13:45 Reply

        Não sabia que ser baiano era algum tipo de defeito… vai ver a estagiária paulista Mayara Peluzzo fez escola e a mania de apelar para estereótipos para desautorizar a palavra alheia virou recurso recorrente… Não custa lembrar que Gilberto Gil e Juca Ferreira são baianos. Eu é que não sou, nasci em Fortaleza-Ceará, mas tenho maior orgulho de morar em Salvador e fazer parte da vida de baianos, soteropolitanos e outros cidadãos de origens as mais diversas nessa que foi, é e sempre será a Boa Terra.

  • Carlos Henrique Machado Freitas, 14 de dezembro de 2010 @ 18:20 Reply

    Sobreira

    Se você é empresário e casa um qualquer do seu bolso para investir no que você acredita, está tudo perfeito. Mas se você é daqueles que andam com o Diário Oficial da União debaixo do braço com seus projetos no artigo 18, já que o artigo 26 não tem graça, então você não é empresário, é captador. Vamos aproveitar essa onda neologista e colocar os pingos nos Is. O captador, para não dizer aspirador de recursos públicos que, ao contrário do que você diz, deveria ir diretamente para o artista, pois foi ele quem batalhou esses recursos, pelo menos uns trinta anos antes do surgimento desse ornitorrinco chamado Lei Rouanet que originalmente é um golpe à moda internacional que os nossos gestores importaram. Porém, como disse uma presidente dessas associações de captadores, o Brasil está dando aulas de captação até na Europa que, segundo ela, está atrasada diante da nossa certeza empresarial de que dinheiro público não tem dono.

    Ora, Sobreira, se você tem esse espírito empreendendor de investir toda a sua fortuna na cultura nacional, até os anjos vão lhe agradecer. Agora, fazer proselitismo de empresário com o dinheiro daqueles que acordam às quatro da manhã e chacoalham no trem, não vale. Se você defende o capitalismo, entre no rateio com o seu capital, senão, acaba sendo um comunista enrustido que classifica a expressão artística como um ato de remediar com trocadinhos a vida de quem tem que enfiar a viola no saco porque não aguenta ver tantos captadores comendo o queijo.

    Pellegrini
    Jongo nenhum, nem de São José da Serra, nem de Pinheiral, nem de Tamandaré sustentaram as suas tradições por obra do Estado ou do mercado, e este também é o caso do jongo da serrinha que, ao contrário, promoveu, por exemplo, o secretário para assuntos aleatórios, Marcos André dentro da Secretaria de Cultura do Estado do Rio da, também aleatória Adriana Rattes. Marcos André é um desses casos muito comuns em São Paulo, de empresário público com sua trilogia de captador, servidor público e empresário na Lapa. A isso ele chama de Brasil Mestiço. Seja como for, seu pão só cai com o requeijão catupiri pra cima.

  • Cleber Papa, 14 de dezembro de 2010 @ 21:34 Reply

    Caro Leo,

    Todo mundo sabe (isto é força de expressão e significa todo mundo que interessa) sabe da maioria das minhas posições sobre Cultura.

    Nada contra o Barretão pessoalmente (usando a mesma figura que usou para o Juca), mas se ele é contra, estou automaticamente do outro lado.

    Nos somos assim, erguemos bandeiras.

    Quando o maestro criou a tal companhia, fui contra o método, o modelo, a proposta artística e a tentativa de transformar o Ministro (figura institucional, autoridade etc) em captador de patrocínio e escrevi sobre isto. Acho os captadores importantes e é um setor a ser melhor estruturado no Brasil, mas não é o papel do Ministro fazê-lo. Fui contra isto. Não fui contra a idéia de uma companhia de ópera, acho que devem existir várias, a minha, a do maestro e de outros tantos quantos venham a se interessar por isto no futuro. Acho, entretanto, que dificilmente teria saido naquele momento um projeto como aquele sem o maestro envolvido. Deixando de lado as discordâncias (o futuro mostrará), resta o aspecto positivo das revisões possíveis de formato e outras. Afirmo isto porque não era este o único projeto em discussão no MinC para este segmento.
    O Juca, reiteradas vezes, manifestou sua ansiedade por não ter avançado como deveria para atender as questões relativas à chamada cultura erudita que, além de essencial, é estruturante e inegavelmente precursora.
    Neste aspecto, houve significativo avanço e várias conversas de consenso. Se o Gil favoreceu o diálogo e abriu caminhos, com o Juca se conseguiu amarrar várias pontas soltas nestes últimos anos. Não foram oito anos perdidos, apesar de que tenho a sensação de termos caminhado muito pouco, principalmente na minha área de foco (ópera e música erudita).
    Hoje me parece que há certa clareza da necessidade de investimento em programas de formação e principalmente o apoio à produção que é – como todos sabem – o grande gargalo da Cultura no Brasil. A ópera tem pressa. A Cultura tem pressa.
    Neste sentido, acho importantíssimo que se mantenham as conquistas obtidas até aqui para que não haja retrocesso.
    A decisão de qual Ministro seja, é uma prerrogativa da Presidente. Se o Juca, creio que a Cultura não perde. Se não é o Juca, que não se mude o Ministério. Muda-se o Ministro, mas precisamos salvaguardar as conquistas e o pressuposto dos aperfeiçoamentos necessários.

  • gil lopes, 15 de dezembro de 2010 @ 12:29 Reply

    …esse papo já tá Qualquer Coisa, vc já está pra lá de Marrakesh, mexe alguma coisa dentro doida, alguma coisa dentro doida mexe…deixe de coisa, deixe de coisa…deixe de manha.
    lembrar Caetano sempre, é o que há contra a anti cultura do lado de cá. No mais, duas propostas, apenas duas:
    1- acabar com o incentivo fiscal para conteúdos estrangeiros via lei Rouanet.
    2- definir metas, divulgar objetivos e prazos, investir na inserção de conteúdo nacional no ambiente digital
    3- distribuir gratuitamente um computador para cada aluno e professor do ensino básico em todo Brasil.
    a gente pede duas e apresenta três…

    • Cleber Papa, 17 de dezembro de 2010 @ 14:51 Reply

      Caro Gil,

      Como sempre respeito o seu direito de opinião. Isto não significa que respeite a sua opinião.
      Entendeu? Se não, leia de novo.
      Você continua falando bobagem acerca dos tais conteúdos estrangeiros. Toda generalização é burra.
      Não o estou chamando de generalista. Entendeu? Entendeu? Entendeu?

      • gil lopes, 18 de dezembro de 2010 @ 0:28 Reply

        Papa, não somos inimigos aliás vc disse que ia me esquecer, esqueceu? esqueceu?esqueceu? De todo modo, respeito sua opinião e seu amor pela sua Ópera. É bacana isso e te digo, vou considerar. Na minha sugestão para acabar com o incentivo fiscal para conteúdos estrangeiros via lei Rouanet vou excluir a sua Ópera. Pronto, na ópera pode.
        Papa, com os amigos já é difícil, com inimigos então…impossível.
        ( meu comentário saiu logo baixo do seu por simples acaso, não tive nenhuma intenção de me referir ao seu comentário).

        • Cleber Papa, 18 de dezembro de 2010 @ 16:20 Reply

          Caro Gil,
          Inimigos jamais. Opa… Isto não. Sequer adversários.
          Continuo discordando da sua opinião. Não se trata de buscar incentivo para a "minha" ópera ou de quem quer que seja. A questão é mais complexa, pois em minha opinião a universalidade é o que importa.
          Criou-se o hábito de se rotular a Cultura e nivelar tudo. Explico. Chegamos ao politicamente incorreto de achar que não há diferenças dentro da atividade cultural. Perdeu-se a noção de que há pessoas cultas, pessoas incultas, pessoas medianamente cultas. Todos viramos cultos. Não se diferencia James Joyce de Hemingway, Tolstoy de Marcelo Rubens Paiva (Marcelo, amigo – citei vc porque sei que vc entende o que estou falando). Aqui estou repetindo as palavras de Mario Vargas Llosa no seu discurso em Porto Alegre no mes passado.
          Aí, para não me alongar, vêm estas idéias bizarras de não se financiar conteúdo estrangeiro via lei Rouanet. Isto é UMA BOBAGEM. Teatro se faz com texto estrangeiro também. Dança se dança com coreografia e musica estrangeira também, Exposições… bem…creio não precisar ir além. Até você deve ter entendido isto.
          Quanto ao comentário sair lá ou aqui, não tinha me atentado a isto… Não tenho estas manias de perseguição. Também não te respondi porque achei isto ou aquilo. Apenas te cutuquei porque vc insiste nesta tese e as outras duas sugestões não têm nada a ver com nada… Ok… Serei bonzinho. São deslocadas de contexto.
          Quer discutir financiamento de conteúdo? Ok. Também topo. Você pode começar definindo o que é conteúdo estrangeiro, partindo do pressuposto que você é um cara culto, que é alfabetizado para as artes em geral, que conhece cultura de forma abrangente etc. Neste caso, com estes pressupostos, por favor, defina claramente o que é conteúdo estrangeiro e por que razão vc achaque nossos técnicos, artistas, platéias, não têm direito a ter acesso a esta informação com participação de dinheiro público.

          • gil lopes, 19 de dezembro de 2010 @ 21:28

            Cinema também, podemos financiar com incentivo o próximo filme do Scorcese, que tal? Ou do Coppola, ou até da próxima novidade em 3 D. Isenção fiscal, o imposto a ser pago passa a ser dirigido para o Cinema que se faz também com texto estrangeiro, com diretor estrangeiro, enfim, vamos incentivar também o cinema estrangeiro. Já fazemos isso no teatro…seremos a cópia, nossa manifestação será a deles, tudo pela universalização…vamos transformar nosso teatro na Beoadway, nosso cinema em Hollywood, nossa música …esquece nossa música, pra que? tem a música estrangeira, podemos ser finalmente covers, e nossa literatura pra que? os romances são mesmo estrangeiros…vamos usar o dinheiro de todo mundo pra financiar a arte universalizada, aquela que vem de lá pra cá…e vamos todos nos locupletar..o resto fica estabelecido que é uma BOBAGEM…tá bom assim? esqueci alguma coisa? a língua, que língua, pra que?

  • luciano, 16 de dezembro de 2010 @ 10:57 Reply

    Olá, caros colegas artistas brasileiros. Muito bom ter este espaço democrático, aonde todos somos iguais, nossas opiniões tem o mesmo valor e todo mundo se respeita.

    Outro dia estava conversando c um amigo cineasta. Já ganhou prêmios e tudo o mais. Ficamos conversando por 5 hrs e chegamos a conclusões q podem parecer bizarras de tão simples.

    1. O maior problema do cinema, no mundo todo, é o custo. Vc pega um lápis e um papel e escreve um livro, faz um desenho. Compra uma tela e tintas e faz uma Mona Lisa. Pega um violão e faz uma música, ou usa um computador e usa programas q além de simular instrumentos, simulam estúdios, daí vc transforma em mp3 coloca em sites como myspace. O cinema hj não é para o povo. É feito pela elite para a elite. Como democratizar e popularizar o cinema? Usando o dinheiro q é do povo?

    2. Porque o cinema americano é popular no mundo todo? Justamente por ser popular. Os caras fazem filme p criança, sessão da tarde, adolescentes. Tudo nos Estados Unidos é popular. A televisão. Os seriados. Por isso q a galera vê novela da Globo, vê o Faustão, Sílvio Santos. É popular. Como levar a “verdadeira” arte ao povão? Como educa-lo? Como desmassificar a massa? O rock veio do blues q veio dos cantos dos escravos nos campos de algodão. Era música de africanos. Daí os brancos popularizaram. Foi p Inglaterra e os ingleses invadiram o mundo. Os ingleses ganham muito dinheiro c direitos autorais do rock. Muito mais do q os americanos por exemplo. Beatles, Stones, Genesis, Pink Floyd, The Cure, U2. Popularizaram o rock. Como levar o Brasil p fora do Brasil? Eu ainda acredito na oportunidade igual p todos e na criatividade. Nosso oscar pode estar numa favela carioca. Deixa o cara fazer o filme dele. Mesmo q seja digital.

    3. EPB. Estudo dos problemas brasileiros. Quem somos nós? O q é o Brasil? Eu acho q problema está na base. Na nossa “cultura”. Somos um país de elites. Veja Brasília. No meio os milionários e ao redor seus empregados/escravos. O brasileiro gosta desta diferença. Ele não quer igualdade. Quer ser melhor. Qtos países do mundo tem empregadas domésticas? É um luxo. E elas ganham menos e andam de ônibus. Eu não imagino um brasileiro classe média ou alta comer no mesmo restaurante q sua empregada. Seria um vexame. Somos desiguais. Temos favelas. Temos pobres. Brasileiros morrem de fome. Morrem nos hospitais públicos. Nas estradas públicas. Por falta de segurança. Mas daí vc tem dinheiro pra fazer filme e pra champagne, mas não paga bem o policial q arrisca sua vida. É uma confusão total. E salve-se quem puder. E a culpa é dos americanos. Ou da globo.

  • luciano, 16 de dezembro de 2010 @ 17:35 Reply

    "Em 28 de dezembro de 1895, no subterrâneo do Grand Café, em Paris, os irmãos Lumière realizaram a primeira exibição pública e paga de cinema: uma série de dez filmes, com duração de 40 a 50 segundos cada, já que os rolos de película tinham quinze metros de comprimento. Os filmes até hoje mais conhecidos desta primeira sessão chamavam-se "A saída dos operários da Fábrica Lumière" e "A chegada do trem à Estação Ciotat", cujos títulos exprimem bem o conteúdo.
    Nesta mesma época, um mágico ilusionista chamado Georges Méliès, que comandava um teatro nas vizinhanças do local da primeira exibição mencionada, quis comprar um cinematógrafo, para utilizá-lo em seus números de mágica. No entanto, os Lumière não quiseram vender-lhe, e o pai dos irmãos inventores chegou a dizer a Meliès que o aparelho tinha finalidade científica e que o mágico teria prejuízo, se gastasse dinheiro com a máquina, para fazer entretenimento. "

  • jussilene santana, 17 de dezembro de 2010 @ 16:27 Reply

    Bom, enquanto se discute o ministro, o espelho da Lei Rouanet na área cinematográfica – a Lei do Audiovisual -, que vigoraria até dezembro de 2010, acaba de ser prorrogada até 2016. A justificativa: "tornou-se uma importante ferramenta para a produção, sem ela, a área pára".

    A lei do audiovisual foi criada em 1993, dois anos depois da Rouanet ter estabelecido "uma" solução para a produção continuada no pais, antes totalmente paralisada. Ao contrário do que alguém disse acima, esta, sim, foi a primeira tentativa de se fazer uma política pública para a área da cultura no Brasil. Se dentro de uma visão – apenas ou sobretudo – neoliberal, nao é o que invalida sua primazia. Não é, afinal, de suas conquistas (e limites) que partimos?

    • sergio sobreira, 20 de dezembro de 2010 @ 18:58 Reply

      A questão, amiga Jussi, é que vivemos a era do "nunca antes na história desse país", então os defensores dessa era, não admitem um passado que contrarie o discurso pronto de que só com eles e a partir deles é que se têm feito política cultural. Além de ser uma perspectiva estreita, que empobrece a análise, desrespeita as contribuições inegáveis e de valor histórico de Mário de Andrade, quando foi criado o primeiro organismo público que levava o nome Cultura (Prefeitura de São Paulo – 1934), de Gustavo Capanema (criação do MEC), Anísio Teixeira (Escola Parque, dentre outras iniciativas), Aloisio de Magalhães, dentre outros. E nem podemos esquecer que foi durante a ditadura que foram criadas a maioria das instituições governamentais para a área cultural (Funarte, Embrafilme, etc…), ainda que os motivos tenham sido os mais perversos.

  • gil lopes, 19 de dezembro de 2010 @ 21:31 Reply

    O próximo ministro da cultura, seja quem for, poderia se comprometer com um computador para cada aluno e professor do ensino básico, grátis.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *