Muito se fala sobre o Ministério da Cultura e sobre Ana de Hollanda. Creative Commons, Direito Autoral, Ecad, Projetos aprovados na Rouanet, entre outros.

O Ministério completou somente 5 meses, os quais grande parte foram para montar equipe, se inteirar de assuntos, coisas naturais, porém teve que passar a maior parte do seu tempo se defendendo e se virando para arrumar dinheiro e cobrir despesas da gestão passada, do que poder criar algo.

Todos estes assuntos estão em pauta e estão sendo debatidos em exaustão, o Ministério já quitou parte das dívidas atrasadas e caminha com os outros itens.

De tanto falarmos sobre as Leis de Incentivo a Cultura (Rouanet), vem se deixando de lado o incentivo a cultura na maior cidade e estado do Brasil.

LEIS DE INCENTIVO A CULTURA DE SÃO PAULO.
São Paulo vem fazendo um descaso com a área cultural, quem trabalha na área cultural e artística de São Paulo (sem ser os grandes produtores) vive pedindo esmolas.
Enquanto muitos estados e cidades do Brasil caminham para melhoria de suas leis locais de incentivo à cultura como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, entre outras, São Paulo anda cada vez mais para trás.

LEI MUNICIPAL DE INCENTIVO À CULTURA (Lei Mendonça)
A Lei Municipal de Cultura vem ano a ano numa queda vertiginosa, empresas de São Paulo não podem investir em Cultura, devido ao Secretário Municipal de Cultura não gostar de leis de incentivo. O Secretário Carlos Augusto Calil , o qual a maioria desconhece, (devido ao fato de não ouvirmos falar nada sobre a secretaria municipal de cultura, isto porque ele assumiu em 2005) não esconde que não gosta da lei, mas também nunca fez nada que pudesse substituir e vem ano a ano acabando com a lei, dificultando a aprovação dos projetos e afastando as empresas de patrocinarem, como pode se ver no balanço dos investimentos da Lei de Incentivo no Site da Secretaria Municipal de Cultura.

Calil, particularmente é um grande crítico das leis de incentivo, mas não vê que foram as leis que salvaram toda uma cena cultural no Brasil nos últimos 15 anos, e que graças a elas surgiram projetos maravilhosos no Brasil.

Se ele tem problemas pessoais com a Lei ele deveria fazer mudanças criar fundos para fomento à cultura, montar um conselho para aprovação de projetos culturais baseado em interesse público, capacidade do proponente, adequação de orçamento.

Pois enquanto ele esta representando a área cultural e recebendo alto salário pago com nossos impostos a classe cultural da cidade de São Paulo pede esmola.

A prefeitura de São Paulo gasta mais de 8 milhões em apenas um dia na Virada Cultural e no resto do ano praticamente não faz nada, temos que agradecer São Jorge por não ter chovido neste dia e o dinheiro dos contribuintes não ter escorrido pelos esgotos (estes entupidos pela sujeira da Virada). Criando uma falsa ilusão de que as coisas vão indo bem na área cultural.

Neste único dia de trabalho do ano na área cultural de São Paulo, centenas de artistas e produtores atuantes da cena cultural de São Paulo, não trabalham. Em contrapartida a secretaria paga cachês exorbitantes para dezenas de artistas do grande escalão.

PROAC – LEI ESTADUAL DE INCENTIVO A CULTURA
A lei estadual surgiu recentemente e vem sendo a principal ferramenta para realização de alguns projetos culturais.
Porém o proponente enfrenta duzentas dificuldades para aprovação do projeto. Se tornando praticamente impossível aprovar um projeto no Proac, a não ser de grandes peças teatrais.

Quem faz as análises são pareceristas contratados pela Secretaria os quais nunca na vida devem ter realizado qualquer projeto cultural ou chegado perto dos mesmos, reprovam a maioria dos projetos, já analisam procurando  qualquer coisa para poder reprovar, quando não conseguem, solicitam como complementação de informações coisas absurdas, como projeto de cenários, bonecos de livros prontos, cartas de todos os lugares e pessoas imagináveis, entre outras coisas, itens que quem faz projeto sabe que a maioria só é possível de realizar após a captação de recursos haja visto que depende de contratações.

A lei de Incentivo estadual vem se equiparando em dificuldades ao de se ganhar alguns dos principais editais do Brasil como (Petrobras, Natura, Banco do Brasil), conseguir uma aprovação vem sendo um grande desafio, porém não é um edital e nem existem profissionais capacitados para julgarem como tal.

As Leis de cultura servem para facilitar o acesso dos proponentes, produtores, artistas para a realização de projetos e não para selecionar aqueles que agradam aos pareceristas.

A Secretaria de Estado da Cultura deveria deixar claro o que é preciso para aprovar um projeto, parece que partem do princípio que todo proponente é pilantra,  a avalização dos projetos tem de ser imparciais, técnica, seguindo os critérios da Lei e não julgar méritos e valores de acordo com conviccões pessoais dos pareceristas. Neste aspecto e em outros aprendam com a Rouanet.

 


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9Comentários

  • Nany Semicek, 15 de maio de 2011 @ 22:34 Reply

    Chico, e o outro lado da moeda? Ja parou para analisar os projetos enviados e incentivados? Muitos nem chegam a se apresentar, outros cumprem as apresentações sem fazer a menor questão de público, propostas sem argumentos e sem fundamentos para utilizar a verba pública. (Graças que temos, obviamente, projetos – mesmo que poucos – fora desa regra). Prestar contas à União do dinheiro público utilizado é visto como afronta ou descaso!
    Deste modo, que venham mais quantas Viradas sejam necessárias, pois são 8 milhões refertidos em 4 milhões de pessoas, muitos projetos de 200 mil não fazem diferença nem a 200 pessoas! A culpa da falta de gol é do juiz???

  • sonia ferraz, 16 de maio de 2011 @ 8:34 Reply

    O maior problema é o tráfico cultural, projetos culturais apadrinhados e sem qualquer interesse público e social, os produtores têm que fiscalizar e denunciar para que possam receber a fatia do bolo pelo critério da criação .
    sonia ferraz advogada soniamgferraz@hotmail.com

  • antonio gouveia, 16 de maio de 2011 @ 12:06 Reply

    tudo o que foi falado nesta matéria é a mais pura verdade!
    não se consegue aprovar um projeto na secretaria de cultura!
    assim é melhor acabar com a lei e levar junto toda a produção cultural ainda existente em são paulo(devido apenas a lei rouanet).
    como se produz um livro de arte com R$ 100.00,00?? só na china!!

    vamos cobrar uma atitude do nosso governador, que por sinal, sou fâ e elitor!

    vamos fazer da produção cultural em são paulo uma referência para o brasil!!

  • Maria Brambilla, 16 de maio de 2011 @ 13:46 Reply

    Chico, você foi muito feliz em seu artigo.
    É uma descaso, uma vergonha o que vem acontecendo com a cidade de São Paulo e suas leis de incentivo à cultura.
    Pior de tudo, é a aprovação de projetos e propnentes nas leis de incentivo de fora de São Paulo.
    O Calil não fez nada e pelo visto não fará. Ainda querem delegar a este senhor o cargo de Presidente da tal fundação, que estão criando para o
    Theatro Municipal de São Paulo.
    Vergonha, o teatro faz 100 anos e não se sabe qual seu rumo.

    Seria bom que conseguissem explanar ao menos 05 grandes projetos que as Secretárias desenvolveram nos últimos anos na cidade.
    Aprovação dos projetos e dinheiro por lá, só para os amigos.

    esperamos que um dia essa triste realidade mude.

  • Chico Ferreira, 16 de maio de 2011 @ 13:54 Reply

    Se pegarmos os investimentos dos anos anteriores, A Secretaria Municipal de Cultura na gestão do Sr Calil. retirou da área cultural, algo em torno de 20 milhões ao ano, nos últimos 5 anos mais de 100 milhões de reais.

    Graças as Leis de Incentivo que nasceram projetos como Doutores da Alegria, centenas de peças teatrais, festivais, manifestações populares, Circo, exposições, livros, o cinema do Brasil nasceu de novo, entre outros.
    Se existem problemas como dirigismo cultural, apadrinhamento que sejam feitas as mudanças necessárias.

    Que projetos sejam avaliados através de capacidade do proponente, currículo da equipe técnica e artistas, interesse artístico, público à ser atingido, interesse público, democratização do acesso, compatibilidade de valores, consistência do projeto (itens estes que constam na lei).
    Nada justifica ir acabando com a Lei Municipal de Incentivo a Cultura, afastando todos os investidores e jogar qualquer possibilidade de realização de projetos culturais para a Lei Rouanet.

    Nany, nenhum problema quanto a prestar contas, esta discussão surgiu da lei do Fomento ao Teatro, uma solicitação que ela fosse realizada por meio de relatórios das atividades realizadas, fotografias, borderô, entre outros devido a tamanha burocracia e custos que incidem na prestação de contas de um projeto cultural.

    Nada contra a virada cultural, desde que a secretaria municipal de cultura realize outras ações no decorrer do ano. O que não se pode admitir é que no único dia de trabalho do ano na área cultural via secretaria municipal de cultura, a qual contrata diversos medalhões de outros estados deixando de fora centenas de artistas e produtores da cidade de São Paulo que não trabalharam neste único dia e nem no resto do ano.

    Investimentos feitos na Lei Municipal de Incentivo à Cultura
    Balanço dos últimos anos (fonte site da secretaria Municipal de Cultura)
    2010 – R$4.455.313,75
    2009 – R$4.860.602,94
    2008 – R$7.878.812,00
    2007 – R$6.429.569,00
    2005/2006 – R$6.065.000,00
    2004 – R$8.669.000,00
    2003 – R$36.769.000,00
    2002 – R$29.384.000,00
    2001 – R$21.843.000,00

    O papel de um Secretário de Cultura é realizar, criar editais, buscar verbas para a área, lutar por melhorias, fomentar a cultura entre outros.

    È inadmissível um Secretario de Cultural retirar este montante da área Cultural.
    Semelhante a pegar um orçamento da Cultura de 1,5% ao ano e em vez de brigar para que chegue nos 2% devolver dizendo que é muito.

  • Claudia T. Cseri, 16 de maio de 2011 @ 14:14 Reply

    Que lamentável, São Paulo como o estado mais rico está muito fraco em relação aos outros, deixando muito a desejar em muitas áreas. Como cidade cosmopolita deveria dar mais valor a cultura e alcançar todas as metrópoles mundiais em qualidade e apoio cultural. Mesmo assim eu continuo amando minha essa cidade! Quem sabe algum dia acorda….

  • Samantha, 17 de maio de 2011 @ 11:12 Reply

    Chico,

    Você não sabe o que está falando. Não sabe MESMO. Nem você nem os comentaristas aí em cima, com excessão é claro de Nany, que me parece ter cohecimento de causa. É lamentável que uma pessoa que se “acha” formadora de opinião, como é o seu caso, publicar uma matéria da qual não se tem nenhuma base ou fundamento para falar. Você acha realmente que uma Secretaria de Estado contrataria pessoas que NÃO CONHECEM o mercado da qual ela é responsável para fazer análises de projetos? Isso é ingenuidade, meu querido. Você realmente conhece o outro lado da história? Se fosse você, procuraria conhecer. Garanto que você vai se surpreender.

  • Laura, 17 de maio de 2011 @ 13:04 Reply

    Eu concordo com o texto, principalmente no que se refere à Lei municipal, como produtora sei o quanto é difícil conseguir patrocínio para um projeto aprovado na Lei Mendonça, isso porque a lei está abandonada, e as empresas mal sabem do que se trata. Não existe uma política cultural efetiva na cidade. A Virada não pode ser considerada uma, a política cultural deve ter continuidade e integrar/contemplar os diversos segmentos culturais de uma cidade, o que se vê na Virada é uma gastação de dinheiro em 24hs, que ok, leva o público pra o centro (este ano os eventos nas periferias foram quase nulos), gerando a “apropriação” da cidade, em um dia, mas e o resto do ano? Quanto à Lei estadual, não tenho conhecimento de causa suficiente para falar do funcionamento interno, mas sei também como produtora, o quanto é difícil se aprovar um projeto, uma burocracia sem fim, e que parece querer “dificultar” para produtores, fora a vocação natural para patrocínio de “teatros com globais”, mas essa é uma questão mais profunda, que tem a ver com a política de incentivo e sua relação com empresas/mídia.

  • Rudson Marcello, 17 de maio de 2011 @ 15:54 Reply

    Não há na pasta da Secretaria de Cultura de São Paulo, uma só descrição que explique a queda do montante aplicado a cultura.
    Enquanto isso um certo dirigismo parece acometer alguns artístas, que para conseguir a conseção cultural apoiam o governo estabelecido mostrando Escolas e Projetos que vem a reduzir o investimento democrático, que deveria ser transparente.
    Não há o que fazer neste exato momento, pois a cada ano o golpe se realiza com mais proeza e as verbas para investimentos que realmente interessam ao público vão para as mãos dos mesmos grupos que realizam um ciclo vicioso de miséria artística.
    Parece que nada de novo apareceu nos ultimos 20 anos na área cultural. Nossas faltas incluem a dificuldade de diálogo entre os artístas e uma certa concorrencia dos centavos que nos incentivam.
    Os eventos que divulguem a aplicabilidade da pasta de cultura devem se multiplicar, pois com a Copa do Mundo a ser realizada no Brasil, estes mesmos grupos e produtores do alto escalão devem conseguir seus incentivos para mostrar como tudo anda bem no reino da Dinamarca.
    Talvez somente quando os cofres secarem de uma vez é que poderemos ver uma união em torno da idéia de que cultura é um bem máximo e que o partido estabelecido( por 14 anos) somente satiriza nossa cultura e tampa a boca da novidade que pode democratizar nossos interesses.

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