No Brasil para participar da abertura do II Congresso Internacional do Livro Digital, que acontece nesta terça e quarta em São Paulo, o alemão Juergen Boos, diretor da Feira do Livro de Frankfurt, acompanha de perto a preparação do país para ocupar o posto de convidado de honra do maior evento editorial do mundo em 2013.
Por e-mail, Boos conversou com O Globo sobre aqueles que considera os pontos mais importantes deste processo, como a articulação entre editores e o governo e entre o comitê brasileiro e as instituições culturais alemãs.
Um dos principais convidados do congresso promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), Boos elogia o programa de tradução lançado recentemente pela Fundação Biblioteca Nacional (que concederá US$ 7,6 milhões para a publicação de obras brasileiras no exterior até 2020) e diz esperar que a iniciativa ajude a apresentar a cultura do país ao público europeu: “Esperamos ver o Brasil contemporâneo em Frankfurt.”
Como você avalia a preparação do Brasil para o papel de convidado de honra da Feira de Frankfurt em 2013?
JUERGEN BOOS: Os preparativos do convidado de honra normalmente levam dois ou três anos. O Brasil está dentro do cronograma. O mais importante neste ponto é formar um comitê com representantes de editoras e ministérios envolvidos – e é exatamente nisso que todos estão trabalhando a toda velocidade. Também é vital estabelecer um bom programa de bolsas de tradução. Com isso em vista, a Fundação Biblioteca Nacional anunciou que vai alocar a soma de US$ 7,6 milhões para apoiar traduções de obras brasileiras até 2020. É uma ótima notícia para o mercado editorial internacional. O terceiro ponto é estabelecer desde já contatos com museus e outras instituições culturais alemãs, porque a presença do convidado de honra não começa só em outubro de 2013 em Frankfurt, e sim com pelo menos um ano de antecedência. Além da literatura, a arte, o cinema, a música e dança do Brasil serão levados ao público alemão em exposições e festivais. Estes arranjos estão sendo feitos agora.
Já há algo planejado para o pavilhão e a programação do Brasil em Frankfurt?
Ainda não podemos dizer como será a programação, que autores vão a Frankfurt, e como o Brasil vai montar seu pavilhão no coração da feira. Esperamos ter essas respostas no início de 2013. Neste ano, já esperamos ver um aumento significativo do interesse das editoras internacionais pelo Brasil. O estande brasileiro em Frankfurt será bem maior em 2011, sugerindo que os editores brasileiros já estão se preparando para o papel de convidado de honra.
Como você compararia o programa de tradução lançado há pouco pela Biblioteca Nacional e os de convidados de honra anteriores?
O programa de tradução é a base do sucesso de um convidado de honra, porque a meta é promover um interesse sustentável pelo país. Nesse sentido, o Brasil é exemplar, pois está olhando para 2020. Só em 2010, foram financiadas 68 traduções. O convidado de honra de 2008, a Turquia, financiou até hoje a tradução de cerca de 290 títulos em 32 idiomas e 37 países, a um custo de US$ 800 mil. O governo argentino anunciou que 150 títulos serão financiados em 2011 pelo programa “Sur” (lançado por ocasião da presença do país como convidado de honra em 2010).
Como a participação do Brasil em 2013 pode ser diferente da primeira vez em que o país foi o convidado de honra em Frankfurt, em 1994?
O Brasil mudou muito nas últimas décadas. O país está na boca de todos graças ao boom econômico, mas ainda são poucos os que o conhecem pelo lado cultural. Na Alemanha, clássicos como Jorge Amado são os mais conhecidos. Esperamos ver o Brasil contemporâneo em Frankfurt. Queremos conhecer o que há de mais novo na literatura e na cultura do país.
*Com informações de O Globo Online