Reportagem da Agência Brasil informa que a intenção da Agência Nacional de Cinema (Ancine) de aumentar a produção de filmes brasileiros e tornar o país o quinto mercado de audiovisual do mundo esbarra na falta de mão de obra qualificada, especialmente roteiristas e executivos que possam conceber e realizar produções de sucesso, dizem os cineastas.
“A narrativa do filme e o entendimento do business [negócio] são dois aspectos vitais. Não basta a capacidade técnica de filmar. É preciso entender a lógica de produtores, distribuidores e exibidores”, explica o roteirista e produtor Marcus Ligocki.
A opinião é compartilhada pelo diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel. “Para o mercado que queremos, será necessário ter produção mais robusta, mais desenvolvedores de projetos, mais homens de negócio”, disse à Agência Brasil. Para ele, o mercado já tem “massa crítica” e busca cada vez mais fazer filmes com “capacidade de comunicação”.
No mercado brasileiro, Ligocki aponta como profissional de referência José Padilha, diretor de Tropa de Elite e Tropa de Elite 2. “Padilha é um estrategista. Sabia o que queria e como queria fazer. Ele conhece o mercado, tem talento, mantém bons relacionamentos e busca resultado fílmico”, explica.
Na avaliação do diretor de cinema independente Luiz Roberto Menegaz, um dos méritos de Padilha foi ter feito dois filmes de grande sucesso, sem depender de patrocínio oficial. Para ele, ainda falta o país aprender um novo modelo de negócio e incorporar o planejamento de longo prazo.
A produtora Júlia Moraes também critica a dependência dos patrocínios estatais e avalia que o cinema atrelado ao Estado herda ineficiências do setor público e não tem preocupação com resultados. Para ela, há sempre risco do país produzir muitos “filmes inexpressivos”.
A capacitação de mão de obra é uma das diretrizes do Plano de Diretrizes e Metas para o Audiovisual (PDM), elaborado pela Ancine. Entre as metas, a agência quer, em 2020, o funcionamento de 80 cursos superiores em todo o país com foco em audiovisual e 1,6 mil pessoas graduadas ou especializadas na área por ano.
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*Com informações da Agência Brasil