Nos últimos 30 anos as empresas privadas se tornaram agentes econômicos tão poderosos que, em muitos casos, superam a capacidade de investimento do setor público. À medida que as empresas passam a agir positivamente no atendimento a demandas sociais, antes endereçadas ao Estado, acabam por se tornar agentes sociais legítimos em campos que vão da saúde à educação, da infraestrutura à geração de renda e, mais recentemente, na esfera da arte, do esporte e da cultura. Até há pouco vistas como secundárias, ou apenas como indicadores de um certo refinamento pessoal, as experiências culturais e artísticas são cada vez mais entendidas como direitos fundamentais para a formação da identidade e da cidadania, assim como a saúde, a segurança e a educação,

Arte e cultura colaboram para o desenvolvimento de novas capacidades profissionais e criam milhares de novos empregos, com alta capilaridade e remuneração mais alta do que a média de setores econômicos mais tradicionais. Nas sociedades contemporâneas, arte e a cultura ajudam a compor a chamada “economia criativa”, que gera bilhões de dólares em renda, estimula a inovação, favorece os arranjos produtivos locais e contribui fortemente para o crescimento econômico. Arte, cultura, criatividade e inovação estão no centro da chamada “economia do conhecimento” e “representam maneiras totalmente novas de criação de valor para as empresas e para os cidadãos”, nas palavras de Klaus Schwab, criador do Fórum Econômico Mundial.


Sociólogo e jornalista, foi consultor do Itaú Cultural, primeiro editor da Revista do Observatório Itaú Cultural e, desde 2008, dirige o Instituto CPFL, plataforma de investimento social da CPFL Energia.

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