Este livro traz uma análise comparativa das formas de difusão e comercialização do filme nacional no mercado brasileiro contemporâneo, a partir da investigação de diferentes formatos de distribuição: dos filmes feitos com uma grande campanha de lançamento, dos filmes médios, dos filmes de nicho, em que o lançamento é feito com o menor número de cópias e dos filmes que conquistam o mercado externo antes de iniciar sua carreira comercial nacional.
Com este intento, foram utilizados como objeto de estudo cinco filmes lançados em 2005: Dois filhos de Francisco, de Breno Silveira; Cabra-cega, de Toni Venturi; Casa de areia, de Andrucha Waddington; Cidade baixa, de Sérgio Machado; e Cinema, aspirinas e urubus, de Marcelo Gomes.A escolha dos filmes analisados na obra seguiu a importância de cada um deles no mercado nacional em relação aos seguintes itens: orçamento, renda de bilheteria, total de espectadores, média de frequência do público por número de cópias, total de cópias disponibilizadas para o lançamento (fator importante para um estudo comparativo, pois o número de cópias é um dos itens determinantes do orçamento para distribuição e de como ele será inserido no mercado).
O subcapítulo “A globalização e o território cinematográfico brasileiro” traz uma reflexão sobre o tema, tentando analisar quais são as diversas faces que a globalização apresenta para a sociedade no que diz respeito ao acesso à cultura (acesso versus exclusão).
Posteriormente, em “A democratização dos bens culturais”, é analizado os dados disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes aos investimentos governamentais na facilitação do acesso à cultura, expondo o gasto médio do brasileiro com este tipo de bem, de acordo com a despesa mensal familiar. Com esses dados foi possível ter elementos para identificar qual é o perfil do “consumidor de cultura no Brasil” e quais são as razões para o desigual acesso à cultura.
O terceiro item do capítulo, é exposto os elementos institucionais que conformam o mercado nacional, discorrendo sobre a criação e extinção da Embrafilme e posterior criação da Ancine (“Embrafilme e Ancine – Instituições cinematográficas brasileiras”). A partir dessa breve revisão histórica, é possível afirmar que o Estado deixa de ser “ator” para se tornar “gestor”, ou seja, deixa de agir diretamente no mercado cinematográfico brasileiro, por meio de sua empresa estatal, para assumir a forma de um órgão responsável pela mediação, regulação e fiscalização dos agentes que atuam no mercado nacional. A análise das duas instituições é feita de forma comparativa, para que seja possível visualizar suas diferenças e complementaridades.
No sétimo capítulo, “O modelo de mercado brasileiro”, é descrito como o mercado cinematográfico nacional está sendo organizado contemporaneamente, a partir das mudanças ocorridas com a criação da Ancine e das leis de incentivo, tentando identificar as rupturas e continuidades no modelo de negócio brasileiro. Na sequência, em “O espaço cinematográfico”, há uma breve descrição de como se articulam os eixos produçãodistribuição- exibição, dando especial atenção ao modo como são constituídas as operações comerciais e como são negociados os percentuais incidentes sobre a arrecadação obtida na comercialização dos filmes nas salas de cinema.
Na segunda parte, “Distribuição: a ponte entre a ideia e o espectador”, é discutido como foram pensadas e estruturadas as campanhas publicitárias e de lançamento dos filmes já mencionados. Cada item do capítulo é dedicado a um filme, onde é construído uma análise comparativa para salientar as particularidades de cada lançamento e os pontos de identificação entre os filmes.
Sobre a autora: Hadija Chalupe da Silva graduou-se em Imagem e Som, em 2004, na Universidade Federal de São Carlos. É mestre e doutoranda do Programa de Pós-graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense. Dedica-se às áreas de educação e cinema, com ênfase em produção cinematográfica, e atua como produtora executiva e diretora de produção. Foi assistente de produção executiva no longa-metragem Luz nas trevas – a revolta de luz vermelha (2010), de Helena Ignez e Ícaro Martins, e produtora do curta-metragem A Profecia de Asgard (2010), de Giu Jorge, premiado pelo Ministério da Cultura.
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