Já abordamos aqui a fragmentação do conhecimento no ambiente escolar e como ela vem desestimulando alunos e empobrecendo a educação há séculos. O pesquisador, realizador audiovisual e consultor – entre outras atribuições – André Martinez tem um nome para esse modelo: pensamento binário.

De acordo com ele, o pensamento binário é o responsável por aprendermos que existe uma disciplina para solucionar cada tipo de problema e não pensarmos nas inter-relações entre os assuntos. “Costumamos ponderar a partir de uma lógica ‘ou/ou’. Ou certo ou errado, ou amigo ou inimigo, ou idealista ou prático etc”, afirma. Por isso, conceitos como “sucesso comercial e rigor artístico” e “viabilidade econômica e sustentabilidade socioambiental” soam como antíteses a nossos ouvidos.

Martinez explica que existe toda uma área disposta a pesquisar um modelo baseado em outra dinâmica. A “dinergia” postula sobre a harmonia que nasce do caos. O conceito foi desenvolvido pelo arquiteto húngaro György Doczi, enquanto procurava entender a unidade  entre as formas geradas pelos movimentos da natureza, como em galáxias, nas ondas do mar e nos girassóis.

A Análise Dinergética, portanto, a qual Martinez se propõe a lecionar, é a análise dessas forças opostas, que podem gerar harmonia e constituir uma energia criadora e transformadora nos empreendimentos. “E uma vez conhecidas e compreendidas estas forças opostas e suas inter-relações, pode-se aplicar o Planejamento Complexo, uma forma de planejar a gestão empreendedora a partir de uma lógica multidisciplinar”, comenta.

O planejamento de projetos culturais deveria ser pensado de acordo com a lógica do planejamento complexo, segundo o pesquisador. Ele pondera que as iniciativas da área têm múltiplas dimensões, por isso não devem ser pensadas exclusivamente de um viés mercadológico.

“(Tratar os projetos) exclusivamente como objetos mercadológicos, comerciais, em minha opinião, é um equívoco, eu vejo como uma espécie de esterilização, que rouba a fertilidade dos empreendimentos”, defende.  “O planejamento complexo, entretanto, por ser inclusivo, não deixa de lançar mão também dos instrumentos tradicionais de análise e planejamento, mas se apropria deles em diálogo com outras possibilidades”.

Mas, como fazer com que as empresas patrocinadoras entendam essa dinâmica? “Os empreendedores, que são a energia que move todo o ciclo, precisam incorporar e disseminar novos repertórios e abordagens, é a única forma de consolidar novas perspectivas públicas e privadas”, informa Martinez. “(É preciso) ter em mente que os empreendimentos são muito mais complexos que os instrumentos disponíveis para planejá-los e respeitar a enorme margem de erro que isso representa”.

Formação – O foco de Martinez no momento é capacitar os empreendedores para essa nova lógica, de sustentabilidade do empreendimento sociocultural e criativo. Na próxima semana, ele ministra aula sobre o assunto na Jornada Gestão Cultural do Cemec, que começa na terça-feira (10/7).

O curso prepara profissionais para o novo contexto do mercado cultural brasileiro, a partir de quatro eixos: planejamento complexo, ferramentas de gestão, comunicação e  indicadores culturais.

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A entrevista completa de André Martinez ao Cemec está disponível aqui.


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