O acesso cada vez maior do público aos meios de produção e difusão digital é um assunto que vai interferir de maneira definitiva em nosso cotidiano, revisando e recompondo dinâmicas socioculturais. Dois exemplos disso podem ser co-relacionados. O primeiro deles é o estupro de uma menina de 15 anos em Joaçaba (SC) por três rapazes, que gravaram as cenas e transmitiram via internet. A segunda diz respeito ao projeto de uma artista norte-americana de instalar uma webcam no lugar do seu olho para registrar cenas cotidianas.
A artista americana Tanya Vlach, que perdeu um olho em um acidente de carro durante a passagem do furacão Katrina, procura um substituto diferente e inusitado para seu globo ocular: uma câmera de vídeo digital para filmar momentos de sua vida.
Tanya usou seu blog para pedir ajuda de engenheiros que possam ajudá-la a criar uma webcam em miniatura, que possa ser adaptada a diferentes tipos de luzes e foco.
Tanya deseja que seu olho biônico tenha conectividade Bluetooth, zoom ótico de 3X, capacidade para fotografar e uma entrada para cartão SD de 4 GB. Com todo este aparato, a artista de San Francisco quer poder filmar sua vida como se fosse um programa de TV, a partir de sua própria perspectiva.
A mulher de 35 anos se considera uma “multi-artista” e é autora de trabalhos de artes visuais, artes cênicas, música e literatura. Fã declarada de ficção científica, traçou um paralelo de sua idéia com o conceito popular de ciborgues e disse que sua idéia não é espiar ou invadir a privacidade de outras pessoas.
Em contato com o jornal New York Daily News, especialistas disseram que a tecnologia existe e seria possível criar uma câmera sem fio com as dimensões de um globo ocular, se comunicando com um smartphone que então enviaria o sinal a outra pessoa, a um estúdio de TV ou computador.
Fontes: Folha de São Paulo e Magnet