O sucesso do Android como sistema operacional para smartphones traz à tona um problema discutido há bastante tempo: a grande quantidade de aplicativos pirateados. Resultado direto da abertura da plataforma, que torna mais fácil burlar restrições e instalar recursos gratuitamente.

O problema não é novo. Embora em 2010 a Google já tenha adotado medidas para dificultar tal prática, a popularidade do sistema entre usuários corporativos e desenvolvedores torna o caso ainda mais urgente, à medida que aplicações piratas roubam a receita e o incentivo de permanecer comprometido com o Android.

“É muito simples. Se você publicar um aplicativo no Android Market, em breve ele estará disponível para download gratuitamente também fora dela. Esta é a parte negativa de ter um ambiente aberto. Até agora, os mecanismos de proteção contra cópias se mostraram ineficientes”, analisou o blogueiro Mark Murphy, especialista na plataforma Android.

Um desenvolvedor conhecido como Chimaera relatou recentemente que sua primeira aplicação havia sido pirateada menos de um mês após a publicação. Segundo ele, as estatísticas do download ilegal foram mais impressionantes do que o da versão original.

Afinal, o que poderia ser mais irritante para desenvolvedores profissionais do que assistir à queda nas vendas de seus aplicativos legais enquanto crescem as taxas de downloads piratas?

Embora muitos argumentam que a pirataria está mais agressiva em países no qual o Android Market ainda não está disponível, uma pesquisa recente da empresa Keyes Labs sugere que isso pode não ser verdade. A companhia criou uma metodologia para acompanhar a quantidade de downloads de seus aplicativos e determinar quais eram piratas.

“Ao longo de 90 dias, o aplicativo foi instalado 8.659 vezes. Destes, apenas 2.831 foram legais, o que representa uma taxa de pirataria global de mais de 67%. O país que mais contribuiu com esse índice foi de longe os Estados Unidos, com 4.054 ou cerca de 70% de todas as instalações indevidas”. Conclusão: de cerca de 6 mil downloads ilegais, apenas 14% eram de países sem a loja online.

Em julho de 2010, a Google anunciou o novo serviço de licenciamento disponível via Android Market. A mudança foi bem recebida, mas ainda há um longo caminho a percorrer.

“A Google está bem ciente do problema e liberou alguns recursos para proteção dos apps. Contudo, eles podem ser facilmente burlados”, disse Jean Gareau, fundador da companhia de software VidaOne.

Como resposta, a gigante de buscas prometeu melhorias contínuas e delineou uma estratégia multifacetada de todo o serviço de licenciamento para combater ainda mais as práticas ilegais.

Mas os desenvolvedores podem tornar muito mais difícil a criação de cópias, combinando um conjunto de técnicas, aconselha o engenheiro do Android, Trevor Johns, em um recente post no blog. “Ofuscar o código, modificar a biblioteca de licenciamento para se proteger contra técnicas tradicionais de quebra de licença, projetar o aplicativo para ser inviolável e oferecer validação de licença por um servidor confiável”, comentou ele.

Gareau não está tão convencido dos benefícios da prática de ofuscar o código e citou outras medidas. “Uma delas é oferecer uma versão gratuita e limitada. A ideia seria deixar os clientes testarem o recurso para poderem opinar se é ou não o que eles querem. Assim eles estarão mais dispostos a pagar por ele”, argumentou.

Outra maneira, segundo ele, seria fornecer uma maneira de detectar se o app foi adulterado, por exemplo, pela remoção dos controles de licenciamento, que poderiam ser estruturados para interromper ou atrapalhar o funcionamento do app pirata.

Outras medidas: implementar o regime de licenciamento do Java para aplicativos vendidos no Android Market, de modo que as pessoas que solicitaram e receberam o reembolso de um app não possam continuar a utilizar o recurso ou comercializá-lo em um canal de revenda alternativos, como www.handango.com.

“Estas possibilidades não são definitivas, mas podem ajudar a evitar a pirataria”, diz Gareau.

*Com Informações da IDG Now!


contributor

Atriz, pós-graduada em gestão da cultura.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *