Em junho, a cidade de São Paulo recebeu a segunda edição da Virada Sustentável (da qual falamos aqui), com o objetivo de incentivar o debate acerca do tema e apresentar iniciativas que, mesmo em meio a um ambiente tão adverso (leia-se: o maior aglomerado urbano da América Latina), conseguem subverter a dinâmica de depredação ambiental e consumo.
Entre tantos projetos bacanas, estava a PermaCasa Vila Viva, coletivo que visa ser um exemplo do uso de tecnologias e comportamentos sustentáveis na prática. Ela existe como tal desde novembro do ano passado, por iniciativa da Associação Aliança Luz, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), com ênfase em desenvolvimento socioeconômico e progresso humano sustentável.
Localizado em uma vila no bairro da Mooca, na Zona Leste de São Paulo, o projeto visa compartilhar o conhecimento acerca do tema entre seus moradores, convidados e a comunidade. “Queríamos mostrar que é possível fazer algo como uma residência sustentável na cidade e possibilitar que a sociedade participasse disso”, afirma Vanessa Fenyves, nutricionista que divide o espaço da PermaCasa com mais três pessoas, duas arquitetas e um engenheiro ambiental.
Em março deste ano, eles começaram a se dedicar mais intensamente aos cursos oferecidos pela casa. Nestes quatro meses, promoveram uma oficina de compostagem urbana (transformação do lixo orgânico em adubo), um workshop de utensílios de bambu e pequenas estruturas e um curso que ensina a captar água da chuva, entre outras atividades.
De acordo com Vanessa, uma boa parte do público que participa dos projetos é formada por pessoas da comunidade. “Existem iniciativas parecidas em São Paulo, mas a diferença é que estamos instalados numa vila e podemos e queremos interagir com as pessoas através deste espaço”, diz. Com o interesse do público e das atividades, veio a necessidade de expandir o projeto, foi quando a equipe envolvida com o projeto decidiu alugar a residência ao lado.
Para ajudar a financiar os custos eles levaram a ideia ao site de crowdfunding Movere e ativaram suas redes de amigos, parceiros e simpatizantes. “A princípio, tentávamos sustentar o projeto com os cursos, mas um amigo sugeriu o crowdfunding. A partir daí, falamos com muita gente, fizemos bastante divulgação”, conta Vanessa. A operação foi um sucesso e o projeto conseguiu superar a meta, arrecadando mais de R$ 10 mil.
Com a grana em mãos, a expectativa é de que mais pessoas possam entrar em contato com a inciativa e espalhar a ideia de sustentabilidade pela cidade. “É um trabalho coletivo, uma casa onde todos podem participar”, explica Vanessa.
A PermaCasa Vila Viva acaba de divulgar a programação de agosto. Para saber mais sobre o projeto e os cursos, acesse www.permacasa-vilaviva.blogspot.com.br.
Formação – Se você tem interesse em saber como funciona o processo de financiamento coletivo, desde as origens do modelo até a concepção da campanha, o Cemec vai promover o curso Crowdfunding, de 20 a 29 de agosto. As aulas serão ministradas por Diego Reeberg, do Catarse, e Vanessa Oliveira, do Movere.
Mais informações sobre a programação e inscrições estão disponíveis em www.redecemec.com.