Sites de crowdfunding têm sido cada vez mais procurado por pessoas que têm bons projetos de cunho social e que não teriam como viabilizá-los se não fosse o apoio de outras pessoas que também acreditam na causa.

Hoje vamos falar sobre dois exemplos, em processo de captação no Movere. O primeiro, Alma de Batera, foi lançado pelo baterista e pedagogo Paul Lafontaine. Ele já tinha feito alguns trabalhos voluntários em fundações que atendem pessoas com necessidades especiais e, com isso, veio uma vontade enorme de trabalhar com esse público. Mas faltava a formação.

“Fui atrás da formação básica (faculdade de Pedagogia) e, em 2008, coincidentemente surgiu a oportunidade de dar aulas para quatro alunos com deficiência. Nunca soube de aulas específicas para eles, então pra mim foi interessante começar um trabalho pouco executado”, conta.

Além de interessante, foi um desafio. Paul não queria que fosse musicoterapia, mas aula mesmo. Então começou um trabalho dentro de um estúdio e, no final do mesmo ano, já eram nove alunos. “Percebi que poderia ir longe com a idéia e que havia demanda. Fui oferecer minha idéia para outras instituições e elaborar pequenas vivências dentro delas. Esse período foi fundamental para melhorar minha forma de abordagem e aprendizagem. Em 2010, participei de um edital da prefeitura e comecei a trabalhar como oficineiro com o projeto, onde estou até os dias atuais, oferecendo oficinas para duas turmas todas as quartas-feiras na Lapa, em São Paulo.”

Futuramente, Paul pretende fazer uma pós-graduação em Psicomotricidade, para poder estudar melhor o comportamento e trabalhar melhor os resultados das aulas.

Faltando 40 dias para o projeto sair do Movere, ele arrecadou cerca de R$ 6 mil – dos R$ 22 mil pretendidos para abrir duas novas oficinas em São Paulo, cada uma com duas turmas, totalizando 24 alunos com aulas semanais durante um ano.

Paul acredita que ainda existe dificuldade para as pessoas apoiarem esse tipo de projeto, mesmo com uma divulgação bem feita e com bastante tempo para passar a informação sobre colaboração e contribuição. “Acredito que o contato direto com a pessoa com deficiência ainda é a melhor forma para obter uma maior empatia com o trabalho feito pelo projeto e, assim, conseguir a contribuição financeira necessária. Ainda existe muito preconceito em relação à capacidade das pessoas com deficiência”, afirma.

Para ele, independente do tipo de trabalho educativo promovido, formal ou complementar, o crowdfunding é uma forma muito eficaz de conseguir a colaboração de uma pessoa e aproximá-la da realidade do que está sendo feito e oferecido na plataforma de contribuição. “É fugir daquele sentimento de ‘fiz minha parte’ e trazer o sentimento ‘faço parte’.”

Enchentes – A cada ano vemos o alto número de pessoas atingidas por inundações em todo o país. Quadras, igrejas, clubes, escolas e até estábulos são usados para a acomodação das famílias afetadas, na maioria das vezes sem condições suficientes para suportar o grande número de pessoas. Colchões são colocados diretos no chão, refeições são preparadas em superfícies improvisadas, crianças brincam próximas a animais e pertences ficam espalhados pelo local.

Amanda Yuli e Carolina Ribeiro são formadas em Desenho Industrial pela Universidade São Judas Tadeu e tinham como preocupação como ajudar as pessoas por meio da sua profissão. Ao conhecer a situação da população em meio aos desastres no Sul do Brasil em 2008, projetaram o Mobiliário Emergencial, com o objetivo de proporcionar às pessoas um mínimo de conforto e dignidade quando deslocadas para abrigos.

Produzidos em polipropileno corrugado, são 100% recicláveis e montáveis sem auxilio de ferramentas. Com os R$ 98 mil que pretendem arrecadar no Movere, elas querem produzir 1000 camas com porta-objetos a serem doados nesses locais.

“Ainda falta muito para que as pessoas se sintam à vontade de colaborar com pessoas nessa situação. Por exemplo, mais de 200 pessoas ‘curtiram’ o projeto no Facebook através do Movere.me, mas apenas 25 contribuiram financeiramente. Inúmeras pessoas nos parabenizam pelo projeto, mas acredito que lá no fundo não sentem essa real vontade de ajudar. Outras até se comprometem a colaborar, mas quando tivesse no ‘finalzinho’ do valor total”, conta Carolina.

Elas estudaram toda a situação durante dois anos através de jornais, revistas, vídeos, reportagens, internet e depoimentos de vítimas. Segundo a Defesa Civil – com quem já estão em contato para a distribuição das camas -, a cidade de São Paulo não possui abrigo próprio. Todos os lugares são improvisados em caso de enchente, sendo mais comuns igrejas, quadras, clubes.

“Gostaríamos que as pessoas percebessem o quanto é bom ajudar as pessoas e como podemos fazer a diferença”, diz Carolina. O protótipo foi feito manualmente e elas precisam do apoio financeiro para a produção em grande escala.

Como fazer – Se você também tem um projeto desse tipo e quer que as pessoas fiquem mais sensibilizadas a apoiar, o Cemec promove, de 19 a 25 de junho, em São Paulo, o curso Crowdfunding – Financiamento de Projetos em Redes Colaborativas.

Com coordenação de Vanessa de Oliveira, do Movere, e aulas dela e de Diego Reeberg, do Catarse, o curso compreende todo o processo do financiamento coletivo de projetos, através dos módulos: Mercado, Projeto, Recompensa e Campanha.

Clique aqui para ver o programa completo e se inscrever.


Jornalista, foi diretora de conteúdo e editora do Cultura e Mercado de 2011 a 2016.

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