Ao longo do século XIX, indivíduos e grupos negros letrados criaram espaços na imprensa para tratar dos assuntos que consideravam importantes e expor suas ideias sobre os rumos do país. Experiências cotidianas e variadas de enfrentamento do racismo, a criação de redes de sociabilidade e o uso de instrumentos legais para promover a cidadania foram registradas nas páginas de jornais assinados por “homens de cor” e dirigidos a eles.
No livro Imprensa negra no Brasil do século XIX, quinto volume da Coleção Consciência em Debate, a historiadora Ana Flávia Magalhães Pinto resgata títulos da imprensa negra oitocentista publicados em cidades e períodos diferentes. Pioneira, a obra aborda a experiência da liberdade e da cidadania, destacando a utilização da imprensa como um instrumento de resistência negra em pleno sistema escravagista.
Dividido em quatro capítulos, o livro apresenta um panorama dos jornais e revela a atuação de um razoável número de negros letrados capazes de gerar e absorver as ideias emitidas nos periódicos, além de disseminá-las entre os pares iletrados.
O primeiro capítulo aborda o material dos pasquins negros publicados no Rio de Janeiro de 1833, no período regencial. O segundo capítulo traz o exame da vasta argumentação do impresso acerca de assuntos de interesse da população negra local. A democracia racial em nome do progresso da pátria é o tema do terceiro capítulo, que traz dois exemplares da imprensa negra paulista: os jornais A Pátria e o Progresso. No último capítulo, a autora fala sobre o primeiro jornal negro do Rio Grande do Sul, iniciado em 1892, destacando a multiplicidade das questões tratadas como alvo de grande interesse para a população negra gaúcha.
Sobre a autora: Ana Flávia Magalhães Pinto nasceu em Planaltina, Distrito Federal, em 1979. Graduou-se em Comunicação Social/Jornalismo pelo Centro Universitário de Brasília (2001), concluiu o mestrado em História pela Universidade de Brasília (2006) e atualmente é doutoranda também em História pela Universidade Estadual de Campinas, desenvolvendo pesquisa sobre experiências de intelectuais negros na imprensa brasileira do século XIX. É colunista do jornal Ìrohìn.