Na última semana foi lançado mundialmente o projeto Pond5 Domínio Público, uma biblioteca de conteúdo em domínio público gratuita feita especialmente para profissionais do audiovisual. A coleção inicial reúne 10 mil clipes de vídeo, 65 mil fotos e centenas de gravações em áudio e imagens em 3D.

pond5“Por muitos anos, todo esse conteúdo incrível de domínio público esteve trancado e inacessível para o produtor médio de conteúdo”, diz o co-fundador e CEO do Pond5, Tom Bennett.

A coleção conta com cinco mil clipes inéditos, digitalizados diretamente da Biblioteca Nacional de Washington D.C. Outros destaques da coleção são as imagens do filme “Le Voyage dans la Lune” de George Meliés de 1902, Jogos Olímpicos de Helsinki de 1952, Guerras Mundiais, lançamento de foguetes da Nasa, de estações espaciais, discursos de personagens históricos como Winston Churchill e John Kennedy, performances completas de obras de compositores como Beethoven ou Chopin.

Criado em 2006, com sede em Nova Iorque e escritórios em Genebra na Suíça e Praga na República Tcheca, o Pond5 é um espaço para artistas e criadores de mídia comercializarem seu conteúdo, oferecendo um extenso acervo de vídeo royalty free, além de mais de 19 milhões de mídias criativas como fotos, ilustrações, músicas, efeitos sonoros, after effects e 3D.

Em entrevista ao Cultura e Mercado, o gerente de conteúdo e produção do Pond5, Lucas Maciel, fala sobre o processo de organização do conteúdo, os entraves jurídicos e como funciona o serviço.

Cultura e Mercado – Como e quando surgiu a ideia de criar uma biblioteca com materiais em domínio público para profissionais do audiovisual?
Lucas Maciel – Nós já desejávamos fazer algo assim desde a criação da empresa, só não tínhamos os recursos para concretizar a ideia até recentemente. O Pond5 sempre teve por objetivo criar um mercado justo e completo de recursos criativos, então, se você continuar por essa linha, vai perceber que é evidente que o Domínio Público deve fazer parte disso. Além do mais, como boa parte da empresa é composta justamente por profissionais de audiovisual, nós conhecíamos bem a dificuldades de se encontrar esse tipo de material para nossas produções. Em geral, só existiam três opções: 1) se aventurar por sites gratuitos onde a usabilidade é terrível e a confiabilidade quanto ao verdadeiro status legal dos itens é duvidosa, 2) recorrer a site confiáveis mas que cobram caríssimo por esse serviço ou 3) contratar um pesquisador ou ir pessoalmente a uma instituição como o Arquivo Nacional dos Estados Unidos para dedicar inesgotáveis horas à busca do material. Tudo isso nos parecia absolutamente antinatural: se algo está no domínio público, deveria estar disponível e acessível a todos nós, já que, afinal de contas, pertence a todos nós.

CeM – O processo para colocar o site no ar foi muito trabalhoso? Como foi feita a pesquisa?
LM – A aquisição de conteúdo foi bastante trabalhosa e cuidadosa. Em primeiro lugar buscamos fontes confiáveis e reputáveis – como o Arquivo Nacional do Estados Unidos e a Biblioteca do Congresso – onde sabíamos que havia muito conteúdo interessante. Partimos então para a busca in loco: visitamos as instituições, vasculhamos horas e mais horas de filmes em película 35mm, e então digitalizamos em 4K ou em Full HD aquilo que consideramos mais interessante para os profissionais de audiovisual. A partir daí começamos o processo de preparação para o site, que segue mais ou menos a seguinte ordem: 1) repartimos todos os arquivos digitalizados em clipes individuais. Isto é, sempre que havia um corte no filme, criamos um clipe novo; 2) adicionamos manualmente metadados descritivos a cada um dos subclipes, que inclui título, descrição, palavras-chaves e toda informação relevante para o usuário, tanto do ponto de vista técnico e histórico quanto visual e subjetivo. Isso permite que ele encontre exatamente aquilo que procura, ao invés de fazer uma busca por um tema geral como “I Guerra Mundial” e dedicar horas a fio até encontrar a cena ideal para o seu projeto.

E isso é só o processo para os vídeos. Pesquisamos também centenas de instituições do mundo inteiro em busca daquelas cujos termos de uso permitiam a disponibilização de seus arquivos de áudio, imagens e modelos 3D para que nossos usuários os utilizassem sem infringir qualquer restrição. Em média, de cada cinco instituições, apenas uma cumpria os requisitos do que consideramos seguro para o usuário.

CeM – A legislação sobre domínio público é controversa em todo o mundo. Como vêem isso? Tiveram algum tipo de entrave jurídico?
LM – Sim, esse é de fato um tópico controverso. Nós adotamos uma abordagem conservadora e fizemos uma pesquisa criteriosa para determinar que todo o conteúdo que disponibilizamos através do projeto esteja em domínio público de acordo com as leis dos Estados Unidos. Acreditamos que nossa seleção evite problemas em várias partes do mundo. Mas não podemos garantir que será assim em todos os países. Preparamos esse vídeo para explicar melhor os detalhes legais relativos ao uso de conteúdo em domínio público: s://bit.ly/1wJjCFp (o vídeo tem legendas em português).

CeM – Na prática, como funciona a plataforma? Quem pode usar e como?
LM – É muito simples: Qualquer pessoa pode acessar a plataforma. Basta entrar em www.pond5.com/free (ou www.pond5.com/pt/free para a versão em português), digitar as palavras chaves no campo de busca e navegar pelos resultados. Você pode segmentar seus resultados através de nossos filtros de busca avançada de modo a explorar apenas um determinado tipo de mídia (vídeo, fotos, músicas, efeitos sonoros ou modelos em 3D), determinada resolução de vídeo, e modificar as palavras chaves até encontrar aquilo que deseja. Daí então é arrastar o item desejado para o seu carrinho e prosseguir com o checkout normalmente, como se faz com qualquer outro item do site. Se seu carrinho contiver apenas itens de domínio público, não há necessidade de fazer qualquer pagamento. Basta criar seu cadastro gratuitamente no site.

É possível também explorar a seção Tesouros do Domínio Público, onde criamos coleções especiais com o melhor do acervo. Além disso, você pode criar também suas próprias coleções de mídias favoritas, tanto de domínio público quanto de nossos contribuidores, e compartilhá-las em redes sociais, sites e blogs.

Esperamos também que, ao explorar o acervo de domínio público, mais pessoas descubram também a comunidade de artistas do Pond5, se familiarizem com nossa plataforma e, caso sejam também criadores de mídia, passem a disponibilizar seus conteúdos para venda no site. Este é definitivamente um passo importante na construção do mercado justo e completo a que visamos. Estamos muito felizes com a recepção do Projeto Domínio Público até agora, e com certeza teremos ainda mais por vir daqui em diante.


Jornalista, foi diretora de conteúdo e editora do Cultura e Mercado de 2011 a 2016.

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