Nos próximos dias 2 e 3 de junho, São Paulo recebe a segunda edição da Virada Sustentável, evento que promove por toda a cidade atividades relacionadas ao tema. A novidade para este ano é a parceria entre a inciativa e o site de crowdfunding Movere, que abre espaço para sete projetos na luta para conquistar financiamento e fazer parte da programação da Virada deste ano.

André Palhano, idealizador do evento com Mariana Amaral, diz que o tema tem tudo a ver com a plataforma. Para ele, a ideia de democratizar o processo de financiamento, tirando-o exclusivamente da dependência de uma empresa investidora está na essência da ideia de sustentabilidade. “O sonho é que um dia a virada inteira seja financiada por crowdfunding”, afirma.

A ideia do evento surgiu da vontade dos organizadores de tirar da sustentabilidade a pecha apocalíptica e mal-humorada que eles viam quando se falava sobre o assunto. Para subverter a situação, eles decidiram expor o tema sob um olhar mais lúdico, tendo a arte como mediadora.

Assim nasceu a primeira edição da Virada Sustentável, em 2011. O projeto reuniu 482 atrações em diversos locais da cidade e teve cerca de 500 mil visitantes durante o fim de semana em que ocorreu. “Apenas catalizamos uma necessidade que estava ali”, explica Palhano sobre o sucesso da iniciativa.

Neste ano, os idealizadores pretendem que a Virada se expanda, chegando até as áreas mais periféricas da cidade, Centros Educacionais Unificados (CEUs) e instituições culturais. “Este foi um dilema que vivemos no ano passado. Queremos que o evento se espalhe muito mais por São Paulo”, conta.

Projetos – Cada um dos sete projetos que pedem ajuda do público para integrar a programação da Virada Sustentável 2012 aborda o tema de maneira distinta.

Para o artista visual Rage, as pessoas só tem uma visão real do problema quando são confrontadas por ele ou o vivenciam diretamente. Por isso, o designer criou o projeto Enfermos, que vai intervir na paisagem de São Paulo, colocando esparadrapos gigantes e equipamentos de soro em árvores por toda cidade.

“Acho importante as pessoas se darem conta de que o mundo é feito de natureza, e não de cidades. Tendo isso em mente acho que a preocupação em degradar cada vez menos a natureza vem naturalmente”, afirma Rage.

Motivação semelhante levou os artistas de rua Biofa, Tgui e Zéis a desenvolver a inciativa O Brasil é um Papelão, que produz arte a partir de materiais dispensados na coleta de lixo.

Durante a Virada, o trio pretende promover uma exposição com as obras criadas a partir desses materias, pondo em xeque sua inutilização. “Queremos deixar claro questões sociais além da arte”, afirma Adriana Yuki, uma das organizadoras do projeto.

O público também pode escolher financiar uma série de oficinas de sensibilização e conscientização ambiental, que será oferecida pela Morada da Floresta, espécie de eco-residência que sedia cursos e fornece produtos e serviços voltados às práticas sustentáveis.

Entre as atividades ecológicas previstas para o final de semana estão uma oficina de horta urbana e um almoço orgânico vegetariano. Para as crianças, o grupo irá oferecer oficinas de arte ecológica, plantio e pintura, e confecção de brinquedos e intrumentos musicais reciclados.

Cláudio Spínola, idealizador da Morada da Floresta, diz ser otimista quanto às discussões sobre sustentabilidade. “A cada dia que passa mais se fala e se discute sobre esse assunto”.

Carroça “tunada” – Agentes importantes no processo de coleta e reciclagem do lixo, os catadores também serão agraciados nesta edição da Virada Sustentável. O projeto Pimp My Carroça, cujo nome faz alusão a um programa de TV que dá um upgrade em automóveis usados, pretende contemplar 50 catadores com a recauchutagem completa de seus instrumentos de trabalho.

Em um pit stop montado na rua, as carroças passarão por uma reforma estrutural, recebendo equipamentos de segurança (como retrovisores e faixas reflexivas) e a arte de grafiteiros. Os pilotos também desfrutam do evento. A eles serão oferecidas camisetas do projeto, uma refeição caprichada, consulta com um clínico geral e com oftalmologista e um papo com um especialista em dependência química.

Além de apoiar o projeto no Catarse e ajudá-lo a tornar-se realidade, o público também é convidado a enviar sugestões de frases que possam ilustrar ainda mais os veículos dos catadores, através do e-mail pimpmycarroca@gmail.com.

De acordo com o artista de rua Mundano, idealizador da iniciativa, serão cerca de 200 pessoas trabalhando durante o evento. Sobre o trabalho conjunto tanto na execução do projeto quanto em seu financiamento, ele comenta: “Acho que a sociedade está começando a sacar que a transformação será feita por pessoas agindo coletivamente”.

Para saber mais sobre a Virada Sustentável, acesse o site www.viradasustentavel.com.

Curso – Entre os dias 18 e 27 de junho, o Cemec promove o curso Crowdfunding, voltado a quem tem interesse em desvendar o processo de financiamento coletivo, da criação à campanha de divulgação. As aulas serão ministradas por Vanessa de Oliveira, do Movere, e Diego Reeberg, do Catarse.

Para mais informações sobre programação e inscrições, clique aqui.


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Jornalista, foi repórter do Cultura e Mercado de 2011 a 2013. Atualmente é assessor de comunicação da SPCine.

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