Quem gostaria de transformar seus momentos de inspiração e ideias em milhões de reais (Brasil), euros (Portugal e Espanha), pesos (Argentina, Colômbia e México) ou zlóti (Polônia)? Claro que essa é uma pergunta retórica e pode-se até ouvir um ecoante e unânime “EU”. Infelizmente nem todos tem o toque de Midas ou sabem e têm os recursos certos para multiplicar dinheiro.

Nem todos! Mas existe um grupo pequeno formado por alguns empreendedores que aparentemente sabem fazer isso muito bem no mundo da música. Este é o caso do clã Medina, de origem judaica, que começou sua história há três gerações com Abraham Medina, pai do presidente do Rock in Rio, Roberto Medina. O perfil empreendedor e ousado, misturado um pouco de sorte e uma boa rede de contatos faz a diferença para os donos do festival.

A trajetória empresarial dos Medina teve início com uma loja de consertos de pianos, depois virou uma rede de lojas de eletrodomésticos e atualmente segue com uma das maiores agências de publicidade do Brasil: a Artplan. A empresa hoje presidida por Rodolfo Medina, de 35 anos, e neto de Abraham Medina, é a 14ª no ranking nacional do IBOPE, com um investimento de R$ 264,906 no ano de 2011. A empresa tem como carro chefe o festival Rock in Rio – projeto responsável pelo alavancamento da empresa num espectro internacional.

Durante 26 anos o Rock in Rio tem evoluído como um projeto de sucesso em vários países. Não só pelas milionárias cifras envolvidas em seu desenvolvimento, mas também pelo forte e ousado movimento de expansão por novos países e continentes. O festival virou uma marca forte e atualmente se reflete num custo de produção de 25 milhões de euros, em Portugal, 27 milhões de euros, na Espanha, e R$ 95 milhões (cerca de 41 milhões de euros), no Brasil.

As perguntas que não querem calar são: Afinal, qual é o segredo de tanto sucesso e prosperidade? Como é que o evento consegue infiltrar em novos países, com investimentos cada vez maiores e riscos menores?

Rodolfo Medina e Roberta Medina, ambos vice-presidentes do festival e filhos de Roberto Medina, falaram ao jornal O Globo e revelaram que o pulo do gato está na postura e atitude ultra profissional sempre exigida de todos os envolvidos na produção do Rock in Rio. “Não há espaço para romantismo”, afirma Roberta Medina, de 32 anos, e que no Rock in Rio III, em 2001, já trabalhava como coordenadora de produção.

A família sempre viu o Rock in Rio como um projeto de comunicação que teria que ser bastante rentável. Não existe espaço para brincadeira e para aspirações românticas, nem com o planejamento do festival, e muito menos com o line-up – o grande atrativo para garantir público. Esse último fator sempre causador de polêmica – é pop ou é rock -, segundo os organizadores, é montado baseado em pesquisas de mercado. As atrações mais votadas são as escolhidas para compor a escalação. No Brasil, a pesquisa foi realizada pelo IBOPE.

“Acho que há dois elementos fundamentais para o sucesso do Rock in Rio: um é que o Rock in Rio nasce da cabeça de um publicitário, não nasce de um apaixonado por música, nem nasce de um produtor de eventos. O Rock in Rio é um projeto de comunicação e atualmente termina por ser o principal festival de música e entretenimento do mundo. Além disso a gente tem 26 anos de história, isso é absolutamente imbatível. Uma história forte que marcou a história do Brasil na área de show business e desenvolvimento da música. Nossa experiência e know-how facilita bastante a venda do produto Rock in Rio em outros países”, explica Roberta, sem falsa modéstia.

O primogênito do Roberto Medina tinha 9 anos quando surgiu o Rock in Rio. Ele acompanhou todo o desenvolvimento e as dificuldades de estabelecimento do festival como uma marca, um produto, mas destaca dois outros pontos como essenciais. “O segredo está no planejamento e o cuidado com os detalhes. Além de uma atenção extra nas relações com os patrocinadores e com o público. Isso está no DNA do Rock in Rio”, completou Rodolfo Medina. “O Rock in Rio surgiu como um desafio de comunicação da Brahma, um dos nossos clientes no passado, que estava lançando a cerveja Malt 90, um produto novo, com perfil jovem”, destacou.

Os desejos e ambições da família Medina não param. Os planos de crescimento seguem a todo vapor e o objetivo é que o festival cresça muito mais, invadindo territórios onde a indústria da música não é para amadores como, por exemplo, os Estados Unidos e Inglaterra. “O sonho ainda é Estados Unidos e Londres. Temos muito ainda para caminhar. O grande objetivo é que o Rock in Rio seja para a música o que a Copa do Mundo é para o futebol. Não queremos ter milhares de edições do Rock in Rio acontecendo pelo mundo. Talvez três edições por ano seja o nosso sonho atingível”, aspira Roberta.

Este ano, o Rock in Rio chega à sua 4ª edição brasileira. No geral, já foram realizadas nove edições, sendo elas três no Brasil (1985, 1991 e 2001), quatro em Portugal (2004, 2006, 2008 e 2010) e duas na Espanha (2008 e 2010). Até 2013, o festival ainda se instala em mais um país da América Latina, possivelmente, México ou Colômbia, e Polônia.

O início de tudo – A história do sucesso empreendedor da família Medina tem início com as iniciativas do patriarca Abraham Medina, que nasceu em Belém do Pará, em 1916, mas que desde os dois anos já vivia no Rio de Janeiro. O garoto judeu sefardita começou a trabalhar aos 10 anos como técnico de piano – vai ver é daí que surge a forte ligação da família com empreendimentos musicais – e anos mais tarde deu início a sua carreira como empresário junto ao seu tio Samuel Garson. Medina vendia os rádios Capelinha, famosos na década de 30, e logo abriu sua primeira loja Rei da Voz, onde vendia e consertava pianos.

Anos mais tarde, o empresário ampliou o mercado de atuação e começou a vender eletrodomésticos, tornando-se dono da maior rede de lojas do gênero, no Rio de Janeiro.

A ligação com a publicidade tem início nos anos 1950 quando Abraham Medina patrocina o programa dominical na Rádio Nacional, do cantor Francisco Alves. As lojas chamavam-se Rei da Voz em homenagem à Alves, detentor do título de Rei da Voz.

*Com informações de O Globo Online


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