A Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) aprovou o projeto de lei que obriga a exibição de filmes e audiovisuais de produção nacional nas escolas de ensino básico. De acordo com proposta, de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), as exibições dever ser feitas, no mínimo, por duas horas mensais.

A comissão praticamente esgotou a pauta, votando 21 dos 22 itens previstos. Antes do encerramento da reunião da CE, o senador José Nery (PSOL-PA) pediu empenho semelhante para votar na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) projetos importantes para a sociedade.

O presidente da CDH, senador Cristovam Buarque, disse que há mais de três meses a comissão não consegue votar projetos terminativos devido à ausência dos membros. A comissão, observou, tem prestado papel importante ao realizar audiências públicas que discutem temas fundamentais para os brasileiros, mas o colegiado não consegue votar projetos de lei.

– É melhor que não exista a comissão, o que será uma vergonha para o Senado – disse Cristovam.

Fonte: Agência Senado.


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3Comentários

  • Wellington R Costa, 2 de junho de 2010 @ 12:30 Reply

    Tal projeto de lei, sem duvida, pode ter alguns problemas simples:
    – Audiovisual nacional pode ser qualquer coisa, até mesmo: uma apresentação em PowerPoint com as fotos da viagem de férias que uma pedagoga fez para visitar familiares, apresentação esta na qual o ápice pode ser a fotos dela dançando, em roupas sumarias, “reboleichon” com o primo Gustavão depois de terem bebido todas (quem avaliará a qualidade do que será apresentado?).
    – Muitas escolas não possuem cinemas ou aparelhos de áudio visual.
    – Quantos filmes educacionais são feitos por ano no Brasil que sejam detentores de enfoques historiográficos, literários, geográficos, etc?

    Ponderemos:
    Uma aparente fantástica iniciativa que fará que o sistema educacional torne-se cliente cativo obrigado ao consumo de filmes e produtos audiovisuais nacionais , mesmo se tais não forem detentores de critérios educacionais plenos.
    Não podemos nos esquecer que em muitas de nossas escolas publicas os estudantes, mesmo sendo aprovados saem como analfabetos funcionais, diante desta realidade , preencher a grade educacional com a apresentação de filmes e audiovisuais sem uma capacitação das pedagogas para o uso pleno dos aspectos educacionais de tais mídias é algo que pode ser encarado um potencial elemento de elevação do analfabetismo funcional.
    Este novo projeto de lei quer permite que os professores fiquem passando filmes ao invés de gastarem tempo com coisas supérfluas como ensinar as crianças a Ler, escrever, matemática, ciências, história, geografia, literatura, etc…
    Vamos fazer uns cálculos: 8 horas mensais serão usadas no “MINIMO”, ou seja em media 64 horas aula por ano serão usadas no “MINIMO” para que os alunos vejam filmes nacionais. Como cada filme em media dura, nos dias de hoje 1:20H teremos dois filmes por sessão, ou seja 8 filmes por mês e em media 64 filmes serão vistos por ano…
    Podemos imaginar as pedagogas usando tais filmes de modo educacionais, certamente vão poder ocupar a grade de matérias com mais uma ou duas horas por semana efetivando as indefectíveis dinâmicas de colocarem as crianças para fazerem desenhos sobre o que acabaram de ver…. e com isso mais 64 horas ano serão gastas com coisas valiosas ao invés das vulgares matérias como leitura, literatura, etc…
    Muitas leis e boas intenções quando não avaliam a fundo as implicações do que esta sendo pretendido pode efetivamente fazer o efeito contrario do desejado… e isso é preocupante no que concerne a tal projeto de lei em pauta.
    Os legisladores estão propondo muitas outras novas leis ou projetos de lei impondo o ensino de filosofia, cultura negra, indígena, diversidade sexual, musica, etc sejam levadas às escolas… são sem duvida iniciativas aparentemente louváveis, mas que não levam em conta a falência que o sistema educacional publico, a incapacidade de muitas “pedagogas” elevarem a termo o que estas propostas determinam… Tais iniciativas estão criando um sistema educacional amorfo que tenta abraçar um amplo universo de temáticas , mas não atendem as básicas de ensinarem sequer as crianças a lerem….
    Diante deste cenário filmes e áudio visuais nacionais nas escolas podem ser até mesmo desastrosos no que tange o que realmente deveria ser ensinado.

  • Filmes brasileiros na escola vira lei « Cinema Brasileiro, 3 de junho de 2010 @ 13:39 Reply

    […] sss://culturaemercado.com.br/relatos/aprovado-projeto-que-obriga-exibicao-de-filmes-brasileiros… […]

  • Marcelo Paes de Carvalho, 4 de junho de 2010 @ 11:51 Reply

    Wellington, concordo que precisa haver cuidado ao definir o que é audiovisual. Portanto, a dita lei precisa de uma regulamentação. Agora, eu acho que o cinema brasileiro na escola é, sim, uma grande vitória para a sociedade. Tenho visto muitos projetos de exibição de audiovisual em comunidades que antes não tinham este acesso, a não ser pela televisão, acabarem em verdadeiras revoluções culturais.
    Na escola, com boa orientação, poderá ser semelhante.
    Os alunos não precisam apenas da matemática. Precisam também de cultura. Justamente para evitar os “rebolations” que você citou…

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