Hoje, a cultura brasileira encontra-se refém dos departamentos de marketing, isso não é segredo. Sabemos qual é a lógica desse seqüestro de valores e conceitos artísticos, sustentar e ampliar uma imagem institucional para que traga novos horizontes para a empresa “patrocinadora”, a qual o marketing está a serviço. Com isso, assistimos a um “mercado de produtores” que se utiliza das leis de incentivo para vender projetos e não arte, pois o produto que está sendo grifado é o da empresa patrocinadora. Se, por exemplo, tal empresa for fabricante de sabão, então o objetivo será vender sabão. Então, relegada a um terceiro plano, a arte fica à mercê de algo digestivo, um comestível sem muitas reflexões e desdobramentos, transformando-se num brinde, com pouco ou nenhum compromisso com a arte.

Toda essa falsificação chamada mercado cultural toma para si as decisões, se estrutura como empresa prestadora de serviços com o gerenciamento direcionado a atender seus clientes através dos departamentos de marketing que deformam a “arte” para que caiba em seu panfleto institucional.

Assistimos hoje o massacre ao que deveria ter como objetivo o desenvolvimento de um pensamento crítico em torno da arte e o estímulo a novas formas e práticas criativas, dando lugar a esses modelos classificados falsamente de mercado cultural que destroem brutalmente, com inúmeros ataques uma arte que se propõe a trazer novos horizontes. Não estamos percebendo o enorme genocídio que está sendo cometido com o artista brasileiro. Há nitidamente um esgotamento, um cansaço, um sentimento amargo de derrota daqueles que se jogam na arte com todos os seus sonhos e paixões e com toda a sua verdade.

As teses em prol dessa prática criminosa ficam entrincheiradas numa bem orquestrada cortina de fumaça produzida por uma propaganda paga pelos novos executivos do mercado de projetos e realimentada pelo capital de seus próprios lucros numa cadeia ensandecida e expansionista como forma de garantir uma falsa legalidade através da manjada opinião publicada. Assim, reedita-se a lógica absolutamente patronal do princípio das relações trabalhistas e, no caso do Brasil, tem significado nefasto de ganância, irresponsabilidade e outros adjetivos predatórios. Tirar a arte de seu ambiente é um crime de lesa pátria, pior, tudo isso está acontecendo em nome de uma bradada valorização da arte. É muita ironia, é muita hipocrisia, é muito cinismo. Porque todos, absolutamente todos os produtores culturais sabem perfeitamente que os departamentos de marketing estão pouco se importando com a arte ou mesmo com o artista. Sabem que os olhos dos marketeiros estão voltados aos gráficos de uma pontuação publicitária venenosa para o artista. A arte não está aí para servir de estímulo as estatísticas de retorno midiático. Toda essa agressividade mercadológica transformou muitos produtores em capatazes, em capitães do mato e, de bacamarte e chicote na mão, repudiam e ameaçam qualquer tentativa de insurreição do artista, ameaçando-o com a degola ou enforcamento em praça pública. Defende em nome de uma farsa eclética o “tudo é arte”, qualquer coisa que lhes dê dividendos e que faça com que o produto, posto em uma bandeja, seja entregue com triunfo ao marketeiro que, numa cadeia sórdida, passará às mãos do grande empresário que carrega o status de mecenas. Tudo isso com recursos do povo, ninguém tirou um centavo sequer do bolso.

A arte brasileira está nas mãos de xerifes, de justiceiros, de milicianos que estão fazendo desses recursos um estado paralelo. Não pode haver nisso uma fotografia empreendedora no campo da arte. Há sim, uma soma de inconseqüências e interesses em nome do lucro fácil.


Bandolinista, compositor e pesquisador.

7Comentários

  • José Paulo Chrisostomo, 2 de junho de 2008 @ 15:48 Reply

    Essa visão pode ficar bonita com palavras e adjetivos querendo dar peso à argumentação, mas é só analisar os projetos culturais que as empresas patrocinam com o incentivo da lei Rouanet para vermos que não se sustenta em fatos. Vamos fazer um desafio: Começo agora por lista o que as empresas patrocinam com o Incentivo da Lei Rouanet para ver se é arte ou se é balela como o autor desse artigo está dizendo. Algúem se lembra do Pão Music, série maravilhosa de espetáculos gratuitos que começou no parque do Ibirapuera e depois de transformou num projeto itinerante que percorreu diversas cidades importantes brasileiras ? Querem dar um olhada no edital do Instituto Votorantim para ver se o que eles estão patrocinando é arte ou não ? E o Natura Musical ? Dêm um olhada para ver o que eles patrocinaram ? Conhecem o projeto Rumos do Itaú Cultural ? Uma coletânea de 9 Cds que abraça uma diversidade musical incrível (nenhum artista do main stream). A estrutura do Grupo Corpo patrocinada pela Petrobrás não merece os nossos aplausos ? Isso é só para dar um teaser. eu não tenho ranço nenhum de que o logotipo da empresa esteja ao lado de tudo isso. Quero é que a arte tenha recursos. Chega balela. A Lei Rouanet tem produzido resultados sim para a arte. E resultados vistosos. Mas isso incomoda um grupo sectário de artistas que mistura ideologia socialista anti-capitalista, com estratégia de financiamento à cultura de uma nação que É CAPITALISTA.
    Esses caras em resumo não tem nenhuma proposta melhor para o financiamento da cultura a não ser querer que ela fique toda nas mãos do estado. Deus nos livre desse cenário restritivo. O MinC já tem orçamento pra executar então…Por que não responsabilizar o Ministério pelo abandono da arte imaculada (sem manchas e sem fornicações com o marketing) que vocês defendem ? O lado da arte que trabalha com as empresas tem ido bem obrigado. Vão lá passar o chapéu pra ver se funciona vão !! Se não funciona agora, por que vocês acham que irá funcionar depois ? Quando vocês conseguirem desmontar a Lei Rouanet que tanto fez pela cultura. O Sergio Rouanet é um dos caras mais inteligentes que passaram pelo ministério. Montou um esquema que para a caravela carcomida do Ministério da Cultura foi como um içar de velas que pode aproveitar muito vento bom que soprou esses anos todos vindo do odiado departamento de marketing das empresas. Ora bolas, tenham paciência. Chega de mediocridade disfarçada de intelectualismo de esquerda. Quem olha o legado que o Sergio Rouanet deixou, percebe que ele foi genial ao criar um instrumento que teve que fazer o MInC se mexer, e dar conta de gerenciar uma máquina que passou a canalizar uma grana preta que chegava do mercado para financiar a arte, e que não estava dirtetamente nas mãos e nem sujeito aos humores dos Ministros.

  • Priscila Marques, 2 de junho de 2008 @ 16:27 Reply

    Esse artigo assume um tom alarmista altamente exagerado, além de apresentar, ao meu ver, uma opinião parcial e um pouco deformada do mercado cultural. Para tudo, há dois lados. É fato que existem diversos projetos circulando no mercado e batizados como “culturais” que nada mais são do que projetos de entretenimento formatados por agências de marketing cultural para atender aos interesses de patrocinadores. Mas também é fato que existem tantos outros bons projetos circulando, de valor cultural e artístico inegável, e bancados também por empresas, através de leis de incentivo. Jogar tudo num mesmo saco é uma visão simplista. Aliás, seria interessante que o autor nos apresentasse um novo artigo sugerindo caminhos para sairmos desse cenário injusto de hipocrisia e cinismo que ele aponta.

  • Carlos Henrique Machado, 2 de junho de 2008 @ 23:43 Reply

    Priscila, respondo a você.
    “Esse artigo assume um tom alarmista altamente exagerado, além de apresentar, ao meu ver, uma opinião parcial e um pouco deformada do mercado cultural”.

    Não pensamos de forma tão diferente assim, e mesmo o Chrisostomo me dá razão. Existem de fato ótimos projetos, o que não se constitui num mercado cultural e é essa a grande questão. Tudo está muito fragmentado, então, o que vemos é exatamente o que eu disse, uma indústria de projetos que acabou se criando.

    O que chamo a atenção é para o fato de não termos uma política nacional de cultura, falta ao MinC justamente isso, um plano de desenvolvimento sustentável para a cultura. Não há um sincronismo, não existem ações combinadas. Chrisostomo citou um projeto que esteve em cidades importantes. Veja bem a infelicidade dessa declaração: o que é uma cidade importante para um mercado cultural? Os grandes centros? Vamos continuar propondo o inchaço das cidades através dos únicos caminhos possíveis de sobrevivência no Brasil? Tem que haver essa responsabilidade nas ações públicas, pois, uma lógica dessas, além de não ser salutar ao país, contempla um círculo vicioso. No meu caso, por exemplo, como músico, é comum ver muitos amigos meus abandonarem seus projetos, por terem que fazer várias atividades, dar aulas, gravar em vários estúdios, tocar com outros artistas. Eu lhe pergunto, isso é o mercado? É lógico que não, é uma tentativa de sobrevivência de um artista encurralado pela falta de oxigênio que esse estreito espaço lhe dá. Por isso, é bom refletirmos um pouco mais sobre uma lógica que obedeça um mínimo de sincronismo e que tenha a capacidade de se expandir construindo novos espaços e públicos no país inteiro. O povo brasileiro adora arte, ao contrário do que muitos pensam. O povo brasileiro é partícipe de um processo efervescente, na música então! No entanto, nem nos grandes centros conseguimos ter ações que contemplem um número expressivo, um ou outro consegue um circuito aqui, outro ali, tudo muito pontual. Essa sazonalidade nada tem a ver com um processo natural, ela é fruto de uma falta de política pública, de um pensamento mais amplo sobre todas essas questões. Por isso, como você bem obervou, meu discurso está carregado de parcialidade. É verdade, você tem razão. Mas mesmo que eu fale num tom discursivo e em primeira pessoa, a minha fala, na realidade, contempla um clamor da classe artística.

    O que o Paulo, defensor fundamentalista da lei, não quer entender, é que há uma crítica pesada de muita, muita gente, pior, há uma descrença de muitos artistas na lei e não adianta querer tapar o sol com a peneira, isso é real. E quando o Paulo esperneia, numa defesa cega da Lei Rouanet, ele discursa sozinho, não é o sentimento do artista e não adianta, como eu mesmo disse, enforcar o artista em praça pública por ser contra a lei como está, é corrigí-la para e, aí sim, ter representatividade efetiva.

  • José Paulo Chrisostomo, 3 de junho de 2008 @ 18:12 Reply

    Carlos Henrique, a minha defesa da Lei Rouanet não é cega, pois eu posso ver claramente que a despeito de naõ ser a solução para todos os males ( e eu não exijo isso dela) ela traz benefícios para muitos artistas. Muitos mesmos. Seja através das verbas dos centros culturais, seja através dos editais das empresas, ou ainda pelo patrocínio de muitos shows e concertos que sempre tem que empregar vários músicos e outrso profissinais. Esses estão sendo beneficiados. Defender a lei Rouanet com veemencia não é ser cego para as questões que ela não pode resolver. A grande questão que eu levanto é que os problemas que pessoas com você apontam como sendo o fim do mundo e a chaga maléfica e demoníaca da Lei Rouanet não serão resolvidos com o fim da mesma. No dia seguinte em que ela acabar, quem naõ é atendido hoje continuará na mesma situação. É isso que tem que ficar claro. Não queira que as empresas patrocinem projetos em cidades pequenas que não interessam á elas como alvo de exposição de marca. Deixe que elas patrocinem projetos em áreas urbanas que são relevantes à elas. Para resolver o problema da falta de acesso nos rincões é preciso usar o orçamento do MInC ou do FNC como já foi escrito aqui. Li num artigo que o Paulo Pélico ironizou muito bem essa questão dizendo que só por que não tem, não significa que a ANAC deve instalar aeroportos em toda cidadezinha do sertão.
    A circulação que a Lei Rouanet promove dos recursos para a cultura tem um sentido e uma direção. E não é tão concentrada como querem dizer. Ex. Tem muito projeto que atende à diversos estados brasileiros inclusive cidades do interior que aparece nas estatísticas como sendo do sudeste. Exatamente por que o proponente é do sudeste. Mas nesse caso o cara que tem a maior boa vontade de realizar o projeto em regiões carentes acaba contribuindo para piorar a imagem da concentração ( veja não a estou negando, apenas pontuando). A lógica da lei Rouanet, desagrada a tantos quantos não percebem ou não admitem que ela traz sim benefícios, a tantos quantos insistem em cobrar dela (e frustrados então apedrejá-la) a solução para todos os males.
    A tantos quantos não percebem que a solução para muitos problemas da cultura não está na destruiçaõ da Lei Rouanet e de tudo o que de bom ela traz, mas sim na utilização de mecanismos complementares que dêem cabo daquilo que ela não dá.

  • Carlos Henrique Machado, 3 de junho de 2008 @ 20:17 Reply

    “Não queira que as empresas patrocinem projetos em cidades pequenas que não interessam á elas como alvo de exposição de marca. Deixe que elas patrocinem projetos em áreas urbanas que são relevantes à elas. Para resolver o problema da falta de acesso nos rincões é preciso usar o orçamento do MInC ou do FNC como já foi escrito aqui” (José Paulo Crisostomo).

    Meu queridíssimo José Paulo, é perceptível que a sua visão republicana não é das mais democráticas. Acho que você está levando uma brincadeira de Nelson Rodrigues ao pé da letra, “se os fatos estão contra mim, que se danem os fatos”.

    Então, vamos aos atos: lendo essa pérola de preconceito com a sua assinatura, a qual fiz questão de grifar, decvidi apenas de te situar melhor: estamos em 2008, no século XXI, em franco desenvolvimento digital das convergências tecnológicas, e você me solta uma dessas, rincões, (interior)? É duro de aturar. Veja só, pela sua lógica, eu estou teclando em banda larga de um desses rincões, Volta Redonda, inerior do Rio de Janeiro, Vale do Paraíba. Deste mesmo rincão, no campo da cultura, teve um dos mais bem-sucedidos projetos culturais do Brasil. Volta Redonda foi uma espécie de cidade laboratório que, na muito bem estruturada concepção de cultura, trouxe toda aquela visão de um modernismo desde o planejamento da cidade até as suas ações sociais, e os resultados foram extraordinários, posso depois citar um a um. É que neste rincão foi instalada em 1947 a CSN como a primeira grande indústria de base para todo um desenvolvimentro necessário ao Brasil. Os arigós, a grande maioria de semi e analfabetos, vindos de tantos outros rincões, dinamizaram todo um desenvolvimento brasileiro, o que foi o principal propulsor das grandes indústrias, principalmente as paulistas. Mas, para não ficar falando de passado, a CSN hoje, ainda sustenta uma excelência na América Latina em tecnologia de aço. Tudo isso é fruto de um grande projeto cultural e educacional. Aqui do nosso lado, em outro rincão, Resende, temos a INB (Indústrias Nucleares do Brasil), a Pegeaut, WolksWagen e etc. Também aqui do nosso lado, tem uma cidadezinha chamada Piraí, a mesma que inspirou o Ministro Gil a fazer o seu Banda Larga. Ele ficou tão empolgado com a visão de futuro dessa cidade que, além de homenageá-la, ainda fez um show explicando os motivos. Piraí, sob a sua lógica, um rincão, recebeu a premiação de uma das sete cidades mais inteligentes do mundo, pela sua política de inclusão digital. Lembra Paulo, que lhe falei de inclusão digital logo aí acima? Ah, sim, neste mesmo rincão, Piraí, também tem a Light. Mas do nosso lado também tem Furnas, uma espécie de rincão costeiro e milhares de outras empresas. Acho que você tem os olhos ainda muito voltados para as quintas, o Brasil cresceu, mais que isso, nesta região toda que estou citando, a bacia do rio Paraíba, tem importância na cultura brasileira sem paralelo. São 287 municípios e seus distritos. Isso sim, é um grande rincalhão. Imagina só, justo daqui desta região saiu Monteiro Lobato que, inspirado nos jecas daqui, fez o Jeca-Tatu. Aliás, sugiro-lhe dois livros do mesmo Lobato, “Cidades Mortas” e “Idéias de Jeca Tatu”, o patrono da nossa principal empresa patrocinadora de cultura, lutou bravamente, como a história não narra, pela extração de petróleo. Nesta mesma região, nos rincões, ficaram preservadas memórias culturais que só a gora o Brasil está engatinhando uma discussão acadêmica nos grandes centros sobre os seus valores, como é o caso do jongo, tombado recentemente. Mas daqui sairam divas do jazz, do canto lírico, grandes nomes do samba, do choro, ilustres artistas que tenho certeza que você acredita serem das grandes capitais, as mesmas que você defende como grandes beneficiárias da Lei Rouanet.

    Vou repetir o que não me canso de falar em minhas falas, um dos grandes erros do trabalhismo de Getúlio foi não contemplar o homem do campo como contemplou, com as leis trabalhistas, os da indústria. Entre outros motivos, este foi um erro que hoje pagamos com o inchaço das cidades e, consequentemente, pelo êxodo rural que, aos poucos, vem se reconstituindo através de uma política de empresas de base que trazem desenvolvimento para o país, mas causam sérios impactos ambientais. Poderia ficar horas aqui defendendo que a lei deveria, ao contrário do que você diz, contemplar os rincões para desobstruir os grandes centros e construir uma lógica que privilegiasse uma política permanente, independente, transformando os tais rincões em cidades de um grande circuito cultural. Todos nós sairíamos ganhando. A minha discussão vai um pouco além do que você insiste em dizer. O que reclamo é que os projetos têm que dar conta bem mais de si, eles têm que, necessariamente, serem um dos canais propulsores. Tem que haver uma lógica de, mais do que se constituir num projeto cultural de valor meramente estatutário, as ações têm que contemplar uma visão que propicie novas ações. Acho, Paulo, que você defende uma lei verduga, onde um mesmo artista viva de projeto em projeto, sem abraçar uma visão maior de país, aí sim, de um grande e saudável mercado cultural. Talvez você seja apenas apressado e quer porque quer que as coisas continuem exatamente como estão, atribuindo a outros fatores, qualquer culpa. Tem outra frase de Nelson Rodrigues que talvez você não goste muito, “para eu ser internacional, tenho que ser nacional e, acima de tudo, local”.
    Um abraço aqui do rincão.

  • José Paulo Chrisostomo, 6 de junho de 2008 @ 17:20 Reply

    Carlos,
    Não precisa escrever um texto desse tamanho para mostrar que você não consegue compreender que não adianta querer cobrar das empresas a solução para todos os problemas de desigualdades culturais ou outras. As mazelas da cultura no Brasil são ancestrais e muito anteriores a existência da Lei Roaunet. Querer que as empresas resolvam todos os problemas que são da alçada do Estado é uma utopia, e atacar o status quo da maneira como tem feito aqui é se candidatar à porta voz máximo da esquizofrenia esquedóide que assola certos quadros petistas que se entrincheiraram no Minc.
    A Lei Rouanet é apenas um instrumento de incentivo à cultura, não é a solução panacéica para todos os males culturais do Brasil, pois quando chama o setor privado à se envolver passa a receber a influencia da sua lógica. Aliás toda a vez que você chamar o setor privado para fazer qualquer coisa (fala-se tanto em PPP hoje não é mesmo ?) pode ter certeza que tem alguém avaliando retorno.
    É isto que está expresso na minha fala no último post. Uma constatação realista, nada mais. Não precisa ficar tentando tripudiar em cima, pois isso só evidencia a sua falta de preparo para entender como o setor privado pode contribuir para a cultura. Não queira que uma empresa direcione recursos para algo que não desperta o seu interesse. Se começar achar que é isso que ela tem que fazer, e ampliar esse desejo desconectado da realidade, vai ficar assim mesmo, do jeitinho que está. Indignado e incapaz de perceber que elegeu o inimigo errado pra atacar.
    A pior coisa que pode acontecer numa problemática de administração é a atitude retórica destrutiva incapaz de colocar alternativas que substituam a altura ou melhorem aquilo que se ataca. É só isso que você tem feito aqui.
    Considerando tudo isso, quero dizer que a Lei Rouanet dentro daquilo a que se propõe fez mjuito bem à culura, mas não deve ser o alvo único das nossas digressões, senão não vamos enxergar as soluções que devem complementar e construir o corpo da política cultural do país.
    Sem essa visão, o MinC como construtor de política cultural de forma abrangente vai mal, mal demais. Só para exemplificar, demorou seis anos para eles perceberem que precisavam brigar pra valer por recursos para o seu orçamento e deixarem de ser o patinho feio da esplanada. Além disso, o que fizeram até agora foi bombardear e complicar a burocracia de um legado excelente e que funcionava bem que é a Lei Rouanet.

  • Andrea Munhoz, 31 de julho de 2008 @ 11:14 Reply

    Será que existe um patrocínio ‘desinteressado’ na Lei Rouanet? É fácil colocar um parâmetro. Digamos que, daqui por diante, as empresas ‘incentivadoras’ não possam mais colocar seu logo no produto final. Isto é, tudo está documentado, etc. e tal, mas publicamente, tais empresas serão totalmente desconhecidas. Nos cartazes e letreiros, capas e contracapas, outdoors, nenhum patrocínio reconhecido, somente o selo ‘Lei de Incentivo a Cultura’. Marketing? Nunca mais, afinal a prioridade é a arte e o artista, e não quem está tendo incentivos fiscais para incentivar outrem.
    Por outro lado – e esse eu já senti em minha própria pele, não uma, mas várias vezes – é necessário democratizar a apresentação de projetos através da simplicação, facilitando sua apresentação e validação. Atualmente, um artista comum, desconhecido – e, por conseqüência, sem currículo apresentável – não pode almejar a aprovação de seu projeto, mesmo que reuna uma centena de micro-incentivadores. Tal é a extensão burocrática dessa lei. Onde estão os postos populares? Onde estão os formatadores gratuitos? Onde estão as micro-secretarias para avaliação de micro-projetos?
    Enfim, onde está o incentivo para a maioria dos artistas que se arrastam vida afora, permanecendo nada além de ilustres desconhecidos, reféns de suas sensibilidade e talento?

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