A Comgás anunciou no último dia 14 de julho os vencedores da primeira edição do seu Fundo de Patrocínio Sociocultural. No primeiro bimestre deste ano, 139 projetos se candidataram ao patrocínio, que priorizou a atuação na área de concessão da Comgás – região metropolitana de São Paulo, Baixada Santista, Vale do Paraíba e região administrativa de Campinas – e a capacidade dos projetos de valorização do potencial local e da sustentabilidade das comunidades. No total, será distribuído R$ 1 milhão para patrocínio dos projetos “Anime Sua Comunidade”, “Cine Tela Brasil”, “Coral Nossas Vozes”, “Igual Diferente/MAM” e “Memória da Literatura Infanto-Juvenil/Museu da Pessoa”. Os premiados atuarão na capital paulista e nos municípios de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Campinas, Jundiaí, Osasco, Piracicaba, Santos e São José dos Campos.

“Estamos muito satisfeitos em termos recebido tantas inscrições de tão alto nível, demonstrando que acertamos ao investir no desenvolvimento cultural das regiões onde atuamos”, afirma a gerente de Comunicação da Comgás, Bruna Milet. “A transformação pela educação e pela cultura é certamente a mais sólida e duradoura; a Comgás sabe disso e quer continuar apoiando também essa forma de progresso das comunidades com as quais interage”, continua ela, prevendo para breve o lançamento da segunda edição do Fundo Comgás.

Participaram do 1º Fundo Comgás de Patrocínio Sociocultural produtores de livros de valor artístico, literário ou humanístico, música erudita ou instrumental, circulação de exposições de artes visuais, produção de obras cinematográficas e videofonográficas de curta e média metragem e preservação e difusão do acervo audiovisual e preservação do patrimônio cultural material e imaterial – todos regulamentados pela Lei Rouanet.

Desde a sua concepção, o Fundo já considerou a proposta da empresa de interferir positivamente nas comunidades com as quais interage, seja por meio do desenvolvimento trazido pelo gás natural disponibilizado como opção energética, seja pelo apoio a iniciativas que elevem o potencial, o nível de criticidade e a autonomia de cada uma dessas localidades. O diferencial da iniciativa está em refletir uma visão expandida do negócio da empresa, “carregando” o DNA da Comgás de trabalhar para o desenvolvimento das regiões atendidas.

Durante a seleção, os processos previstos pelos projetos foram considerados tão importantes quanto os resultados a serem obtidos. O potencial de profissionalização, de geração de empregos e de desenvolvimento infanto-juvenil na localidade atingida também foi cuidadosamente avaliado. Os inscritos deviam apresentar capacidade de politização, contribuindo para o enriquecimento cultural e para a discussão de temas cruciais para o progresso da comunidade. Assim, as cidades serão beneficiadas com projetos capazes de contribuir para sua articulação e para a implementação de empreendimentos em seu próprio benefício, de modo a ampliar sua sustentabilidade.

Os escolhidos

Jovens de periferias de Campinas retratarão a realidade de suas comunidades em desenhos animados, ao mesmo tempo em que aprendem a produzir curta-metragens nas oficinas do projeto Anime Sua Comunidade, um dos cinco escolhidos pela Comgás. Maurício Squarisi, coordenador do projeto, conta que procurará organizações e entidades que trabalhem com seu público-alvo, iniciando o trabalho com três sessões de apresentação de curta-metragens para grupos de 200 jovens. Até 15 interessados por grupo – 45 no total – poderão então participar de oficinas de brinquedos ópticos e de Cinema de Animação, que capacitarão os jovens pra a produção de curta-metragens sobre a realidade local.

Os “curtas” produzidos pelo Projeto Anime Sua Comunidade integrarão Mostras de Animação, nas quais os próprios grupos e as comunidades poderão conferir os resultados do projeto. Diretor do Núcleo de Cinema de Animação de Campinas, criado em 1975, Squarisi conta que pretende inclusive inscrever os curtas em mostras e festivais. “O jovem certamente poderá adquirir percepção impressionante de sua comunidade, interferindo de forma crítica na sua realidade, ao mesmo tempo em que aprende uma atraente atividade profissional”, sintetiza, com a experiência de quem já trabalhou com oficinas de cinema para índios na Amazônia e comunidades no Pantanal.

Campinas também estará entre as cidades beneficiadas por outro ganhador do Fundo Comgás de Patrocínio Sociocultural, o Cine Tela Brasil. A sala de cinema itinerante com 225 lugares, ar condicionado e padrão técnico e conforto de shopping centers, viajará por periferias de sete cidades do interior paulista sob patrocínio da Comgás – além de Campinas, Piracicaba, São Bernardo, São José dos Campos, Osasco, Jundiaí e até Santos, essa última ainda não visitada pelo projeto. Na periferia das cidades escolhidas, são exibidas gratuitamente, durante três dias, quatro sessões diárias – duas para adultos e duas para crianças – de produções nacionais, convidando a população a se projetar, se enxergar e se valorizar na telona.

A cineasta Laís Bodanzky, diretora de “Bicho de Sete Cabeças” e idealizadora da experiência que soma 353 mil espectadores de 56 filmes em 151 cidades brasileiras ao longo de quatro anos de existência, relata com entusiasmo a trajetória do Cine Tela Brasil e seu inegável impacto nas comunidades visitadas. “Qualquer sessão é muito emocionante, porque sempre tem alguém indo pela primeira vez ao cinema”, diz ela, ressaltando que este índice é de pelo menos 50% nas platéias do Cine Tela Brasil. A experiência é comparada por ela a “ver o mar pela primeira vez”. E o ganho de auto-estima da população que assiste ao filme se reverte em carinho com a equipe do Cine Tela Brasil: “Sempre fomos muito bem recebidos nas comunidades; nunca registramos um único episódio de violência em nossas visitas”.

A continuidade do trabalho do Cine Tela Brasil ganha agora o apóio da Comgás, que lhe permitirá a realização de 84 sessões nas sete cidades, para cerca de 19 mil espectadores. “Temos muito ainda o que fazer, muitas cidades a visitar”, afirma Laís, referindo-se ao levantamento do IBGE que indica que 92% dos municípios brasileiros não têm salas de cinema.

Crianças e jovens também são público-alvo do Fundo Comgás de Patrocínio Sociocultural. O Coral Nossas Vozes, coordenado pela regente Tânia Figueiredo Pacca Perticarrari, de Piracicaba, que pretende o desenvolvimento educacional e a maior atuação na sociedade dos jovens de 12 a 18 anos, poderá agora montar o espetáculo musical “Os Saltimbancos”, ampliando suas atividades também para as áreas de teatro, literatura e dança. A produção do espetáculo levará nove meses, seguidos de três meses de exibição para o público da cidade. A montagem prevê ainda trabalho com os familiares dos jovens integrantes do grupo, convidados a participar do espetáculo, de forma a promover a sensibilização da família para a arte e a integração e transformação das relações familiares. Monitores das escolas públicas dos jovens participantes também acompanharão a montagem, compartilhando a experiência com outros alunos. O resultado deve ser a valorização e a inclusão social de jovens estudantes e suas comunidades.

Integração com a sociedade é a meta de mais um projeto agraciado pelo Fundo Comgás de Patrocínio Sociocultural. O Igual Diferente, desenvolvido pelo MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo, promove desde 2002 cursos regulares, oficinas e visitas a exposições, por meio de parcerias com instituições de saúde, educação especial e projetos sociais. Em ateliê, os integrantes passam por oficinas de várias técnicas que vão de desenho, pintura, colagem e gravura até escultura, fotografia, isogravura e xilogravura. Pessoas com ou sem necessidades especiais, alunos com experiência ou iniciantes compõem os grupos de diversas atividades. O intuito é possibilitar o acesso a espaços culturais e às atividades neles realizadas. Com o apoio da Comgás, o programa ganha agora novo fôlego. O coordenador de parcerias do MAM, Wilson Bueno, conta que um novo grupo, atendido por dois semestres, será custeado pelo novo aporte financeiro. “É impressionante verificar como os participantes do Igual Diferente se tornam mais atuantes, são reconhecidos em suas comunidades e conseguem se inserir melhor em sociedade”, afirma.

Estímulo também é o princípio de ação do último projeto contemplado pelo Fundo Comgás. O projeto “Memórias da Literatura Infanto-Juvenil”, do Museu da Pessoa, pretende estimular crianças e jovens de escolas públicas a se encantarem com o universo mágico dos livros usando para isso a estratégia de contar histórias. Nesse caso, histórias de vida dos próprios autores, ilustradores e editores. “Esses autores já foram crianças e têm suas próprias trajetórias de vida a serem consideradas; certamente tiveram encontros com a literatura até se tornarem nomes conhecidos no meio literário”, explica Thiago Majolo, pesquisador do projeto, sobre o objetivo de aproximar os entrevistados da realidade das crianças.

A proposta é construir um banco de dados virtual com biografia, bibliografia, entrevistas em vídeos e índices de obras de 40 escritores, ilustradores e editores da literatura infanto-juvenil nacional, conhecidos dos estudantes brasileiros das últimas décadas. São os integrantes de uma geração de autores ainda vivos, composta por nomes como Ruth Rocha, Pedro Bandeira e Ana Maria Machado, que fizeram renascer os livros para crianças e jovens a partir da década de 70, depois de um longo período de inanição pós Monteiro Lobato. O conteúdo referente a essas trajetórias será hospedado num site interativo, que inclusive convidará professores e estudantes de ensino fundamental e médio a fazerem uso didático do material e a participarem de concursos de literatura. Haverá também o registro em papel, num almanaque da literatura infanto-juvenil, destinado a professores, alunos e mediadores de leitura.

Alguns dos escritores e ilustradores entrevistados pelo projeto visitarão ainda escolas e centros comunitários e culturais de dez cidades paulistas beneficiadas diretamente pela iniciativa – Campinas, Diadema, Jundiaí, Osasco, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São José dos Campos e São Paulo. Formadores, pesquisadores e consultores do Museu da Pessoa orientarão os educadores de escolas públicas desses municípios a resgatarem a memória cultural da literatura infanto-juvenil contemporânea, aproximando autor e artista do leitor. Fechando esse ciclo de integração, um guia registrará também a experiência de estudantes e professores participantes do projeto nos seus contatos iniciais e na construção da “intimidade” com o universo da leitura.

Informações adicionais sobre o processo de seleção e os projetos escolhidos na 1ª edição do Fundo de Patrocínio Sociocultural estão disponíveis no site s://www.comgas.com.br


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