Grandes gravadoras procuram utilizar a Internet para atrair o consumidor e engordar seus caixas, mas não conseguem oferecer mais vantagens do que os sites de distribuição gratuitaPor Sílvio Crespo

Aparentemente, já não se sabe mais o que fazer para evitar a pirataria no setor fonográfico. Inúmeros são os processos contra sites de distribuição gratuita de músicas em MP3, mas inúmeras são também as novas possibilidades que aparecem para o consumidor. Enquanto os organismos internacionais e as autoridades nacionais lutam como podem para combater a violação dos direitos autorais, as grandes gravadoras procuram, muitas vezes em vão, soluções para sair da crise.

Três novas táticas apareceram no mercado para seduzir o internauta: a venda de músicas em formato MP3 pela Internet, a assinatura de sites de música e a entrega a domicílio de CDs personalizados. Diante dessas ofertas, falta saber que vantagens esses serviços pagos podem ter sobre a música gratuita encontrada ainda em alguns sites.

Venda de MP3
Se há pouco tempo atrás muitas gravadoras evitavam trabalhar com o formato MP3, por ser vulnerável à pirataria, hoje elas procuram uma forma de tirar proveito desse tipo de tecnologia. A Maverick Records e a Vivendi Universal colocam músicas on line nos sites mantidos pela Universal Net USA (incluindo o MP3.com, o RollingStone.com, o GetMusic.com e o MP4.com). O internauta pode gravar o arquivo musical por US$ 0,99.

CD personalizado
Há, também, a possibilidade de ?montar na Internet o repertório de um CD e recebê-lo em casa em uma semana?, afirma o vice-presidente do site iMusica, Cláudio Campos, em notícia divulgada pela Reuters. O preço do CD fica entre R$ 20 e R$ 25, com a ?vantagem? de se poder escolher o que será escrito na capa. Trata-se de uma parceria entre o iMúsica e a fabricante de CDs Microservice, em que as músicas disponíveis para a montagem do CD personalizado estão restritas ao conteúdo nacional das gravadoras parceiras: Abril Music, Trama e Indie Records.

Ainda que as vantagens deste tipo de serviço não superem a gratuidade da música, o presidente da gravadora Trama, André Szajaman, diz que a venda de músicas ?por download e a personalização do CD são tendências que as gravadoras devem seguir.

Assinatura de sites
A terceira tentativa de atrair o consumidor para a compra legal de músicas é a assinatura de sites especializados em distribuição de músicas, caso dos norte-americanos MusicNet e PressPlay. O primeiro (www.musicnet.com) tem apenas um plano de assinatura, por US$ 9,95, que oferece, por mês, 100 streams (música tocada no site sem poder ser gravada para o computador) e 100 downloads temporários, em que as músicas expiram em 30 dias.

O PressPlay (www.pressplay.com) amplia um pouco o leque de vantagens: oferece quatro planos de assinatura, variando de US$ 9.95 a US$ 24,95. O download só expira quando a assinatura é cancelada e, dependendo do plano, pode-se baixar de 10 a 20 músicas por mês.

Uma desvantagem dos sites pagos é a pequena variedade de músicas que podem ser encontradas, limitadas ao repretório de suas gravadoras parceiras ? Sony Music e Universal, no caso do PressPlay, e AOL Timer Warner, EMI, Bertelsmann (empresa da mídia alemâ que comprou a Napster) e a RealNetworks, parceiras do MusicNet.

Enquanto isso, o compartilhamento ilegal de músicas pela Internet, além de oferecer produtos gratuitos, coloca à disposição do internauta uma imensa variedade de canções, muito superior ao patrimônio das maiores gravadoras do mundo. Resta saber quando a indústria fonográfica apresentará uma arma à altura de se combater a pirataria.

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