A Summus Editorial acaba de lançar Diário de Bollywwod, do jornalista cultural Franthiesco Ballerini. O livro é o relato de uma viagem ao mundo mágico do cinema indiano conduzido por um turista acidental, acostumado a cobrir estereótipos e celebridades sob a ótica hollywoodiana. E por isso se prende ao paradigma norte-americano para retratar, em tom preconceituoso e pouco profundo, a riqueza de maior indústria cinematográfica do mundo.

A leitura de Diário de Bollywwod é relevante, no entanto, menos pela riqueza da abordagem e mais pela escassez de material relativo a essa intrigante indústria. Assisti o documentário extraído do livro, que é igualmente artificial e preconceituoso em relação ao maior mercado cinematográfico do mundo, em termos de número de produções e quantidade de expectadores.

O livro é fruto de um olhar viciado pela cobertura de Hollywood. Com visitas a estúdios, sets de filmagem, escolas e casas de diretores em Mumbai, na Índia, o relato apresenta entrevistas e fotografias que denunciam o olhar do autor sobre o esquema de produção no país.

Segundo Franthiesco, os ingredientes dos filmes são basicamente os mesmos: tramas românticas, roupas coloridas, cenários opulentos e muita, muita música e dança. Atores e atrizes possuem status de “deuses”. O fanatismo é tão exacerbado que os indianos constroem templos para venerar seus ídolos.

A paixão do indiano pela sétima arte vem de muitos anos. “O cinema era a única forma de entretenimento, já que a TV tinha apenas um canal até 1990 e o país ainda não faz parte do circuito de shows e peças que circulam pelo mundo”, explica Ballerini. Segundo ele, além de famosos pelas sequencias belíssimas de dança e música, os filmes são visualmente bonitos pelo trabalho de pós-produção (fotografia, edição de som etc.). “A temática, contudo, não agrada muito o mundo ocidental, por ser muito repetitiva, sempre com conotação emotiva, envolvendo mocinhos e mocinhas”, diz.

Apesar de considerar o modo indiano de fazer cinema pouco apreciado pelo Ocidente, Ballerini acredita que ele pode ensinar muito aos brasileiros: “São informações fundamentais para nossa eterna tentativa de transformar a produção nacional em indústria autossustentável”. Para o autor, o cinema latino pode aprender muito sobre o funcionamento da indústria cinematográfica em um país em desenvolvimento, assim como a respeito da valorização de temas e produtos ligados à própria identidade cultural. “Por outro lado, também poderíamos ensinar a eles a liberdade de expressão, ou seja, como abordar qualquer assunto nas telas sem medo de censura, bem como a capacidade que temos de criar roteiros muito mais criativos e diversos”, diz.

Para comprar o produto, visite o site da Summus Editorial.


Pesquisador cultural e empreendedor criativo. Criador do Cultura e Mercado e fundador do Cemec, é presidente do Instituto Pensarte. Autor dos livros O Poder da Cultura (Peirópolis, 2009) e Mercado Cultural (Escrituras, 2001), entre outros: www.brant.com.br

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