Palestras e lançamento do livro Diversidade Cultural marcam presença em algumas das principais capitais brasileiras
Um dos assuntos mais discutidos no mundo atualmente, e que será objeto de uma convenção a ser homologada pela UNESCO em outubro próximo, é tema do novo livro de Leonardo Brant (org.), que tem prefácio do Ministro da Cultura Gilberto Gil.
Considerado pelo autor como o “Protocolo de Quioto da Cultura”, a “Convenção da Unesco sobre a proteção e promoção da Diversidade dos conteúdos culturais e expressões artísticas” consolida em todo mundo a discussão sobre tolerância, respeito e diálogo entre nações. É o segundo passo da Unesco no sentido de criar parâmetros para as trocas culturais. A “Declaração Universal sobre Diversidade Cultural” foi aprovada logo após os acontecimentos de 11 de setembro e tem um papel simbólico muito importante no combate à intolerância e ao processo de hegemonia cultural implementado pelos Estados Unidos desde o pós-guerra.
O livro “Diversidade Cultural”, de Leonardo Brant (org.), traça um panorama sobre a questão no mundo e suas implicações e dimensões no Brasil, resultado de sua atuação como vice-presidente da International Network for Cultural Diversity (INCD), organização presente em mais de 50 países, e presidente do Instituto Diversidade Cultural. Brant publica uma espécie de guia introdutório ao tema, com textos de 17 dos maiores especialistas nacionais e internacionais.
Com o subtítulo “Globalização e culturas locais: dimensões, efeitos e perspectivas”, o livro apresenta um enfoque multidimensional do tema. O cenário externo é ponto de partida para discutir os efeitos da globalização sobre as culturas locais, e mais especificamente sobre a cultura brasileira.
“Diversidade Cultural” é o primeiro título da coleção “Democracia Cultural”, que busca estabelecer um novo olhar sobre as questões da cultura, em um momento em que adversidades e conflitos do mundo globalizado trazem a necessidade do aprendizado do verdadeiro sentido das políticas culturais.
Eventos programados para o lançamento do livro DIVERSIDADE CULTURAL:
Recife – 23 de setembro de 2005 às 19h
Livraria Cultura – Paço Alfândega
R. Madre de Deus, s/n
50030-110 Recife – PE
Tel.: (81) 2102-4033 / Fax.: (81) 2102-4200
>>> Haverá debate com o autor e Afonso Oliveira, vice-presidente do IP.
Rio de Janeiro – 26 de setembro de 2005 às 20h
Livraria da Travessa
Rua Visconde de Pirajá, 572 – Ipanema
Fone: (21) 3205-9002
>>> Trechos do livro Diversidade Cultural:
“O primado do econômico nas relações sociais reduz a cultura a mera mercadoria”
Gilberto Gil
“A sociedade brasileira não está atenta para os riscos que o Brasil corre ao aderir à OMC. Além de tornar impossível qualquer taxação e regulação de entrada de conteúdos, esse simples fato colocaria abaixo todo o sistema de subsídios existentes na área cultural – leia-se leis Rouanet e Audiovisual, entre outras. Ao ingressar na OMC, a nação se compromete a reduzir subsídios e a igualar o acesso às empresas internacionais a esses subsídios”
Leonardo Brant
“O ‘jabá’ é uma censura ao músico independente e lembra os tempos da ditadura militar. Quem se arrisca a falar publicamente sobre isso é imediatamente excluído do meio radiofônico”
Lobão
“Se a cultura é um dos nossos referenciais de pertinência a um grupo social, um dos efeitos colaterais da globalização não seria a perda desse referencial, ou pelo menos de sua perda relativa, o que significa a impossibilidade de viver esse referencial em sua integridade?”
Priscila Beltrame
“Aliás, pode-se traçar facilmente um paralelo entre a iniciativa da França na ONU referente à questão do Iraque e o atual posicionamento diante da questão da diversidade cultural”
Yvon Thiec
“De imediato, o GATS constrangeu a habilidade de governos soberanos de implementarem políticas e programas culturais. Propostas de uma nova rodada de discussões de liberalização e a compreensiva agenda de negociação adotada pela MOC podem apenas ocasionar maiores restrições nas medidas governamentais que apóiam expressões culturais domésticas e assegurem diversidade cultural”.
Garry Neil
“A base da discussão sobre o direito do autor refere-se ao conceito da propriedade privada (que domina a ideologia do início do século XXI) versus a concepção negligenciada de que nós precisamos de um amplo domínio público do conhecimento e da criatividade.”
Joost Smiers
da RedePensarte
Leonardo Brant nasceu em Belo Horizonte, MG. É presidente da Brant Associados, o ateliê de políticas culturais do Brasil, responsável pela incubação e o desenvolvimento de organizações culturais como Instituto Pensarte, Instituto Vygotskij e o Instituto Diversidade Cultural, esta última presidida pelo próprio Brant. Conferencista internacional, participou do seminário promovido em Paris pelo Groupe d’etude et recherches sur les mondialisations; em Amsterdã, Holanda, pelo De Balie Centre; em Barcelona, pela Interarts; em Nova York, pela Brazil Foundation; em Cleveland (EUA) pelo museu e universidade locais; na Cidade de Cabo (África do Sul), Opatjia (Croácia) e Shangai (China), nas conferências anuais da INCD, além do Fórum Cultural Mundial e da XI Unctad, em São Paulo. Responsável pela criação e coordenação editorial das revistas eletrônicas “Cultura e Mercado” e “Artecidadania.org.br”, além da recém lançada “Arquitetura Cultural”, que sai em versão impressa. Autor dos livros “Mercado Cultural” (Escrituras Editora) e “Políticas Culturais vol.1” (org., Ed. Manole).