Publicado com a colaboração voluntária de 18 especialistas em economia e cidades criativas de 13 países diferentes, o livro digital Creative City Perspectives, editado em 2009 pela Garimpo de Soluções, será disponibilizado agora em português, com adaptação pensada para o leitor brasileiro.
Primeiro livro lançado no país sobre o tema e primeira análise comparativa internacional sobre cidades criativas, foi organizado por Ana Carla Fonseca, especialista internacional em economia criativa e autora da primeira tese de doutorado sobre cidades criativas.
A publicação apresenta um manancial de ideias e reflexões sobre o que constitui a essência de uma cidade criativa e como melhor aproveitá-la, com textos de autores referenciais de países como África do Sul, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Inglaterra, Israel, Itália, Noruega, Portugal e Taiwan.
Participam do livro outros dois brasileiros, além de Ana Carla Fonseca: André Urani, diretor executivo do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS) e ex-Secretário Municipal de Trabalho no Rio de Janeiro e o arquiteto e urbanista Jaime Lerner, por conta de sua vasta experiência como governador e prefeito de Curitiba.
Entre os autores internacionais estão nomes da envergadura de John Howkins (tido como “pai da economia criativa”), Charles Landry (referência mundial em cidades criativas), Anamaria Wills, diretora executiva da Creative Industries Development Agency (CIDA), e Jorge Melguizo (Colombia), ex-secretário de desenvolvimento social de Medellín.
Independentemente da escala, do contexto socioeconômico e da história da cidade, há características que sempre despontam e cujas semelhanças podem ser observadas no exemplo dado por cada pensador. “Para a maioria deles, a cidade criativa tem uma aura sensorial, sinestésica. Em praticamente todos os textos as descrições e percepções são permeadas por cores, sons e luzes”, afirma Ana Carla Fonseca.
A análise comparativa permitiu à organizadora identificar três características básicas das cidades criativas: Inovações — cidades que estão em permanente estado de mudança, levando-se em conta não apenas a tecnologia, mas soluções inteligentes e práticas para problemas cotidianos –; Conexões — noção de cidade sistêmica, conexões entre áreas da cidade, sistema de transporte que crie mobilidade entre bairros, parcerias entre setores público e privado para melhorias, e noção de local e global, entre outras –; e Cultura, que não significa somente o conjunto de ações no circuito das artes, mas também o setor da moda, gastronomia, design e arquitetura, que criam cadeias multiplicadoras de criatividade na economia e no espaço urbano.
Segundo Ana Carla, ainda não foi feito um mapeamento das cidades criativas do mundo. Tem-se uma noção de quais sejam ou não, mas a ideia não é que somente grandes metrópoles sejam assim consideradas, mas também cidades pequenas. “Um exemplo é Guaramiranga, cidade de 5 mil habitantes a 100km de Fortaleza. Londres também é vista como cidade criativa. São Paulo tem todos os requisitos – uma efervescência de inovações e uma presença cultural estonteante -, mas peca em conexões por conta da dificuldade de mobilidade”, conclui.
“Por meio de suas tribos, seus talentos e seus “heróis” empreendedores, ora anônimos, foi que surgiram na metrópole lugares como a Vila Madalena, a nova Augusta, o Mercadão, os vários museus e centros culturais, e eventos como a Virada Cultural, as Bienais, a Mostra Internacional de Cinema, a Fashion Week, a Parada Gay e tantos outros”, afirma Caio Luiz de Carvalho.
Uma cidade criativa une várias ferramentas e cria uma política para o desenvolvimento, utilizando os setores culturais e criativos. Esse conceito, que começa a vingar e a se espalhar mundo afora, passa a ser difundido também na capital paulista, centro econômico do Brasil e onde existe um caldeirão efervescente de cultura, diversidade e criatividade.
O conteúdo do livro poderá ser acessado gratuitamente pelo site www.garimpodesolucoes.com.br, a partir de setembro.