Importamos uma discussão do recém-inaugurado Blog do Brant, sobre a Lei Rouanet. O blog é destinado ao público corporativo e discuste o investimento privado em culturaE a prática fez da Lei Rouanet uma Geni. Todos batem, chutam, xingam, jogam pedra, enquanto usam e abusam de suas entranhas. O fato é que a Lei ainda é a maior responsável pelo financiamento à cultura no Brasil. Nem o prometido Mais Cultura conseguirá impor-se, em volume de investimento e em variedade de oferta, à maldita.
O problema, então, não é falar mal da Geni. É cuspir no prato que come. E isso vale para tanto para o mercado quanto para o Governo.
Do lado do mercado, quem usa a lei para fazer promoção e marketing, diz que ela é desnecessária, ao tempo que satisfaz seu instinto animal na coitada. Do lado governamental, a lei é transformada em orçamento nas mãos de milhares de associações de amigos da Geni, para bancar projetos de órgãos públicos, desvirtuando completamente o seu espírito de parceria entre o público e o privado.
Mas que espírito seria este afinal? Seria a Lei Rouanet apenas uma forma de substituir a propaganda pelo entretenimento, como dizia a cartilha “cultura é um bom negócio” do Weffort? É para gerar emprego no show business ou é para promover a diversidade cultural? Seria a Geni uma forma inteligente de incentivar o alinhamento necessário entre o público e privado? E o artista, como fica no meio disso? Seu papel social está em xeque? Não seria a arte a única inequívoca PARTIDA social? Ou ela precisa mesmo de contrapartida? O problema está no artista ou na função social que a arte e a cultura adquiriu em tempos de desespero?
Leonardo Brant
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