A ministra da Cultura, Marta Suplicy, reuniu-se com representantes da sociedade civil e cultura digital nesta quinta-feira (20/9), em Brasília (DF). O encontro teve a finalidade de fomentar o diálogo e ouvir sugestões sobre os desafios do Ministério. Com status de audiência pública e transmitida pela internet, essa foi a primeira reunião da ministra com representantes da área.
Em seu discurso de abertura, Marta afirmou que uma das marcas da sua gestão será a revolução nas ferramentas da internet e nos meios de comunicação, e que espera que os representantes do setor a ajudem a pensar uma gestão, ousada e inovadora. “Vamos dar continuidade a bons programas, mas vamos também buscar o novo. O novo é o desafio do século”, afirmou.
Uma das afirmações da nova ministra que mais repercutiu nas redes sociais foi: “ainda não sou uma hacker, mas vou ser”. “Podem ter certeza, vocês são a minha turma”, disse Marta, prometendo manter diálogo permanente com representantes do setor.
Para os participantes, foi mais um indício de uma mudança em relação à gestão anterior, já que eram justamente os ativistas da cultura digital os maiores críticos da ex-ministra Ana de Hollanda.
O produtor cultural Pablo Capilé disse à Agência Brasil que o encontro foi promissor e indicativo do que poderá ser a gestão de Marta, “após dois anos de obstrução do diálogo com o setor”. “Não estamos passando atestado e temos autonomia para cobrar e criticar se for necessário, mas a avaliação é que os primeiros sinais são positivos. A ministra Marta é uma política capaz de sentir a temperatura e fazer transbordar algo que já está fervendo, como é o caso da cultura digital por todo o país”, disse Capilé.
Entre os desafios propostos para a nova gestão estão o pleno funcionamento dos Pontos de Cultura em todo o Brasil, a tramitação do Marco Regulatório, que está no Congresso Nacional, e a expansão do programa Cultura Viva, que já se tornou modelo em toda a América Latina.
Sobre a meta de ter 15 mil Pontos de Cultura em funcionamento até o ano de 2020, um dos 53 objetivos do Plano Nacional de Cultura (PNC), Marta disse ser difícil atingir. “O resgate e o fortalecimento dos pontos de Cultura têm que ser um ponto central dessa gestão, mas falar em 15 mil [unidades] em funcionamento até 2020 é um delírio. Vamos ter que trabalhar muito para isso e vamos trabalhar”, disse a ministra, destacando que, dos cerca de 4 mil Pontos de Cultura identificados em todo o país, apenas 2,3 mil são beneficiados por convênios com o ministério.
A secretária executiva do Pontão de Articulação da Comissão Nacional de Pontos de Cultura, Patrícia Ferraz, disse ter interpretado a declaração da ministra como um reconhecimento da necessidade de mudanças. “Vendo a atual realidade do ministério, o [montante] de recursos destinados ao Programa Cultura Viva [ao qual estão associados os pontos de Cultura], a meta dificilmente seria atingida. Acho que ao reconhecer o que chamou de delírio, a ministra admitiu que é necessário um outro olhar, uma nova linha de atuação por parte do ministério”, disse Patrícia à Agência Brasil.
*Com informações do Ministério da Cultura e da Agência Brasil