Segundo estudo da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade São Paulo, o mercado editorial brasileiro registrou um faturamento de R$ 3,013 bilhões em 2007, o que corresponde a um crescimento nominal de 4,62% e um volume de vendas que alcançou aproximadamente 329 milhões de exemplares, o que representa um aumento de 6,06% em relação a 2006.

Divulgados no dia 01 de outubro, os dados fazem parte da pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, que foi encomendada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL).

A pesquisa apontou ainda que o crescimento no comércio no porta a porta aumentou de forma impressionante. Em 2007, este setor teve uma participação de 9,6% no total de livros vendidos pelas editoras, o que representa uma evolução de 91,3%. Quase 20 milhões de exemplares foram vendidos pelos vendedores porta a porta, o que faz do segmento, o terceiro canal de vendas mais importante para as editoras, ficando atrás apenas das livrarias e dos próprios distribuidores (21,5% de participação).

Para o presidente da Associação Brasileira de Difusão do Livro (ABDL), Luis Antônio Torelli, o aumento nas vendas porta a porta cresceu principalmente por causa da mudança no perfil do consumidor. As classes C e D, principais compradores deste canal de vendas, e que respondia por 5,43% da comercialização de livros no País,  hoje abrange 9,6%, pois tiveram uma considerável melhoria de renda nos últimos anos.

Além disso, antigamente o forte das vendas eram as enciclopédias, mas agora os livros infantis e religiosos ganham destaque e representam cerca de 50 a 60% dos volumes comercializados no porta a porta. Em 2007, foram editados 5.570 títulos desse gênero (livros religiosos) no País, 27% mais que em 2006, quando foram editados 4.383 títulos. Já os livros infantis, foram produzidos 14.753.213 de exemplares em 3.491 títulos, contra 12.808.625 e 3.031, respectivamente, um ano antes, o que significa um aumento de 15,1%.

O resultado da pesquisa também apontou um aumento no consumo de livros pela população em geral, pois o mercado editorial comprou mais em 2007, totalizando R$ 2,286 bilhões, o que representa um aumento de 6,41% na comparação entre 2007 e 2006. Segundo comunicado da presidente da CBL, Rosely Boschini, “o mercado comprou mais e isso significa que a população tem lido mais, resultado de uma série de ações voltadas para a difusão do livro e promoção da leitura”.

Para a presidente da SNEL, Sonia Jardim, o aumento no número de exemplares produzidos e vendidos no ano passado, se deve a queda no preço médio do livro vendido em 2007 (R$11,41) em relação a 2006 (R$11,61). Segundo ela isso aconteceu por causa da desoneração fiscal do setor e a uma economia em escala por parte das editoras.

Já o maior comprador do mercado continua sendo o governo federal com R$ 726,8 milhões, ou cerca de 24% do total de vendas do setor, mas a pesquisa registrou uma queda nas compras federais de 0,67% em comparação a 2006.


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Jornalista e sócia da empresa CT Comunicações.

1Comentário

  • Louis Fernado G. Osmar, 11 de novembro de 2008 @ 16:16 Reply

    Excelente matéria de Carina Teixeira. O mercado editorial brasileiro vai crescendo, mas o governo federal continua sendo o maior comprador (provavelmente livros escolares). Tenho sérias dúvidas quanto ao preço médio do livro (R$11,41) que foi citado pela presidente da SNEL Sra. Sonia Jardim… Basta entrar em qualquer livraria para ver que esse número é irrealista. A menos que refira-se aos livros didáticos comprados pelo governo. De qualquer modo, o panorama parece animador e uma matéria como essa nos traz alento, mostrando que nem tudo está perdido em nosso amado Brasil. Parabéns a Cultura e Mercado e muito especialmente à jornalista Carina Teixeira. Continuarei a acompanhar seu trabalho.

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