Na última terça-feira (10/9), aconteceu o II Seminário Internacional “Quem é Quem Na Arte Contemporânea”, realizado pela revista ARTE!Brasileiros no Auditório Ibirapuera, em São Paulo.
O evento trouxe grandes nomes nacionais e internacionais de instituições e plataformas de arte, que apresentaram dados, histórias e depoimentos relevantes ao tema. Destacaremos aqui as principais colocações feitas sobre questões de mercado e políticas culturais. (Nas próximas semanas, em matérias que estamos preparando sobre museus, traremos outras visões colocadas durante o seminário.)
Com o crescimento da arte contemporânea no Brasil, as políticas públicas e o destaque internacional também cresceram. Na abertura do evento, Afonso Luz, diretor do Museu da Cidade de São Paulo, destacou a nova realidade do setor. “Na última década, o mercado de arte no Brasil expandiu tanto interna quanto externamente e há uma urgência de criação de escolas para formação de curadores”, afirmou.
O secretário de Estado da Cultura, Marcelo Araújo, falou sobre a importância de definir quais os papeis dos agentes individuais e públicos. “A Secretaria tem feito seu papel como fomentadora, criando condições para a ampliação e circulação do que se produz em São Paulo”, disse, anunciando a construção de uma unidade da Pinacoteca em Botucatu que, segundo ele, abrirá ao público ainda em 2014.
Crítico de arte e professor da PUC-SP, Fabio Cypriano ressaltou a importância de apostar no novo para o campo da arte contemporânea. Ele lembrou Walter Zanini como referência desse tipo de ação no Brasil. “Quando Zanini comandou o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, ele insistia em transformar o museu em laboratório, em espaço experimental, interessava-se em ampliar o contato do país com a cena internacional e foi um grande incentivador das novas linguagens dos anos 60″, contou. Para Cypriano, essa visão deve ser fundamental na condução da atual produção de arte.
Walter Zanini também foi destacado por Marieke Van Hal, historiadora e diretora-fundadora da Fundação Bienal, plataforma de troca e colaboração entre instituições e artistas que atuam nas bienais. “A necessidade de troca foi expressa bem antes de eu criar a Biennial Foundation. O desejo de conectar bienais começou aqui, em São Paulo, com Zanini há mais de 30 anos. A proliferação de bienais, nas últimas décadas, foi uma importante transição para o mundo da arte contemporânea”, disse.
Chantal Wong, chefe de estratégia e projetos especiais do Asia Art Archive (AAA) – site com banco de dados que reúne mais de 100 mil informações sobre a produção de arte contemporânea asiática – falou sobre as diferentes possibilidades de conexão do público com uma mesma obra de arte e da importância de um curador alcançar pessoas diferentes, abordando determinados aspectos novos de cada artista. “Não há razões para reafirmarmos o que já foi dito em outras exposições”, concluiu.
A cobertura completa do evento está disponível no site da Revista Brasileiros.